
A paciência guarda sempre um punhado de areia na mão esquerda.
Esfrega os olhos menina e deixa passar o tempo...
... só enquanto o amor não vem.
Em qualquer aventura o importante é partir e nao chegar...
agarra-me a mão no escuro.
lado a lado. olhamos o palco. agora de frente. aquele palco foi nosso um dia e as recordações teimam em fazer-me querer lá voltar...
para onde foram as metáforas? e os eufemismos? onde se escondeu a ficção?
agarra-me a mão no escuro. agora quando a cortina se fecha... tu e eu, ficamos do lado de fora.
"Em quarto estranho me encontro a reparar nos espelhos e eu neles, pálida, impassível, na imagem que com ela compartilho desconhecendo-a até áquele momento. Hirta, dividida entre o prazer sentido, a ira, o pânico, o recomeço. Quem sabe se o recomeço e assim me olha. - Porém estou aqui somente a fim de a tirar de casa para a o convento. Estranho exercício lhe quero dar à paixão, exercício do corpo.; paixão extinta, talvez a reacendar-se com a minha presença."
Uma esperanca de vício. Um engano de novo. Um novo aturdimento.
NCP
não. não funciona saber sem sentir.
as palavras que usas não são tuas... já as usou um qualquer poeta de rua, um escritor famoso nessa ou noutras combinações, mais ou menos famosas. vais construindo castelos verbais que tanto ganham na forma como na insignificância...
sei aquilo que ouço e reconheço as palavras que leio. não são tuas... e falta-me o toque final que lhes oferece o significado.
não. não o toque da entoação, mas aquele da tua mão.
"Se eu te amasse a horas certas,
abririas as pernas com menos cuidado?
Se eu começasse sempre pela língua,
julgar-me-ias menos bruto?
E se eu não te mordesse o pescoço,
acaso continuarias a cravar-me as unhas nas costas?
Se eu não apagasse a televisão. adormecerias aconchegada à minha cintura?
Se eu tomasse banho depois de fornicarmos,
julgarias o acto mais higiénico?
Se em vez do silêncio depois do orgasmo
passássemos a ter uma confissão no olhar,
perdoar-nos-ia deus o desperdício?
Já agora diz-me: se não dependêssemos
um do outro, como é que explicarias
o teu cheiro nas minhas palavras?"
-"A Dança das Feridas" - Henrique Manuel Bento Fialho
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.
Alexandre O'Neill
Como se se tratasse de uma venda em géneros... vamos trocando palavras por sorrisos mais ou menos verdadeiros, nem sempre totalmente relevantes. As palavras perdem o valor quando atravessam a fronteira dos lábios...
já não são minhas. as palavras. são de quem as ouviu. de quem as guardou.
se amanhã me perguntarem o que te vendi... não vou saber responder. No mercado da comunicação aleatória não há tempo para armazenamentos.
Não há tempo... nem vontade.


Perdi a conta das portas que abri e janelas que fechei. voltei a fechar para depois abrir numa sequência mecânica interminável. infundada. torno os espaços maiores ou mais pequenos, largos ou estreitos nesta brincadeira de esperas e desencontros...
parece que tenho... quase todo o espaço do mundo sem ninguém para o decorar.
Nunca ninguém disse que não eram bonitas, essas ervas daninhas que crescem à revelia de um qualquer jardineiro cuidadoso que cuida dia após dia o seu jardim.
não se trata de primor, mas sim de tempo. porque esse não se deixa ficar pela estética. o tempo é pragmático e vai com pressa. e o jardineiro vai lutando, lutando... ora contra as ervas, ora contra o tempo. o jardim... se não o levar o tempo, levam-no as ervas. inevitavelmente...
porque o jardim, esse, nunca dura para sempre.