terça-feira, junho 07, 2011

my own private fukushima...




Preocupam-me essas vezes em que sob a superfície intacta de um sorriso sinto os focos de

explosão na central do meu coração.

sexta-feira, maio 27, 2011

N.N.




Que nome se dá a esse medo que nos persegue de quando em vez nos momentos de entrega?

E como explicar essa necessidade vital de não lhe perder o rastro?

Será amor: este medo de perder o medo?

segunda-feira, abril 11, 2011

1 . beatriz .


new york.
Originally uploaded by Sandra Beijer



agarra-me a mão no escuro.

lado a lado. olhamos o palco. agora de frente. aquele palco foi nosso um dia e as recordações teimam em fazer-me querer lá voltar...

para onde foram as metáforas? e os eufemismos? onde se escondeu a ficção?

agarra-me a mão no escuro. agora quando a cortina se fecha... tu e eu, ficamos do lado de fora.

quinta-feira, abril 07, 2011

Alice.


Untitled
Originally uploaded by Sabino .




Leva-me contigo para esse mundo de dimensões arbitrárias onde o possível e o impossível se juntam numa mistura infalível á qual se dá o nome de imaginação.


sexta-feira, abril 01, 2011

Pálida. Hirta. Nua. Indecisa.


Untitled
Originally uploaded by stefanyalves

"Em quarto estranho me encontro a reparar nos espelhos e eu neles, pálida, impassível, na imagem que com ela compartilho desconhecendo-a até áquele momento. Hirta, dividida entre o prazer sentido, a ira, o pânico, o recomeço. Quem sabe se o recomeço e assim me olha. - Porém estou aqui somente a fim de a tirar de casa para a o convento. Estranho exercício lhe quero dar à paixão, exercício do corpo.; paixão extinta, talvez a reacendar-se com a minha presença."

Uma esperanca de vício. Um engano de novo. Um novo aturdimento.

NCP

sábado, fevereiro 26, 2011

telepatia dos sentimentos



Originally uploaded by Sabino .

não. não funciona saber sem sentir.

as palavras que usas não são tuas... já as usou um qualquer poeta de rua, um escritor famoso nessa ou noutras combinações, mais ou menos famosas. vais construindo castelos verbais que tanto ganham na forma como na insignificância...
sei aquilo que ouço e reconheço as palavras que leio. não são tuas... e falta-me o toque final que lhes oferece o significado.

não. não o toque da entoação, mas aquele da tua mão.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

O cheiro....


Remember 20 years ago?
Originally uploaded by Federico Erra








"Se eu te amasse a horas certas,
abririas as pernas com menos cuidado?
Se eu começasse sempre pela língua,
julgar-me-ias menos bruto?
E se eu não te mordesse o pescoço,
acaso continuarias a cravar-me as unhas nas costas?
Se eu não apagasse a televisão. adormecerias aconchegada à minha cintura?
Se eu tomasse banho depois de fornicarmos,
julgarias o acto mais higiénico?
Se em vez do silêncio depois do orgasmo
passássemos a ter uma confissão no olhar,
perdoar-nos-ia deus o desperdício?
Já agora diz-me: se não dependêssemos
um do outro, como é que explicarias
o teu cheiro nas minhas palavras?"


-"A Dança das Feridas" - Henrique Manuel Bento Fialho

sábado, fevereiro 19, 2011

positionsmäßig...






i live in a castle built up there in the clouds...


positionsmäßig, i am made of air. and guess what? you are too....

pressa....



Originally uploaded by stefanyalves

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

Alexandre O'Neill

domingo, fevereiro 06, 2011

a vida é uma coisa, o amor é outra.

"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."





Miguel Esteves Cardoso

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

terça-feira, fevereiro 01, 2011

fala-barato



Originally uploaded by Sabino .





Como se se tratasse de uma venda em géneros... vamos trocando palavras por sorrisos mais ou menos verdadeiros, nem sempre totalmente relevantes. As palavras perdem o valor quando atravessam a fronteira dos lábios...

já não são minhas. as palavras. são de quem as ouviu. de quem as guardou.

se amanhã me perguntarem o que te vendi... não vou saber responder. No mercado da comunicação aleatória não há tempo para armazenamentos.

Não há tempo... nem vontade.

domingo, janeiro 23, 2011

A Poeta




"Minha querida filha, minha rica, chegaram aqui os seus versos, guardei um livro para mim que li e reli. Acho tudo tão lindo, dormi com o livrinho debaixo do meu travesseiro. Fiquei tão emocionada! (...) Não sei que mais hei-de dizer. Custou-me tanto a habituar-me à ideia de ter uma filha Poeta, não esperava nada que isso me acontecesse mas agora já sei como é, já compreendo tudo. (...)"












excerto retirado da edição online do Ipsilon.

sexta-feira, janeiro 21, 2011



"Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar"





Maria Teresa Horta





foto e poema retirados do Blog da Livraria Trama

Prinz *



Tell me, tell me... tell me,


where do you hide?






little perfect butterfly...











photo: do blog a antecâmara

sábado, janeiro 15, 2011

# Raum


#
Originally uploaded by Berta Pfirsich





Perdi a conta das portas que abri e janelas que fechei. voltei a fechar para depois abrir numa sequência mecânica interminável. infundada. torno os espaços maiores ou mais pequenos, largos ou estreitos nesta brincadeira de esperas e desencontros...

parece que tenho... quase todo o espaço do mundo sem ninguém para o decorar.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Ervas daninhas


Conta-me uma história.
Originally uploaded by Lydie Pereira

Nunca ninguém disse que não eram bonitas, essas ervas daninhas que crescem à revelia de um qualquer jardineiro cuidadoso que cuida dia após dia o seu jardim.
não se trata de primor, mas sim de tempo. porque esse não se deixa ficar pela estética. o tempo é pragmático e vai com pressa. e o jardineiro vai lutando, lutando... ora contra as ervas, ora contra o tempo. o jardim... se não o levar o tempo, levam-no as ervas. inevitavelmente...

porque o jardim, esse, nunca dura para sempre.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

os monstros que nos habitam...




.... gostam de brincar ás escondidas. Sem darmos conta, levam-nos por caminhos tão nossos como desconhecidos e atrofiam-nos o sentido de orientação.

os monstros que nos habitam têm patas pesadas e suspiros profundos.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

sunshine



Call me the name of a flower and make me rest by your side. together… we'll start a garden in our bed and turn words into sunbeams that helps us grow... higher and higher.

let's read words out loud, spell them patiently almost in a whisper...

we make new sentences of our own and gather them right in that little garden in the middle of our room.

Can't wait to meet you there.