domingo, janeiro 23, 2011

A Poeta




"Minha querida filha, minha rica, chegaram aqui os seus versos, guardei um livro para mim que li e reli. Acho tudo tão lindo, dormi com o livrinho debaixo do meu travesseiro. Fiquei tão emocionada! (...) Não sei que mais hei-de dizer. Custou-me tanto a habituar-me à ideia de ter uma filha Poeta, não esperava nada que isso me acontecesse mas agora já sei como é, já compreendo tudo. (...)"












excerto retirado da edição online do Ipsilon.

sexta-feira, janeiro 21, 2011



"Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar"





Maria Teresa Horta





foto e poema retirados do Blog da Livraria Trama

Prinz *



Tell me, tell me... tell me,


where do you hide?






little perfect butterfly...











photo: do blog a antecâmara

sábado, janeiro 15, 2011

# Raum


#
Originally uploaded by Berta Pfirsich





Perdi a conta das portas que abri e janelas que fechei. voltei a fechar para depois abrir numa sequência mecânica interminável. infundada. torno os espaços maiores ou mais pequenos, largos ou estreitos nesta brincadeira de esperas e desencontros...

parece que tenho... quase todo o espaço do mundo sem ninguém para o decorar.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Ervas daninhas


Conta-me uma história.
Originally uploaded by Lydie Pereira

Nunca ninguém disse que não eram bonitas, essas ervas daninhas que crescem à revelia de um qualquer jardineiro cuidadoso que cuida dia após dia o seu jardim.
não se trata de primor, mas sim de tempo. porque esse não se deixa ficar pela estética. o tempo é pragmático e vai com pressa. e o jardineiro vai lutando, lutando... ora contra as ervas, ora contra o tempo. o jardim... se não o levar o tempo, levam-no as ervas. inevitavelmente...

porque o jardim, esse, nunca dura para sempre.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

os monstros que nos habitam...




.... gostam de brincar ás escondidas. Sem darmos conta, levam-nos por caminhos tão nossos como desconhecidos e atrofiam-nos o sentido de orientação.

os monstros que nos habitam têm patas pesadas e suspiros profundos.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

sunshine



Call me the name of a flower and make me rest by your side. together… we'll start a garden in our bed and turn words into sunbeams that helps us grow... higher and higher.

let's read words out loud, spell them patiently almost in a whisper...

we make new sentences of our own and gather them right in that little garden in the middle of our room.

Can't wait to meet you there.

domingo, dezembro 19, 2010

Winterschlaf




deitar-me na cama sem nocao do tempo . perder-me contigo nos lencois enquanto criamos mundos que só a nós pertencem . sussurar-te ao ouvido verdades sentimentais que me devolves . encher as paredes imaculadas de palavras faladas, de palavras escritas, de palavras pensadas . deixar-te uma marca na pele e no coracao .
cantar .
fumar .


sonhar .

domingo, dezembro 12, 2010

The good . the bad & the smoker



Encontram-se assim como que por acaso debaixo da pele que nada mais é do que aquilo que os esconde da multidão. Vivem em sincronia... inevitavelmente afastados.

Só para enganar...

segunda-feira, dezembro 06, 2010

besser glücklich sein



Quando pensadas bem, as coisas perdem essa força da gravidade que no imediato nos pesa em cima dos ombros e sobem na escala da insignificância com a graciosidade de um balão de ar quente nesses dias de sol do verão.

Quando pensadas bem, as coisas ganham, nunca perdem.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

die Ängste eines weissen Papiers



du sitzt da. hilflos. hälst den bleistift zwischen deinen fingern und schaust mich an. ich schaue dich an. nackt. und warte.

sexta-feira, novembro 26, 2010

o tempo



"o tempo passava à sua volta mas faltava-lhe a âncora para se deter."





Boris Vian "As Formigas"

terça-feira, novembro 23, 2010

zwischendurch...





vem, menino... cantar-me essa canção ao ouvido que encaixa na melodia do meu coração.





foto: www.neon.de

sábado, novembro 20, 2010

a rapariga do espelho


Confesso que não sei... que nome te dar quando te encontro desse lado tão real do espelho. Olho-te com desconfiança por te saber encurralada, aprisionada e condenada a essa força oculta que te governa e te toma sem dares conta.




Deixas-te arrastar por essa maré de uma série de circunstâncias arbitrárias que te roubam o tempo que inquestionavelmente lhe terias oferecido somente pelo prazer de não ter de ser.


Exausta. Olho-te estendida nesse canto da vida onde a solidão se cruza com a ilusão de uma felicidade quase verdadeira.




Olho e desespero. Por não te conseguir acordar.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Kreis



Originally uploaded by Ellie Niemeyer





é neste jogo de círculos entre o acabar e o começar que por vezes paramos em sítios tão conhecidos...

tão opostos...

tão nossos.

sábado, novembro 06, 2010

Não .


não pensar. porque sim. porque pensar é não sentir. e não sentir é não estar. presente. presente. guardaste-me um lugar cativo nessa fronteira emocional desenhada no chão a giz e fui-me deixando ficar... na coincidência de um sentir a dois utópico num espaço meu. não teu. convidei-te a entrar. mas a língua que falas é diferente da minha e os caminhos parecem iguais mas conduzem a destinos diferentes. não. penso que não. sonho que sim.


reconheço a indecisão. não. senti e decidi pensar.

quarta-feira, novembro 03, 2010

magic.


o tempo tem... esse jeito tão peculiar de nos pegar pela ponta dos dedos e nos levar. Sem quase darmos conta do seu toque, o tempo arranca os nossos pés do chão. Primeiro o direito. Depois o esquerdo. Perdemos os sentidos e a vontade de os encontrar.


O tempo ensina-nos a voar não com asas mas com o coração.

sábado, outubro 30, 2010

verdade...



cala-te, a luz arde entre os lábios
e o amor não contempla, sempre
o amor procura, tacteia no escuro,
esta perna é tua?, é teu este braço?,
subo por ti de ramo em ramo,
respiro rente à tua boca,
abre-se a alma à língua, morreria
agora se mo pedisses, dorme,
nunca o amor foi fácil, nunca,
também a terra morre.


eugénio de andrade

quarta-feira, outubro 27, 2010