terça-feira, agosto 31, 2010

domingo, agosto 29, 2010


vem tocar-me com o olhar e convidar-me para dançar sem sair do lugar...

sexta-feira, agosto 27, 2010




Eu gostava de ser dessas pessoas positivas que andam pela vida cheias de planos para amanhã
Que dizem frases feitas mas têm suas próprias manias
Que os outras gostam delas porque elas são mesmo assim
Eu gostava que no fundo o mundo fosse simples
Que o dia fosse um barco e a noite fosse um cais
Se tudo fosse sim ou não para mim era mais fácil
E eu não tinha que magoar as pessoas que gosto mais
Eu gostava de ser mais ajuda para a família
De aprender a fazer bolos em casa da minha avó
Porque ela me quer lá e até faz alguns petiscos com a minha mãe a ajudar para que ela não se sinta só
Eu gostava de me lembrar mais de algumas coisas que a vida foi levando em tratamento de choque
De me recordar de cheiros de barulhos e dos discos com que a minha irmã me ensinou a ser alguém do rock
mas ando pela vida feito placa de auto estrada que ensina o caminho aos outros mas pouco sabe de si
Mas ando pela vida por ver andar meus amigos
E confesso que por vê-los nem me custa andar ai

Eu gostava de ser qualquer coisa mais peculiar
O blog da filipa e os textos que lá diz
Um assunto que tivesse algum efeito nas pessoas
Como os poemas da Ines ou as anedotas do Luis
Eu gostava de me dedicar aos trocadilhos
Que me fazem perder tempo e não fazem rir ninguém
Que há coisas que não são para rir
São só para ter pinta
Já dizia o meu pai e eu só agora entendi bem

Mas ando pela vida cinzentão e esbatido
Sem ter a coragem de convidar gente para dançar
Mas ando pela vida sem ter a lata do Hugo
Que é capaz de fazer tudo para a malta se animar

Eu gostava de saber explicar bem o que sinto
Não mentir como minto quando digo que estou bem
Porque todos temos dores e para cheirar as flores
Desbravamos os caminhos com a ajuda de quem vem

Eu gostava de ser qualquer coisa mais bonita
Fosse o sorriso da Rita fosse o carinho da Rute
Lutar cegamente por aquilo que se acredita
Porque há lutas que se perdem mas precisam que alguém lute

Mas ando pela vida às vezes sem ser sincero
Lá me vai pesando quando é hora de deitar
Finjo ser a pessoa que eu quero que os outros gostem
E acabo a não ser nada que valha a pena gostar



Anaquim, Bocados de mim

terça-feira, agosto 24, 2010

sintonia


não foi por mal que te falei do tempo. nem te quis magoar quando te contei da sua capacidade erosiva. Se nos deixamos levar ele acaba por nos levar tudo e deixar-nos ficar. Vai nos levando as caras, os cheiros e as sensações, vai apagando as memórias e os momentos que gostaríamos de ter contado aos netos nesse futuro nostálgico que todos partilhamos, vai nos tirando pedaços de carne sem nos permitir sentir o mínimo de dor.

Ele é discreto, o tempo. Rouba as fantasias e os sonhos antes que estes tenham tempo de se concretizar e deixa-nos com este desejo insaciável na boca de quem olhou mas não provou. Corta-nos os caminhos sem darmos conta e deixa-nos presos entre as urtigas de um presente cansado e gasto.

Se te falei do tempo não foi por mal...foi por te querer bem. foi apenas por te querer.

sábado, agosto 21, 2010

aqui.



Originally uploaded by SweyProgreso

de um jeito ou de outro vai se perdendo o controlo. lentamente vão-se deixando deslizar as rédeas por entre os dedos ao sabor leve de uma brisa com travo a exaustão.
o cansaço já passou... deixou-se ir entre as palavras gastas em serões virtuais. o corpo deixou-se deslizar contra a parede que o acompanha até encontrar o chão.
Estendido. As coxas despidas já não reconhecem o frio e as rédeas desse monstro chamado sentimento descansam a seu lado. Já não há nada aqui que responda ao som da minha voz.


aqui: cheira a morte.
e tu continuas à minha procura lá fora.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Geduld...




Foi quando lhe lembraram que ás vezes é preciso parar para respirar que descansou. olhou.








foto de: www.neon.de

quarta-feira, agosto 18, 2010

grey...


about Animals : Fishmarket
Originally uploaded by 1mile to go







e sempre nos vamos deixando ficar nesse espaço híbrido da cor cinzenta.

quinta-feira, julho 29, 2010

fire walk with me*


Rindö.
Originally uploaded by Sandra Beijer

mais uma volta entre a lua e as estrelas. Vem brincar com as palavras como quem atira mais uma bola à parede num ângulo perfeito. As palavras sempre voltam do jeito que as queremos neste jogo atrevido que vamos jogando...


recheadas de sentidos.

envolvidas em imagens aparentemente difusas.

atiras a bola à parede com força mais uma vez. pode ser que esta seja a última .


* Twin Peaks

segunda-feira, julho 26, 2010

Vício delicioso

E gozamos assim....

esta vontade de apagar as luzes á volta, sentir o vento no corpo despido...

e dançar.



quinta-feira, julho 22, 2010

Streuung...


cannes
Originally uploaded by Sandra Beijer





Denn zu jeder Zeit ist nur weniges gesagt worden, nur weniges sagbar,

und das Vergessen regiert.





Petra Gehring in Michel Foucault, Geometrie des Verfahrens

segunda-feira, julho 19, 2010

com muito gosto...



Originally uploaded by Sabino .





... vou rasgando pedaços de pele para ter o prazer de conhecer o podre que com muito esforço foste tentando esconder.

quinta-feira, julho 15, 2010

The devil



Originally uploaded by sasha nikitin


the devil came in last night to take away my peace of mind. Grabbed my hand and pulled me out of bed. Ripped out my thougts and manners and laid next to me on the cold floor.

the devil came in last night and took me for a ride.

i wonder where he's taking me...

domingo, julho 11, 2010

Conta-me.



Originally uploaded by sasha nikitin

Conta-me... quantos foram esses rostos que colaste nesse papel amarelado com a fotografia de um corpo anónimo, que nomes lhes deste e que coisas faziam.

sábado, julho 10, 2010

fury in your head


São fragmentos de fragmentos.

Pedaços de um original que há muito deixou de existir.

e só porque gostamos de viver nessa ilusão de unidade... ignoramos.

incessantemente.

domingo, julho 04, 2010

she hit pause


pausa.

pausa para respirar. para parar. para disfrutar.
pausa para pensar. para não pensar. para recordar e apagar.
pausa para ver, cheirar, sentir e sonhar.
pausa para falar consigo mesma. para perguntar, gozar, criticar e elogiar.
pausa para olhar-se nos olhos e não perder o controlo.

pausa para recomeçar.


she will then hit play.

segunda-feira, junho 28, 2010

woman like a man


You wanna get boned
You wanna get stoned
You wanna get a room like no one else
You wanna be rich
You wanna be kitsch
You wanna be the bastard of yourself
You wanna get burned
You wanna get turned
You wanna get fucked inside out
You wanna be ruled
You wanna be fooled



i do.



Damien Rice, Woman like a man

sexta-feira, junho 18, 2010

enquanto um de nós estiver vivo...

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:

o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs

e eu. depois, a minha irmã mais velha

casou-se. depois, a minha irmã mais nova

casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,

na hora de pôr a mesa, somos cinco,

menos a minha irmã mais velha que está

na casa dela, menos a minha irmã mais

nova que está na casa dela, menos o meu

pai, menos a minha mãe viuva. cada um

deles é um lugar vazio nesta mesa onde

como sozinho. mas irão estar sempre aqui.

na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.

enquanto um de nós estiver vivo, seremos

sempre cinco.

José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas

domingo, junho 13, 2010





gozar a liberdade de lutar contra a gravidade...



.... e voar.



foto: http://www.flickr.com/photos/laurynh/4461806408/

sábado, junho 05, 2010

tarde de verão


vamos falar de coisas que entendemos pessoas que conhecemos lugares que um dia visitámos. se o tempo o permitir, estendemos a manta e deitamo-nos sobre ela. de barriga para cima com as mãos a apoiar a nuca. deixamo-nos ficar assim: abandonamos o corpo na terra e deixamos os sonhos voar na direcção dos olhos.
e acendemos um cigarro. dois. vamos largando o fumo dos pulmões num momento de liberdade irónica que tanto nos aprisiona como satisfaz. deixa-nos trautear canções que um dia significaram tanto para nós e hoje se recusam a ser uma memória clara desse passado tão familiar.

é verdade... não há nada que dure para sempre. Não como nos filmes. ambos sabemos disso. sabemos. mas deixamo-nos sonhar na mesma.

sábado, maio 29, 2010

Anti-Enunciação


.
Originally uploaded by goldfieldsfoxes

Chamaram-na pelo nome por falta de outros elementos identificativos.

Ela ouviu.






Mas não respondeu.