terça-feira, junho 30, 2009

Schaukeln


Perdi o jeito. E o caminho... fui deixando que se cobrisse com ervas daninhas.

Descuido.

Não encontro o sinal azul luminoso. Ou pelo menos não o vejo daqui.

domingo, junho 28, 2009

A girl mad as birds








Ela morria tantas vezes
em tiroteios à porta de casa
que já não sabia morrer para sempre
assim
de uma vez só.

sábado, junho 27, 2009

terça-feira, junho 23, 2009

Do outro lado do espelho



Originally uploaded by Hillary the mammal.

Ela nunca conseguiu tirar os olhos daquela mulher, a que a olhava fixamente do lado real do espelho. Esqueceu-se de responder à voz que a chamou de longe naquele mundo secundário do outro lado do espelho. Talvez tenha sido por orgulho. Talvez tenha por ideologia.

Quando ela - a que vivia do lado real do espelho - partiu o espelho, ela estava ali para o sentir: como quem vê um terramoto na televisão sem puder fazer nada para o impedir.

Finalmente virou-se e resolveu escutar a dita voz que gritava já quase sem força o seu nome. Seguiu-a... num passo cansado e inseguro. O caminho era escuro e era a luz do mundo real que agora se deixava inadvertidamente reflectir no seu olhar.

Nunca chegou a conhecer a mulher que vivia do lado real do espelho nem sequer o homem que um dia o segurou. Mas deu o nome de carinho ao sentimento que deixou no instante em que o espelho rachou. Reconheceu a insignificância da sua presença nesse mundo surreal e apreciou o valor do caminho escuro que tinha pela frente. Escuro com leves traços de luz guardados do mundo real.

quarta-feira, junho 17, 2009

O jardim


É preciso deixar os pensamentos amadurecer na terra, cuidar-lhes as raízes, regá-los com ideias, podar-lhes os exageros, falar-lhes de outros mundos, outras cores e outros olhos.... e esperar. E enquanto se espera ficar a olhar como crescem a cada raio de sol e como se escondem por vezes se a lua teima em não aparecer.
Porque eles são filhos do momento, paridos entre cigarros e copos de vinho numa conversa de amigos ou até na solidão de quatro paredes. E se brotam permaturamente revelam os espinhos que deviam ter deixado debaixo da terra que abandonaram sem querer.

São as cicatrizes que guardo numa mistura de amor e de ódio que alimentam o meu gozo da espera, um jogo de paciências, de dúvidas e incertezas....

try to draw it first



Originally uploaded by heylookitsellie

grab a pencil and a piece of paper. Try to draw the line from here to there. Make it sunny. Sometimes rainy. Don't decide yet the places you will go, nor the people you will me. You'll inevitably find out later.

Pack your bag: the favourite song, the best moments and the most painful ones. Put in there everything you learned and all the things you gave.

Close the door and make sure you forgot the piece of paper you draw inside. I guess you won't need it when once you left.

segunda-feira, junho 15, 2009

circle inside the circle


How will i know if it's real or not real, if the whole world is spinning inside my head?

domingo, junho 14, 2009

O espelho


i like the way you say my name
Originally uploaded by Olivia Bee

Foi através do espelho que ela a viu pela primeira vez.
A verdade é que ela nunca chegou a vê-la de facto.
Conhece apenas o seu reflexo: a forma como se mexe com uma certa indiferença pelo meio da multidão e a atenção que desperta naqueles por quem passa. Aprendeu os truques do seu jeito de falar, o tom baixo e a perspicácia na escolha das palavras. Familiarizou-se com as suas variações de humor e compactuou com elas. Absorveu a sua imagem na esperança de não ter de a ver novamente no começo de um novo dia.

Para ela - aquela que deixa a sua imagem reflectir repetidamente no espelho - resta apenas a esperança de um dia a ver desviar o olhar do espelho por um segundo para conhecer aquele que sempre o segurou.

quinta-feira, junho 11, 2009

Aqui. No meio.



Originally uploaded by Olivia Bee

Não te preocupes comigo se não me vires ao fim do dia a descer os trilhos até ti. E se não te ligo durante o dia não quero que penses que é por desprezo... estou a coleccionar palavras que mais tarde te quero oferecer.

Não me procures agora.

Gostava de ficar aqui por mais uns segundos: sentada no meio dos trilhos que construímos neste bosque que tem o nosso nome (pelo menos para nós).

Um dia vou acabar o esboço do trilho que pretendo abrir entre aquilo que é teu e tudo o que um dia foi nosso.

Não te preocupes em esperar por mim...

segunda-feira, junho 08, 2009

These days


I've been out walking
I don't do too much talking
These days, these days.
These days I seem to think a lot
About the things that I forgot to do
And all the times I had the chance to.
I've stopped my rambling,
I don't do too much gambling
These days, these days.
These days I seem to think about
How all the changes came about my ways
And I wonder if I'll see another highway.
I had a lover,
I don't think I'll risk another
These days, these days.
And if I seem to be afraid
To live the life that I have made in song
It's just that I've been losing so long.
I've stopped my dreaming,
I won't do too much scheming
These days, these days.
These days I sit on corner stones
And count the time in quarter tones to ten.
Please don't confront me with my failures,
I had not forgotten them.
Nico, These Days

sexta-feira, junho 05, 2009

From above





send me your address under the sea.
I will send you a postcard from the places i've been visiting.







Pick it up later on the mailbox but don't bother to read it.

quarta-feira, junho 03, 2009

playground: Dream


Houve quem lhe falasse da lua e das estrelas. Quem lhe contasse a história de cada uma delas numa noite de lua cheia. Ouviu dizer que os amantes escolhem essas noites para traduzir em palavras as incoerências do coração. Pudesse ela decifrar através do brilho das estrelas os códigos do coração. Nunca lhe ensinaram essa língua desconhecida.

Agarra-se ao cigarro e ao café com as duas mãos para sentir o calor finito nesse fim de tarde invernil. As palavras aquecem-lhe a alma mas o corpo permanece estático e frio.
Vai coleccionando as palavras que lhe brotam do coração como flores da primavera para as oferecer ao estranho que se sentar ao seu lado. O estranho do cigarro, do café e das palavras aleatórias oferecidas ao desbarato. Acende mais um cigarro e gostava de lhe contar a estória que lhe contaram há dias: essa estória sobre a lua e as estrelas e os amantes das palavras.

Porque é assim que as estórias se fazem... na espera de um banco de jardim, entre bafos de tabaco e travos de café, aos ouvidos de um desconhecido...

...e se estiver bem-disposta ainda lhe acrescento mais umas estrelas.

segunda-feira, junho 01, 2009

Quem disse?



A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura...
Ora amarga! Ora doce!
Pra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura...



letra: Ouvi dizer, Ornatos Violeta
foto: http://www.fotolog.com/beat_z/45430724

domingo, maio 24, 2009

Uma certa inclinação para o mal


Conto as pisaduras que deixaste.
Aquelas que deixaste na alma e não no corpo. Querias a todo custo deixar a tua marca no chão que te deram a pisar. Fui eu que te dei, fui eu que deixei não por amor mas por vontade.

Colecciono memórias de pisaduras como outros coleccionam selos: na esperança de um dia conseguir completar a caderneta e fechar o livro.

quinta-feira, maio 14, 2009

Fico por aqui



Originally uploaded by hui+

É tão bom entrar aqui.


Daqui de onde nunca se sai.


E ficar.



Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, maio 11, 2009

Letter to Alice





If I could see the world through the looking glass...

your silence would be screaming my name and I wouldn't be scared to be alone anymore.

segunda-feira, maio 04, 2009

jump?


ONCE you asked me: "Will it hurt, if i jump?"
i let my silence claim the lie. i didn't want to see you walk away without trying.
i always knew it hurts on the first time.

NOW i don't remember if you jumped. I got distracted by the birds flying by.

"Does it hurt?"







foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/polioandearlgrey/2720970000/

The olive Theory


You like olives.
I don't...




How will we make it work?

quarta-feira, abril 29, 2009

o passo tira-teimas


Distraio-me a contar os passos que me separam dos outros. Não é a primeira vez. Já os contei mais de um milhão de vezes: conheço cada um deles como cada linha da palma da minha mão; sei dizer onde começam e quando acabam.
Conto para passar o tempo.
Conto para não pensar.
Conto incessantemente para reconhecer (até de olhos fechados) a casa numérica que delimita o abismo. Sei contar para além daquilo que devo e vou contando para testar a minha força. A minha contra a tua. Ou contra a tua. Uma vez um passo a mais á esquerda. Outra vez um passo a mais atrás.
É nesta brincadeira de números que ouso invadir o teu espaço.
Ouso. Mas não invado. Deixamo-nos ficar no mundo abstracto das insinuações. Não tenho vontade de marcar a minha pegada nesse terreno teu que me é tão próximo como desconhecido. Desenhamos linhas simétricas marcadas pela mesma distância que separa o corpo do espelho.
Somos reflexos. Cada um desempenhando o seu papel.
Os reflexos não foram criados para serem tocados, mas sim para gozarem serem observados. Se alguma vez toquei o reflexo que representas... guardo cá dentro a vergonha deliciosa de o ter feito e o desejo de não voltar a sentir o mesmo toque dessa nossa estranheza familiar.
1, 2, 3...... conta comigo.
Conta para passar o tempo.
Conta para me distrair.



foto extraída: http://www.flickr.com/photos/tasou/3247730542/

sábado, abril 25, 2009

Vês tanto vermelho como eu?

Se não fossem as noites, seriam os dias. E se não for a transparência, será talvez a incerteza. Os olhos nunca irão absorver todas as imagens, todos os sentidos e significados daquilo que os rodeia. E se não forem as condições externas, será talvez a cor deles mesmo que determina as formas e a clareza da visão.

Este vermelho é só meu. De que cor é o teu?