sábado, março 28, 2009

É assim e pouco mais


"Perco demasiado tempo a pensar em fugir e demasiado tempo a desfazer esses pensamentos." E o pouco tempo que me sobra nos entrantos é cansaço evidente.


Entre o fugir e o pensar.... para tudo o resto é tarde demais.






citação de Pedro Paixão, Ele, em A noiva judia

quinta-feira, março 26, 2009

tidy tidy mistakes



Se tu soubesses meu amor o gozo que guardo por ter errado tanto na tarefa de te amar....

segunda-feira, março 23, 2009

dois riscos e bolas de sabão



Abre a janela e deixa o sol entrar.
Marco a caneta nos lençois usados da cama as linhas que separam a luz da sombra.
Deixa-me deitar-me contigo entre elas.
É a luz do sol que conta as histórias que acontecem lá fora: são romances, são tragédias.
Não vamos mexer-nos agora.
O teu cabelo cheira a casa e o meu coração sofre de nostalgia aguda.
Embrulhas as palavras em bolas de sabão e sopra-las gentilmente junto do meu ouvido
... gosto da tua forma de falar.

Ás vezes os sentimentos são assim: cheiram a casa e ouvem palavras de sabão.
E se o sol não fosse esse menino traiçoeiro que ora vem, ora vai.... eu ficaria por aqui contigo.




[ao som de Kymia Dawson, Nothing came out]
foto (surrateiramente) tirada do blog: www.meninadosolhosdeagua.blogspot.com]

domingo, março 22, 2009

this is the thing....
















I don't mind waiting.

I don't mind if sometimes your pillow is empty next to mine.

I don't mind if once in a while I only meet you in my dreams.



I enjoy watching you leave every time little pieces of you with me.





I collect them all... one day, I'll build a castle out of you.

to talk



I wish.....


Life could be so simple as the summer sky. Cloudless. Blue.

quinta-feira, março 19, 2009


Podiam ter sido palavras mas foram apenas passos que ficaram entre o dizer e o entender. Conheço o terreno híbrido que sempre cultivamos entre os nossos dois mundos. Entre o dizer e o fazer. Entre o fazer e o ver. Perdemos sempre o conteúdo na jornada. Sempre andei quilómetros para chegar ao teu lado da cama e guardo agora com carinho o sabor amargo da derrota e do cansaço.

Por perder aprendi a voar. Na tentativa de chegar mais depressa ao destino que progressivamente se foi tornando mais longíquo e inatingível, julgo ter-me distraído com os detalhes do caminho.

Se calhar ficaste á minha espera do outro lado. Mas eu gosto da textura deste lado do mundo e vou-me deixar ficar por aqui.

cobardia.....



Não me venhas falar em sonhos.

quarta-feira, março 11, 2009

Permanence

So this is permanence, love's shattered pride.
What once was innocence, turned on its side.
A cloud hangs over me, marks every move,
Deep in the memory, of what once was love.

Oh how I realised how I wanted time,
Put into perspective, tried so hard to find,
Just for one moment, thought I'd found my way.
Destiny unfolded, I watched it slip away.

Excessive flashpoints, beyond all reach,
Solitary demands for all I'd like to keep.
Let's take a ride out, see what we can find,
A valueless collection of hopes and past desires.

I never realised the lengths I'd have to go,
All the darkest corners of a sense I didn't know.
Just for one moment, I heard somebody call,
Looked beyond the day in hand, there's nothing there at all.

Now that I've realised how it's all gone wrong,
Gottas find some therapy, this treatment takes too long.
Deep in the heart of where sympathy held sway,
Gotta find my destiny, before it gets too late.



Twenty-four hours, Joy Division

segunda-feira, março 09, 2009

Who's there?





I guess it it was to much to ask you to knock before coming in. You usually don't use the door to conquer the place next to me inside my bed.


My mistake.





listening: Janis Joplin, a woman left lonely
foto : http://olhares.aeiou.pt/visions_from_a_dying_brain_foto2172364.html

sexta-feira, março 06, 2009

tu estás lá fora....

Agora que pousas a cabeça
na almofada e respiras satisfeito
quero o teu amor sem sentido nem proveito

Agora que repousas
lentamente sigo a curva do teu peito
procuro o segredo do teu cheiro

Juntos fomos correndo lado a lado
Juntos fomos sofrendo ter amado
Amas a vida
e eu amo-te a ti

Conta-me histórias daquilo que eu não vi...

Logo acordas
e pedes-me um cigarro que eu não fumo
sonho planos do futuro

Logo juntas a tua roupa
e dizes que a vida está lá fora
passou a minha hora...

Juntos fomos correndo lado a lado
Juntos fomos sofrendo ter amado
Amas a vida
e eu amo-te a ti


quarta-feira, março 04, 2009

writing novels with my life



There is always a story within another story. And the footsteps each one of us marks in the blank sheet of those who cross our way is a piece of the story we write. It is an arbitrary one. The story. My story. Your story.

You will never know what you write until you read it.











foto: http://olhares.aeiou.pt/o_suave_acordar_da_manhas___ana_franco_foto1981916.html

segunda-feira, março 02, 2009

who?




Das war die Frau mit ihren plötzlichen Ängsten, ihren grundlosen Launen, ihren unwillkürlichen Verwirrungen, ihren unmotivierten Kühnheiten, ihren Wagnissen und ihrer reizenden Zartheit der Gefühle.





Honoré de Balzac, Sarrasine

domingo, março 01, 2009

und jetzt?





Ich kannte den Text nicht und musste auf die Bühne.



Emine Sevgi Özdamar, Die Brücke vom Goldenen Horn












foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/crackjacksonjr/3212820547/

sábado, fevereiro 28, 2009

Would you make this sound for me?


O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.




letra de Jorge Palma
foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/slutty_pimp/2851061761/

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

tree house



Sometimes I wish I had a tree house somewhere...



where I could always hide and feel safe.









foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/imable/

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Megafone da razão


Fossem lágrimas e não rosas aquilo que deixaste cair no chão. Sempre especulei acerca da sinceridade das tuas palavras. Sempre duvidei da autenticidade da tua calma constante.Trazias sempre contigo o megafone da razão que fazias questão de encostar ao meu coração. Ele sentia-se pequenino. Escondia-se para não se deixar magoar. Será que alguma vez soubeste o quanto me atordoava o grito da tua razão?
Procurei as lágrimas no teu jardim e encontrei o caminho da tua dor como forma de mostrar ao meu coraçao rejeitado que em alguma forma também o teu gritava. O coração tem formas estranhas de buscar empatias.
Não foi por mal que te matei. Devo ter exagerado na dose. Não me arrependo.
No entanto, foram rosas que encontrei no ultimo chão que pisaste. Rosas e não lágrimas.






foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/convite_dia_23_marta_ferreira_wwwmgrafiacom_foto2483695.html

Maybe not....


We all do what we can
So we can do just one more thing
We can all be free
Maybe not in words
Maybe not with a look
But with your mind

Listen to me, don’t walk that street
There’s always an end to it
Come and be free, you know who I am
We’re just living people

We won’t have a thing
So we’ve got nothing to lose
We can all be free
Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind

You’ve got to choose a wish or command
At the turn of the tide, is withering thee
Remember one thing, the dream you can see
Pray to be, shake this land

We all do what we can
So we can do just one more thing
We won’t have a thing
So we’ve got nothing to lose



Cat Power, Maybe not


foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/foto796964.html

domingo, fevereiro 22, 2009

Now!







Don't just stand there starring......




Fix me.





foto: http://www.flickr.com/photos/slutty_pimp/2448533644/

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

suicídio de uma femme fatale

Ensaias sem pudor em frente ao espelho o papel que te cabe esta noite. Despida de roupas e adereços admiras os contornos de um corpo reflectido e distante que se sente tão teu. Acendes o primeiro cigarro desde que o sol se pôs para lá das cortinas entrabertas que separam o teu mundo do mundo dos outros. O relógio na parede mostra as nove da noite. A arma está preparada, agora estirada no divâ, despida. Observas-te a fumar. Gostas do que vês e não queres parar. Acendes mais um cigarro. Mais uns minutos de prazer narcisista. Lá fora já se ouvem os primeiros rumores de uma noite optimista que contará outras histórias ao sol da manhã seguinte.
Tu. Agora vestida, engoles o último travo de champanhe antes de sair. Escondes a arma no mais íntimo de ti. Um último olhar ao espelho sedutor. Fechas a porta. Cheira a carne lá fora e as tuas mãos controlam por entre os tecidos que te envolvem a tua fonte pessoal de destruição. Sais para a rua.
Tens desejos de matar que te invadem a espinha de quando em vez. Desejos de matar a alma e não o corpo. Apontas a tua arma directamente ao sexo oposto. Conheces bem o teu alvo e as suas fraquezas, as suas vontades. Conheces. Amas com a mesma brutalidade com que matas. Brincas. Consomes as últimas gotas humanas que ejaculam em público e arrastas o seu corpo morto, sedento de volta á tua toca.
Já deitada. De novo despida coberta por um odor de cansaço e luxúria voltas a acender um cigarro. Olhas aquela que te olha do outro lado do espelho e não encontras a mesma personagem que te cativou quando o relógio mostrou as nove. O sol ameaça invadir o teu território e a peça que representaste está perto do fim. Do outro lado da cama: um cadáver de alma dorme tranquilamente. Ainda não sabe que morreu.
De volta a ti. Fechas os teus braços em volta de um ventre que resolveu acordar para te atormentar. Pensas que é assim que te salvas: por cada alma que absorves mais uma carta virada no jogo virulento do amor. Voltaste a ganhar.
Exausta, deixaste cair sob a cama ainda molhada de suor. Não tiveste tempo de te aperceber que mais uma vez a carta virada se afogou na alma sem vida que dorme ao teu lado. O sol entrou e foi só ele quem viu as lágrimas que escorriam no reflexo envergonhado que deixaste colado no espelho.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Saudade

Fico cá fora à espera que adormeças. Não quero que amanhã te lembres que violei o teu sono pelo prazer da palma da tua mão.

As lágrimas que correm são por ti mas não te pertencem mais.

Dá-me a tua mão.
Não.
Não te quero tirar do porto seguro que escolheste. Só quero que me a emprestes por uns minutos. Dorme sossegado amanhã quando acordares reconheces tudo aquilo que te rodeia.

Já não preciso de ti... só da tua mão. Pouso-a de leve sob as minhas costas despidas e disfruto a memória de um prazer que me custa esquecer.






foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/st_miguel_peres_foto2497672.html