segunda-feira, agosto 25, 2008

o equilíbrio das coisas


O teu mundo não cabe só na palma da tua mão....





deixa-o conhecer outros toques, outras texturas









O equilíbrio do teu mundo não depende só de ti......

quarta-feira, agosto 06, 2008

quarta-feira, julho 30, 2008

shortbus



You are so far behind............................. that you think you're first.











imagem extraída de: http://olhares.aeiou.pt/fora_do_mundo_proximo/foto1967423.html

terça-feira, julho 15, 2008

Für dich


Das Glas, aus dem du nie getrunken hast
Der Küchenschrott, den kein Mensch braucht
Und das Plastikobst,
Von dem du dich optisch ernährst
Das alles kommt mit
Und du auch
Das Klavier, auf dem du nicht spielen kannst
Der Abwasch, den du immer verschiebst
Und die Schokolade,
Die du in Krankenhausmengen verbrauchst
Das alles kommt mit
Und ich auch

Ich will deine Hand, ich will deinen Mund
Ich will deinen Kopf, ich will deine Zunge
Ich will deine Haare, ich will deine Haut
Und den ganzen Unsinn
Will ich auch

Die Hoffnungen, die du verlohren hast
Der Zorn, der nie richtig verraucht
Und die verschusselten Träume,
Von denen am Morgen nichts bleibt
Das alles kommt mit
Das brauchen wir auch

Ich will deine Hand, ich will deinen Mund
Ich will deinen Kopf, ich will deine Zunge
Ich will deine Haare, ich will deine Haut
Und den ganzen Kummer
Will ich auch

Die Fehler, die du nicht mehr ändern kannst
Die Worte, die du bereust
Und die Nächte,
In denen du nicht wußtest, wohin mit dir
Die nehmen wir nicht mit
Die lassen wir hier

domingo, julho 13, 2008

coffee & cigarettes - Part V


Dizes isso assim...
como se fosse a coisa mais fácil do mundo: acordar de manhã e ser feliz. Apenas porque sim. Desligar do mundo e dos outros. Simplesmente porque é o melhor.

Tenho que te dizer que não.
O mundo não funciona por controlo remoto e os outros fazem parte da história, sendo todos eles personagens principais do enredo.


Há dias como hoje em que o facto de acordares já depende de outrém e todos os outros brincam com o teu espírito como se ele fosse a bola no meio do campo. E tu não te podes queixar.
Não tens sequer o tempo necessário para o fazer... e mesmo que o tivesses, não farias porque dentro de ti saberias automaticamente que nada do que digas ou penses vai alterar as regras do jogo.
Limitas-te a deixar-te jogar.

E quando o jogo terminar.... deitas a cabeça na almofada e adormeces. Amanhã é outro dia e podes ser tu a dar o pontapé de saída.

quinta-feira, julho 03, 2008

Uma linha de giz à minha volta


Desenha à tua volta com um pedaço de giz esse quadrado imaginário que limita a tua área de existência. Este espaço que ocupas nunca deixará de ser teu...nem hoje, nem amanhã, nem nunca. Com o passar do tempo a linha vai ficando mais ténue e vais ter de ir retocando para que se veja. Sem te dares conta de isso, de retoque em retoque, a tua linha vai ganhando novos tamanhos e novas formas... ás vezes maior ou mais pequena, mais ou menos geométrica.
A tua linha de giz é tão intimamente tua como os pensamentos que te ocupam numa noite de verão. É aquela que marca o teu lugar no mundo, é que a que delimita onde começas e onde acabas.

Danço. E à medida que danço deixo remodelar-se a linha que eu também desenhei em volta do meu pensamento. E num passo de magia sinto o leve toque do momento em que as nossas linhas brevemente se cruzaram.

As linhas não são fronteiras. Posso invadir a tua?

quinta-feira, junho 26, 2008

Na ponta dos dedos




Sinto na ponta dos meus dedos a distância que existe entre nós. Sinto-a e desfruto-a. Essa distância que é tao nossa e tao familiar.

A nossa distância nunca foi maior nem menor do que aquilo que conhecemos hoje. Daquilo que é nosso hoje e será o mesmo amanha.

terça-feira, junho 24, 2008

A Ponte


A ponte que nos une nao é feita de cimento nem de pedras. Ela nao existe para juntar dois pontos geográficos separados por um rio, uma falésia. A ponte que nos une nao tem nenhum objectivo. A ponte que nos une - tanto como nos separa! - nao envelhece com o tempo, nao se torna frágil nem débil.
Nao há carros que passam por cima da nossa ponte. Nao há carros, nao há pessoas e o único movimento que se sente é a brisa do vento que empurra para lá e para cá as palavras que nos temos a dizer.

A nossa ponte está vazia e cheia ao mesmo tempo. Vazia de gentes e coisas, cheia de mim, de ti. Cheia dos sentimentos invisíveis que vamos trocando quase instintivamente um com o outro. Praticamente nem damos conta da velocidade com que os nossos sentimentos voam de um lado ao outro preenchendo um pouco mais cada um de nós, fazendo o tempo parecer mais curto, mais rápido.



Gostava de me puder encontrar contigo agora mesmo no meio da ponte onde o vento sopra mansinho...

domingo, junho 15, 2008

The heart is a lonely hunter






"Go out and find an octopus and put socks on it."











foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/your_picture/foto498023.html
texto de: Carson McCullers, The heart is a lonely hunter

terça-feira, junho 10, 2008

How long is now?



Agora somos tudo aquilo que queremos ou não queremos ser.

Agora rimos ou choramos.
Agora falamos, discutimos, calamos.
Agora andamos, corremos.
Agora paramos.
Agora desejamos que tudo seja diferente.
Agora apoiamos a monotonia.
Agora somos brancos, negros ou coloridos.
Agora somos transparentes.
Agora sonhamos com um mundo melhor.
Agora lutamos.
Agora sentamos em silêncio.
Agora cantamos de alegria.

Agora é agora. Por agora é tudo. E pode ser para sempre.

Tacheles Haus in Berlin

domingo, junho 01, 2008

Some things


Dois olhares quando se cruzam falam entre si. E aquilo que se vão dizendo é um segredo bem guardado pelos dois. Ninguém sabe o que vão dizendo um ao outro. Ninguém sabe as histórias que se vão contando um ao outro nos segundos que se escondem entre o encontro e o desencontro. Os olhares têm uma linguagem própria que chega a ser tão secreta até mesmo para aquele que os possui.


Dois olhares, quando se cruzam, são como o relâmpago que antecede o trovão.



Ambos conhecem a brevidade do momento. E gozam-no.







foto: http://olhares.aeiou.pt/galerias/detalhe_foto.php?origem=7&id=301085

quinta-feira, maio 29, 2008

Devil's lover

René Magritte, The Lovers


Nada. Nada disto que vês e ouves é uma representacao verdadeira da realidade que vivemos. Murmurou entre um suspiro e outro. O que é num instante o mundo, nao é o mundo para sempre e por isso fecha os olhos e espera. Eu aviso-te quando puderes abrir.

terça-feira, maio 27, 2008

Perdi....

Hoje perdi o comboio da inspirição. As palavras foram embora com ele e eu fiquei aqui, sentada no cais vazio do pensamento com malas e bagagens. Tentei correr...mas é preciso aprender a lutar novamente. O corpo acomoda-se ao espaço que ocupa e alma, como que por inerência, vai se sentindo confortável também.

Hoje perdi o comboio das palavras... e quase não me importei.



Estou a tentar reunir as forças necessárias para correr.... se for depressa ainda o apanho na próxima estação.

quarta-feira, maio 14, 2008

Cheiro a terra quando chove


O teu corpo tem...


um cheiro a terra quando chove que me encanta. E, tal como esse acontecimento natural, o teu corpo é tao esporádico na minha vida como as chuvas de verao.









Eu nao me importo. Nao me importo porque a vida é assim mesmo... cheia de chuvas com cheiro a terra, cheia de encontros e desencontros que ganham todo o seu valor pela efemeridade em que acontecem.






O cheiro do teu corpo guardo-o no meu coracao....até á proxima vez.

quarta-feira, maio 07, 2008

Solidão voluntária

Pousa a chave em cima da mesa e cala-te. Por fim...



Ontem apontei na agenda: pensar. Não tive tempo. Não tive espaço.

domingo, maio 04, 2008

Hoje não...

"Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não..."


Fernando Pessoa




P.S. Hoje o meu coração invadiu a minha cabeça, a minha pele, os meus pensamentos...e por isso hoje não posso fazer mais do que isto. E não mais. Hoje estou cansada de me partilhar comigo mesma.

sexta-feira, maio 02, 2008

Quando o silencio é o único que resta...



Nicht mal das Meer darf ich wiedersehen
wo der Wind deine Haare vermisst
wo jede Welle ein Seufzer
und jedes Sandkorn ein Blick von dir ist
Am liebsten wäre ich ein Astronaut
und flöge auf die Sterne wo gar nichts vertraut
und versaut ist durch eine Berührung von dir


Ich werde nie so rein und so dumm sein wie weißes Papier






Element of Crime, Weißes Papier
Foto extraída da página de Daniel Camacho no website Olhares.com

sexta-feira, abril 25, 2008

Porque hoje é dia Sim!


25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo



Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, abril 24, 2008

Thanks to Pi


The reason death sticks so closely to life isn't biological necessity - it's envy. Life is so beautiful that death has fallen in love with it, a jealous possessive love that grabs at what it can.

But life leaps over oblivion lightly, losing only a thing or two of no importance, and gloom is but the passing shadow of a cloud.

terça-feira, abril 08, 2008

Com os olhos virados para dentro

"Eu vejo."
Disse ela a brincar consigo mesma despida em frente ao espelho. No reflexo estava ela, por trás a cama desfeita e o armário cor de pinho que ela escolhera há uns meses atrás. No reflexo estava ela e tudo aquilo que lhe pertencia. "Tudo aquilo que lhe pertencia," ecoou-lhe no pensamento. E deixou-se ficar assim intermitente, esse eco que confirmava a posse e lhe dava sossego. A porta estava fechada e ela continuava em frente ao espelho. Pouco se mexia, pouco se mudava.
Nessa inércia o tempo custava a passar, como se lá fora tudo seguisse o seu rumo mas as paredes impedissem o tempo de invadir este quarto sagrado, esta pessoa divina. Mas nem o tempo tinha para ela demasiada importância, aliás, nem sequer tinha reparado que o ponteiro passou de uma hora a outra e a outra. Se o relógio parasse ela nem se importaria, não é que não reparasse, mas não teria qualquer significado.
Ao fim de umas horas - não sei precisar quantas - vestiu-se. Pôs a roupa que mais a favorecia, olhou-se mais uma vez no espelho. No reflexo...ela, a cama desfeita e armário. Nada mudou, só os adereços que também a ela lhe pertenciam, que também eles eram de certa forma pedaços dela e da sua história.
Abriu a porta e saiu.
Lá fora as pessoas movimentavam-se de um lado para outro com pressa ou mesmo sem ela, tinham objectivos, destinos e outros que as esperavam. O barulho do vento empurrava o tempo de cada e com ele os destinos mudavam-se, adaptavam-se. As vozes entoavam nos becos e os ecos que se ouviam não lhe pertenciam. Começou a sentir o seu coração a bater mais depressa. As vozes não lhe pertenciam, os movimentos também não. E os destinos? Esses tão pouco eram os seus. As coisas mudavam de lugar sem o seu comando e o relógio gigante do tempo girava freneticamente sem parar. E ela sentia-o. Sentia-o com tanta força a influenciar as batidas do seu coração e o seu caminhar. Os seus passos agitados substituiram os pés imóveis que estavam antes parados em frente ao espelho e deu por si a caminhar de olhos fechados e a visualizar o seu quarto onde tudo era como ela queria, onde as coisas só mudavam porque ela assim o desejava.
Gritava dentro da sua alma "eu vejo, eu vejo, eu vejo". E de cada vez que o seu pensamento repetia, imaginava com mais força o espelho com o reflexo do seu corpo, da cama, do armário e o relógio parado.
Entrou e fechou a porta atrás de si.
"Eu vejo." Disse ela. Sem nunca se aperceber que tudo aquilo que quis ver não foi mais do que uma imagem de uma realidade imaginável e criada. Tirou a roupa e atirou-a a um canto. Mais uma vez em frente ao espelho. Ela e o reflexo do seu mundo.
O tempo parou de facto.