quinta-feira, junho 26, 2008

Na ponta dos dedos




Sinto na ponta dos meus dedos a distância que existe entre nós. Sinto-a e desfruto-a. Essa distância que é tao nossa e tao familiar.

A nossa distância nunca foi maior nem menor do que aquilo que conhecemos hoje. Daquilo que é nosso hoje e será o mesmo amanha.

terça-feira, junho 24, 2008

A Ponte


A ponte que nos une nao é feita de cimento nem de pedras. Ela nao existe para juntar dois pontos geográficos separados por um rio, uma falésia. A ponte que nos une nao tem nenhum objectivo. A ponte que nos une - tanto como nos separa! - nao envelhece com o tempo, nao se torna frágil nem débil.
Nao há carros que passam por cima da nossa ponte. Nao há carros, nao há pessoas e o único movimento que se sente é a brisa do vento que empurra para lá e para cá as palavras que nos temos a dizer.

A nossa ponte está vazia e cheia ao mesmo tempo. Vazia de gentes e coisas, cheia de mim, de ti. Cheia dos sentimentos invisíveis que vamos trocando quase instintivamente um com o outro. Praticamente nem damos conta da velocidade com que os nossos sentimentos voam de um lado ao outro preenchendo um pouco mais cada um de nós, fazendo o tempo parecer mais curto, mais rápido.



Gostava de me puder encontrar contigo agora mesmo no meio da ponte onde o vento sopra mansinho...

domingo, junho 15, 2008

The heart is a lonely hunter






"Go out and find an octopus and put socks on it."











foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/your_picture/foto498023.html
texto de: Carson McCullers, The heart is a lonely hunter

terça-feira, junho 10, 2008

How long is now?



Agora somos tudo aquilo que queremos ou não queremos ser.

Agora rimos ou choramos.
Agora falamos, discutimos, calamos.
Agora andamos, corremos.
Agora paramos.
Agora desejamos que tudo seja diferente.
Agora apoiamos a monotonia.
Agora somos brancos, negros ou coloridos.
Agora somos transparentes.
Agora sonhamos com um mundo melhor.
Agora lutamos.
Agora sentamos em silêncio.
Agora cantamos de alegria.

Agora é agora. Por agora é tudo. E pode ser para sempre.

Tacheles Haus in Berlin

domingo, junho 01, 2008

Some things


Dois olhares quando se cruzam falam entre si. E aquilo que se vão dizendo é um segredo bem guardado pelos dois. Ninguém sabe o que vão dizendo um ao outro. Ninguém sabe as histórias que se vão contando um ao outro nos segundos que se escondem entre o encontro e o desencontro. Os olhares têm uma linguagem própria que chega a ser tão secreta até mesmo para aquele que os possui.


Dois olhares, quando se cruzam, são como o relâmpago que antecede o trovão.



Ambos conhecem a brevidade do momento. E gozam-no.







foto: http://olhares.aeiou.pt/galerias/detalhe_foto.php?origem=7&id=301085

quinta-feira, maio 29, 2008

Devil's lover

René Magritte, The Lovers


Nada. Nada disto que vês e ouves é uma representacao verdadeira da realidade que vivemos. Murmurou entre um suspiro e outro. O que é num instante o mundo, nao é o mundo para sempre e por isso fecha os olhos e espera. Eu aviso-te quando puderes abrir.

terça-feira, maio 27, 2008

Perdi....

Hoje perdi o comboio da inspirição. As palavras foram embora com ele e eu fiquei aqui, sentada no cais vazio do pensamento com malas e bagagens. Tentei correr...mas é preciso aprender a lutar novamente. O corpo acomoda-se ao espaço que ocupa e alma, como que por inerência, vai se sentindo confortável também.

Hoje perdi o comboio das palavras... e quase não me importei.



Estou a tentar reunir as forças necessárias para correr.... se for depressa ainda o apanho na próxima estação.

quarta-feira, maio 14, 2008

Cheiro a terra quando chove


O teu corpo tem...


um cheiro a terra quando chove que me encanta. E, tal como esse acontecimento natural, o teu corpo é tao esporádico na minha vida como as chuvas de verao.









Eu nao me importo. Nao me importo porque a vida é assim mesmo... cheia de chuvas com cheiro a terra, cheia de encontros e desencontros que ganham todo o seu valor pela efemeridade em que acontecem.






O cheiro do teu corpo guardo-o no meu coracao....até á proxima vez.

quarta-feira, maio 07, 2008

Solidão voluntária

Pousa a chave em cima da mesa e cala-te. Por fim...



Ontem apontei na agenda: pensar. Não tive tempo. Não tive espaço.

domingo, maio 04, 2008

Hoje não...

"Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não..."


Fernando Pessoa




P.S. Hoje o meu coração invadiu a minha cabeça, a minha pele, os meus pensamentos...e por isso hoje não posso fazer mais do que isto. E não mais. Hoje estou cansada de me partilhar comigo mesma.

sexta-feira, maio 02, 2008

Quando o silencio é o único que resta...



Nicht mal das Meer darf ich wiedersehen
wo der Wind deine Haare vermisst
wo jede Welle ein Seufzer
und jedes Sandkorn ein Blick von dir ist
Am liebsten wäre ich ein Astronaut
und flöge auf die Sterne wo gar nichts vertraut
und versaut ist durch eine Berührung von dir


Ich werde nie so rein und so dumm sein wie weißes Papier






Element of Crime, Weißes Papier
Foto extraída da página de Daniel Camacho no website Olhares.com

sexta-feira, abril 25, 2008

Porque hoje é dia Sim!


25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo



Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, abril 24, 2008

Thanks to Pi


The reason death sticks so closely to life isn't biological necessity - it's envy. Life is so beautiful that death has fallen in love with it, a jealous possessive love that grabs at what it can.

But life leaps over oblivion lightly, losing only a thing or two of no importance, and gloom is but the passing shadow of a cloud.

terça-feira, abril 08, 2008

Com os olhos virados para dentro

"Eu vejo."
Disse ela a brincar consigo mesma despida em frente ao espelho. No reflexo estava ela, por trás a cama desfeita e o armário cor de pinho que ela escolhera há uns meses atrás. No reflexo estava ela e tudo aquilo que lhe pertencia. "Tudo aquilo que lhe pertencia," ecoou-lhe no pensamento. E deixou-se ficar assim intermitente, esse eco que confirmava a posse e lhe dava sossego. A porta estava fechada e ela continuava em frente ao espelho. Pouco se mexia, pouco se mudava.
Nessa inércia o tempo custava a passar, como se lá fora tudo seguisse o seu rumo mas as paredes impedissem o tempo de invadir este quarto sagrado, esta pessoa divina. Mas nem o tempo tinha para ela demasiada importância, aliás, nem sequer tinha reparado que o ponteiro passou de uma hora a outra e a outra. Se o relógio parasse ela nem se importaria, não é que não reparasse, mas não teria qualquer significado.
Ao fim de umas horas - não sei precisar quantas - vestiu-se. Pôs a roupa que mais a favorecia, olhou-se mais uma vez no espelho. No reflexo...ela, a cama desfeita e armário. Nada mudou, só os adereços que também a ela lhe pertenciam, que também eles eram de certa forma pedaços dela e da sua história.
Abriu a porta e saiu.
Lá fora as pessoas movimentavam-se de um lado para outro com pressa ou mesmo sem ela, tinham objectivos, destinos e outros que as esperavam. O barulho do vento empurrava o tempo de cada e com ele os destinos mudavam-se, adaptavam-se. As vozes entoavam nos becos e os ecos que se ouviam não lhe pertenciam. Começou a sentir o seu coração a bater mais depressa. As vozes não lhe pertenciam, os movimentos também não. E os destinos? Esses tão pouco eram os seus. As coisas mudavam de lugar sem o seu comando e o relógio gigante do tempo girava freneticamente sem parar. E ela sentia-o. Sentia-o com tanta força a influenciar as batidas do seu coração e o seu caminhar. Os seus passos agitados substituiram os pés imóveis que estavam antes parados em frente ao espelho e deu por si a caminhar de olhos fechados e a visualizar o seu quarto onde tudo era como ela queria, onde as coisas só mudavam porque ela assim o desejava.
Gritava dentro da sua alma "eu vejo, eu vejo, eu vejo". E de cada vez que o seu pensamento repetia, imaginava com mais força o espelho com o reflexo do seu corpo, da cama, do armário e o relógio parado.
Entrou e fechou a porta atrás de si.
"Eu vejo." Disse ela. Sem nunca se aperceber que tudo aquilo que quis ver não foi mais do que uma imagem de uma realidade imaginável e criada. Tirou a roupa e atirou-a a um canto. Mais uma vez em frente ao espelho. Ela e o reflexo do seu mundo.
O tempo parou de facto.

quarta-feira, março 19, 2008

sábado, março 15, 2008

no family...but....

Posted by Picasa


Are we there yet???? Não... o horizonte é inantingível, por isso é que é tão especial...

domingo, março 09, 2008

Mundo(s)

Ler é como andar de saltos altos dentro de casa. Como que fazer de conta que és quem não és... e gostar...

sexta-feira, março 07, 2008

Sinónimos

Nao será escolher simplesmente um sinónimo de abdicar? Escolher é a forma positiva que a linguagem humana criou para querer dizer o mesmo que abdicar de uma coisa para ficar com a outra. Nao se trata de o que é melhor ou pior..mas sim de uma decisao de um momento, um impulso, uma reaccao a qualquer factor externo que desperta algum tipo de sentimento ou sensacao.

Por escolhermos algo abdicamos sempre de outro...e abdicamos quase incoscientemente. Inconscientemente porque, por vezes, tarda um pouco até nos apercebermos realmente de que perdemos algo no momento da escolha.

Escolher é um eufemismo da vida.

terça-feira, março 04, 2008

Tonight


Looking out the door
I see the rain fall upon the funeral mourners
Parading in a wake of sad relations
As their shoes fill up with water
Maybe I'm too young
To keep good love from going wrong
But tonight, you're on my mind so
You never know
Broken down and hungry for your love
With no way to feed it
Where are you tonight?
Child, you know how much I need it.
Too young to hold on
And too old to just break free and run
Sometimes a man gets carried away,
When he feels like he should be having his fun
Much too blind to see the damage he's done
Sometimes a man must awake to find that, really,
He has no-one...
So I'll wait for you...
And I'll burn
Will I ever see your sweet return?
Oh, will I ever learn?
Oh, Lover, you should've come over
Cause it's not too late.
Lonely is the room the bed is made
The open window lets the rain in
Burning in the corner is the only one
Who dreams he had you with him
My body turns and yearns for a sleep
That won't ever comeIt's never over,
My kingdom for a kiss upon her shoulder
It's never over,all my riches for her smiles when I slept so soft against her...
It's never over, all my blood for the sweetness of her laughter...
It's never over, she's a tear that hangs inside my soul forever...
But maybe I'm just too young to keep good love
From going wrong
Oh... lover you should've come over...
Yes, and I feel too young to hold on
I'm much too old to break free and run
Too deaf, dumb, and blind
To see the damage I've done
Sweet lover, you should've come over
Oh, love, well I'll wait for you
Lover, you should've come over'
Cause it's not too late.

Hoje apeteceu-me ouvir esta música vezes sem conta. Por tua causa.

sábado, março 01, 2008

Sufoco



Há gente do outro lado. Nao os vejo nem os ouco. Mas há gente do outro lado.

Se encostar o ouvido quase consigo ouvir o barulho que fazem a pensar, os seus coracoes a bater.

Há gente do outro lado. Há gente do outro lado.


Porque é que nao deixam passar?