sexta-feira, abril 25, 2008

Porque hoje é dia Sim!


25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo



Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, abril 24, 2008

Thanks to Pi


The reason death sticks so closely to life isn't biological necessity - it's envy. Life is so beautiful that death has fallen in love with it, a jealous possessive love that grabs at what it can.

But life leaps over oblivion lightly, losing only a thing or two of no importance, and gloom is but the passing shadow of a cloud.

terça-feira, abril 08, 2008

Com os olhos virados para dentro

"Eu vejo."
Disse ela a brincar consigo mesma despida em frente ao espelho. No reflexo estava ela, por trás a cama desfeita e o armário cor de pinho que ela escolhera há uns meses atrás. No reflexo estava ela e tudo aquilo que lhe pertencia. "Tudo aquilo que lhe pertencia," ecoou-lhe no pensamento. E deixou-se ficar assim intermitente, esse eco que confirmava a posse e lhe dava sossego. A porta estava fechada e ela continuava em frente ao espelho. Pouco se mexia, pouco se mudava.
Nessa inércia o tempo custava a passar, como se lá fora tudo seguisse o seu rumo mas as paredes impedissem o tempo de invadir este quarto sagrado, esta pessoa divina. Mas nem o tempo tinha para ela demasiada importância, aliás, nem sequer tinha reparado que o ponteiro passou de uma hora a outra e a outra. Se o relógio parasse ela nem se importaria, não é que não reparasse, mas não teria qualquer significado.
Ao fim de umas horas - não sei precisar quantas - vestiu-se. Pôs a roupa que mais a favorecia, olhou-se mais uma vez no espelho. No reflexo...ela, a cama desfeita e armário. Nada mudou, só os adereços que também a ela lhe pertenciam, que também eles eram de certa forma pedaços dela e da sua história.
Abriu a porta e saiu.
Lá fora as pessoas movimentavam-se de um lado para outro com pressa ou mesmo sem ela, tinham objectivos, destinos e outros que as esperavam. O barulho do vento empurrava o tempo de cada e com ele os destinos mudavam-se, adaptavam-se. As vozes entoavam nos becos e os ecos que se ouviam não lhe pertenciam. Começou a sentir o seu coração a bater mais depressa. As vozes não lhe pertenciam, os movimentos também não. E os destinos? Esses tão pouco eram os seus. As coisas mudavam de lugar sem o seu comando e o relógio gigante do tempo girava freneticamente sem parar. E ela sentia-o. Sentia-o com tanta força a influenciar as batidas do seu coração e o seu caminhar. Os seus passos agitados substituiram os pés imóveis que estavam antes parados em frente ao espelho e deu por si a caminhar de olhos fechados e a visualizar o seu quarto onde tudo era como ela queria, onde as coisas só mudavam porque ela assim o desejava.
Gritava dentro da sua alma "eu vejo, eu vejo, eu vejo". E de cada vez que o seu pensamento repetia, imaginava com mais força o espelho com o reflexo do seu corpo, da cama, do armário e o relógio parado.
Entrou e fechou a porta atrás de si.
"Eu vejo." Disse ela. Sem nunca se aperceber que tudo aquilo que quis ver não foi mais do que uma imagem de uma realidade imaginável e criada. Tirou a roupa e atirou-a a um canto. Mais uma vez em frente ao espelho. Ela e o reflexo do seu mundo.
O tempo parou de facto.

quarta-feira, março 19, 2008

sábado, março 15, 2008

no family...but....

Posted by Picasa


Are we there yet???? Não... o horizonte é inantingível, por isso é que é tão especial...

domingo, março 09, 2008

Mundo(s)

Ler é como andar de saltos altos dentro de casa. Como que fazer de conta que és quem não és... e gostar...

sexta-feira, março 07, 2008

Sinónimos

Nao será escolher simplesmente um sinónimo de abdicar? Escolher é a forma positiva que a linguagem humana criou para querer dizer o mesmo que abdicar de uma coisa para ficar com a outra. Nao se trata de o que é melhor ou pior..mas sim de uma decisao de um momento, um impulso, uma reaccao a qualquer factor externo que desperta algum tipo de sentimento ou sensacao.

Por escolhermos algo abdicamos sempre de outro...e abdicamos quase incoscientemente. Inconscientemente porque, por vezes, tarda um pouco até nos apercebermos realmente de que perdemos algo no momento da escolha.

Escolher é um eufemismo da vida.

terça-feira, março 04, 2008

Tonight


Looking out the door
I see the rain fall upon the funeral mourners
Parading in a wake of sad relations
As their shoes fill up with water
Maybe I'm too young
To keep good love from going wrong
But tonight, you're on my mind so
You never know
Broken down and hungry for your love
With no way to feed it
Where are you tonight?
Child, you know how much I need it.
Too young to hold on
And too old to just break free and run
Sometimes a man gets carried away,
When he feels like he should be having his fun
Much too blind to see the damage he's done
Sometimes a man must awake to find that, really,
He has no-one...
So I'll wait for you...
And I'll burn
Will I ever see your sweet return?
Oh, will I ever learn?
Oh, Lover, you should've come over
Cause it's not too late.
Lonely is the room the bed is made
The open window lets the rain in
Burning in the corner is the only one
Who dreams he had you with him
My body turns and yearns for a sleep
That won't ever comeIt's never over,
My kingdom for a kiss upon her shoulder
It's never over,all my riches for her smiles when I slept so soft against her...
It's never over, all my blood for the sweetness of her laughter...
It's never over, she's a tear that hangs inside my soul forever...
But maybe I'm just too young to keep good love
From going wrong
Oh... lover you should've come over...
Yes, and I feel too young to hold on
I'm much too old to break free and run
Too deaf, dumb, and blind
To see the damage I've done
Sweet lover, you should've come over
Oh, love, well I'll wait for you
Lover, you should've come over'
Cause it's not too late.

Hoje apeteceu-me ouvir esta música vezes sem conta. Por tua causa.

sábado, março 01, 2008

Sufoco



Há gente do outro lado. Nao os vejo nem os ouco. Mas há gente do outro lado.

Se encostar o ouvido quase consigo ouvir o barulho que fazem a pensar, os seus coracoes a bater.

Há gente do outro lado. Há gente do outro lado.


Porque é que nao deixam passar?

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Arte Social


O essencial deveria ser invisível aos olhos.
Mas por vezes... nao é.

sábado, fevereiro 23, 2008

Reflexo sem espelho

Um corpo que existe e não se vê.



Um sentimento que se sente e não se exprime.



Um grito que se comprime até a absorção.




Um reflexo que nega a sua existência em frente a um espelho e não se vê.


Por todas as palavras que ficam por dizer....

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

terça-feira, fevereiro 05, 2008

The collection

To collect: to bring or gather something together. (Oxford Dictionary)

People do it almost unconsciously. They collect.Practical people collect stamps or postcards. Sentimental people collect love letters. Nostalgic people collect photos from old good days. Curious people collect antiquities. Organized people collect restaurant bills. But all of them collect something in common. All of them collect pieces. People can't be taken as a whole. Each person is a collection of pieces from another person, from a odd experience. And without noticing they are building a neverending collection.

The collection of each is alive. Sometimes it breaks and the time comes to put the pieces all back together. Nonetheless you will never be sure that you can build the same collection you had before.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Alter Ego

"This is the image from which he was born. (...) characters are not like people, of woman: they are born of a situation, a sentence, a metaphor containing in a nutshell a basic human possibility the the author thinks no one else has discovered or said something else essential about.
But isn't true that an author can write only about himself?
Staring impotently across a courtyard, at a loss for what to do; hearing the pertinacious rumbling of one's own stomach during a moment of love; betrying, yet lacking the will to abandon the glamorous path of betrayal; raising one's fist with the crowds in the Grand March; displaying one's wit before hidden microphones. (...) The characters in my novels are my own unrealized possibilities. That's why I am equally fond of all of them and equally horrified by them. Each one has crossed a border that I myself have circumvented. It is that crossed border which attracts me the most. For beyond that border begins the secret the novel asks about. The novel is not the author's confession: it is an investigation of human life in the trap the world has become. "


Milan Kundera, The unbearable lightness of being

sexta-feira, janeiro 18, 2008

As paredes

As paredes à volta do meu coração não se parecem às de uma casa. As paredes que o limitam são brancas e não guardam recordações de histórias anteriores que gosto de recordar. As paredes que rodeiam o meu coração não têm janelas, nem portas. As paredes são brancas e na sua candidez posso pintar reflexos do que eu sei que se escondem depois delas.


As paredes à volta do meu coração fui eu que as construí. E o cansaço não me deixa agora deitá-las abaixo e eu já não gosto daquilo que pintei.


As paredes à volta do meu coração são muros.

sábado, janeiro 12, 2008

Kannst du die Musik spüren?



Em alemao "spüren" significa sentir. Mas nao se trata de um sentir qualquer. A língua portuguesa tem uma certa ambiguidade, por vezes bastante, vulnerável. Em português tudo se sente. Sente-se o cheiro. Sente-se o sabor. Sente-se a música. Sente-se o vento. Sente-se o metal frio das chaves que abrem a porta de casa.

Voltemos ao "spüren". Sim, "spüren" significar sentir. Mas nao se trata de um sentir ambíguo(como o nosso!), "spüren" significa sentir algo com as maos, com o corpo. "Spüren" é o sentimento que fica depois do toque, seja ele leve ou intenso, frio ou quente, carinhoso ou agressivo. E agora a pergunta do meu título é: Consegues "sentir" a música?

Deita-te no chao de barriga para baixo. Fecha os olhos. Deixa a música tocar bem alto.

Spürst du das?

inspirado no filme de Carline Link, Jenseits der Stille, no qual a música tem de entrar no coracao sem utilizar os ouvidos.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

You can run but you can't hide

Cortaram os trigos.



Agora a minha solidao vê-se melhor.





Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Don't think



"I keep trying", she says.

"Are you getting somewhere?"
"Nowhere."
Stop. Don't think. React. Life can be a jungle without thinking....and maybe you might like it that way.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Ponto Final. Parágrafo.

Ponto final. Assim termina mais um ano; igual a todos os outros anos que foram terminando ao longo da vida. Fazem-se balancos, analisam alegrias e tristes e nos últimos segundos que restam podesse até dizer que este foi melhor que o anterior, mas principalmente desejar que o próximo mantenha esta sensacao evolutiva.

10, 9, 8....3,2,1. E desta forma comeca um novo parágrafo da vida que promete novas experiencias. Nunca se sabe ao certo o que ele irá trazer: coisas boas, coisas más, momentos alegres e outros tristes...cada qual tem os seus hábitos e tradicoes. Este propus-me fazer uma lista daquilo que me desejo para 2008 e o resultado foi:


1. Ser feliz.


Ponto final.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Xibalba



"Finish it."

Como a nébula, também os humanos morrem para generar a vida.

"O.K."