quarta-feira, novembro 28, 2007

Monstros debaixo da cama







Ao fundo ouve-se um rouco e leve "but when she calls, I know she's the one, makes me want her harder, makes me want to be a little stronger, still I see monsters."







Por quanto tempo mais terei medo dos monstros que habitam no meu peito?

sexta-feira, novembro 23, 2007

Glück Nr. 5

Manchmal bedeutet Glück, etwas nicht zu begreifen.
(Por vezes a felicidade existe por nao entendermos o sentido das coisas)





Francois Lelord

terça-feira, novembro 20, 2007

porque sim

Vamos supor que sim.

Sim. O rumo das coisas pode às vezes ser aquele que desejamos e raramente tivemos.

Deixemo-nos acreditar que sim.

Sim. O sonho consegue por vezes ser o espelho da realidade ainda nao vivida.

Vamos sonhar...porque sim.


E se o "porque sim" persistir em ficar, pode ser que nao voltemos a acordar.





Escrito à pressao para todos aqueles que vivem a vida porque sim e vêem em essa naturalidade o caminho único para uma felicidade que só surge quando menos se espera. Também ela aparece simplesmente porque sim.

terça-feira, novembro 06, 2007

Decisões instantâneas

O tempo foi aquilo que o Homem encontrou para definir aquilo que não pode controlar. Dividido em segundos, minutos, horas, dias, meses, anos e séculos...criamos a ilusão profunda de algo que nos controla mas que nós não pudemos controlar. É uma sensação boa de quando em quando... seguir a lei do senso comum e mais uma vez dar razão à célebre máxima de que o tempo não pára.


É bem verdade.


O tempo não pára.


Mas nós paramos no tempo. Ou melhor, oferecemo-nos aquele momento de reflexão que não acompanha aquilo que inevitavelmente não controlamos: o tempo.

Se o tempo fosse algo capaz de ser descrito fisicamente...se o tempo fosse de todas essas coisas que ele próprio ultrapassa, mesmo sem querer... se assim fosse, o tempo seria como o vento. Ás vezes brisa, ás vezes furacão...vai varrendo e levando consigo tudo aquilo que lhe vai surgindo pelo caminho.



Mesmo a ti. Ou a mim.

A menos que... decidamos não nos deixar varrer, não nos deixar levar arbitrariamente. Podemos decidir acompanhar o ritmo.


Vens?

terça-feira, outubro 30, 2007

Go, go...

So I say go,go,
hold your fists high,
grow, slow,
stand in for the fight
though
I hope you never have to.

So I say run, run
sparkling light,
have your fun and then come home at night
I'm sure you'll tell me something new


I can see the world through you



David Fonseca, I can see the world through you

quarta-feira, outubro 24, 2007

Um dia..eventualmente...vai deixar de magoar.


Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo

o que não vivi,
hei-de inventar contigo

sei que não sei

às vezes entender o teu olhar

mas quero-te bem,

encosta-te a mim.



Encosta-te a mim, Jorge Palma

terça-feira, outubro 23, 2007

Hoje

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.




Alberto Caeiro

sábado, outubro 20, 2007

Expiration date



Every feeling has its expiration date.

The game's over, the lights go out. And you wait... you wait... you can't be tired of waiting if you love. It is in your deepest nature to wait. Wait until the day you realise you are not waiting anymore....

And the only remaining question is: Is a feeling still alive once it expirates?

I think so...

terça-feira, outubro 09, 2007

Memory box...do we share the same?

Once I was a soldier
And I fought on foreign sands for you
Once I was a hunter
And I brought home fresh meat for you
Once I was a lover
And I searched behind your eyes for you
And soon there'll be another
To tell you I was just a lie

And sometimes
I wonder
Just for a while
Will you remember me

And though you have forgotten
All of our rubbish dreams
I find myself searching
Through the ashes of our ruins
For the days when we smiled
And the hours that ran wild
With the magic of our eyes
And the silence of our words

And sometimes
I wonder
Just for a while
Will you remember me


Tim Buckley

Porque ás vezes pouco mais nos resta do que as memórias que nos fazem felizes... e o medo de as perder consegue ser maior do que o sofrimento da lembranca...

segunda-feira, outubro 08, 2007

Do outro lado do mundo, do outro lado da vida


Existe sempre um outro lado. Existe sempre um oposto. Uma contradição. E se abrirmos bem os olhos - e com eles o espírito - somos capazes de compreender que um lado não existe sem o outro. São duas partes que se complementam, duas partes de uma unidade só. As condições em que se complementam são indiferentes... o acto de complementar é que cria o equilíbrio da unidade. Seja por semelhança, seja por diferença... os dois lados de uma luta é que dão origem a essa luta. Senão houvesse oposição, não haveria luta.
"Auf der anderen Seite", "The edge of heaven"...seja ele traduzido como "Do outro lado" ou "Limite do céu", é um retrato real das divergências da vida, da sensação de completo partindo pelo pressuposto da oposição. Um professor. A Turquia. Os Direitos Humanos. Três lados diferentes de um triângulo tridimensional...por vezes estamos tão ocupados com a nossa aresta que nos esquecemos que existe uma outra que nos reflecte. Por vezes estamos tão distraídos no embalo da vida que num segundo o seu oposto nos toma e nos leva para a outra margem.

Nejat: "Brindemos"
Susanne: "Á morte."

Um brinde á morte...e que ela nunca nos faça esquecer que a vida nunca deixará de ser uma simples margem. Do outro lado... ninguém nos virá contar como será.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Olhos de Maré

Por ter visto o mar
Num olhar de quem nunca o viu
Por ter ido atrás de uns olhos de maré

Sou capaz de andar sobre um mar que nunca existiu
Mas não sou capaz de ir mantendo a fé

Ventos e marés vão fazer o sol naufragar
Na palma da mão que o mar não soube ler

E se tu não és esse sol que me quer queimar
Não verás então o mar que tento ser

Letra de Dazkarieh "Olhos de Maré"


Se as palavras me faltam roubo as dos outros... por vezes é difícil transmitir em meros símbolos ortográficos a complexidade de um sentimento que nos consome por dentro. E quando é assim, gosto de roubar.. roubar as palavras de poetas ou músicos que acabaram por encontrar um caminho feliz de libertar os monstros que habitam dentro deles...

Inútil...

Eu: Inútil?

Ele: Sim....


Eu: E agora?


Ele: Agora? Desenrasca-te....

quarta-feira, setembro 19, 2007

Amor e Loucura

Era uma vez a Loucura. Um dia ela decidiu dar uma festa e convidar todos os seus amigos. Durante a festa a Vontade sugeriu jogar às escondidas. „Jogar às escondidas? Que jogo é esse?“ perguntou a Ignorância. „As escondidas é um jogo: um de nós conta até 100 e os outros têm de se esconder. O último a ser encontrado ganha.“ Respondeu prontamente a Inteligência. Todos quiseram jogar menos o Medo e a Preguiça. A Loucura está tão entusiasmada que se ofereceu para ser ela a contar. A confusão começou, todos se queriam esconder o mais rápido possível. A Segurança foi esconder-se no sótão da casa do vizinho. De certeza que aqui ninguém a encontra! O descuido escondeu-se atrás de uma plantinha. A Tristeza só chorava, sem conseguir sair do sítio. A Insegurança chorava junto como ela, porque não sabia se era melhor esconder-se à frente ou atrás do muro. “…98,99,100!“ gritou a Loucura. „Eu vou vos encontrar!“ A primeira a ser encontrada foi a Curiosidade, porque estava tão curiosa de saber quem seria o primeiro a ser encontrado, que foi descoberta ao espreitar do seu esconderijo. A Felicidade também foi rapidamente descoberta. Era impossível não ouvir as risadinhas dela. Em pouco tempo a Loucura já tinha encontrado quase todos os seus amigos. Até mesmo a Segurança. Foi então que o Cepticismo se lembrou: „E onde é que está o Amor?“ Todos encolheram os ombros. Na verdade, ninguém reparou onde é que ele se escondeu. Começaram a procurar: debaixo de pedras, para lá do Arco-Íris, sobre as árvores… A Loucura procurava no meio dos arbustos com um pequeno pauzinho. De repente ouviu-se um grito! Era o Amor. A Loucura arrancou-lhe um olho sem querer. Ela pediu imensas desculpas, e como prova do seu arrependimento, ela prometeu ao Amor que iria ser os seus olhos, para sempre. O Amor aceitou. E foi a partir deste momento que se começou a dizer que o Amor é cego e guiado por uma certa Loucura.

traducao de um texto publicado ontem no blog da Alexandra

segunda-feira, setembro 17, 2007

copo meio cheio ou meio vazio?


There's something to be said about a glass half full. I think it is a floating line, a barometer of need and desire. It's entirely up to the individual and depends on what's being poured.
Sometimes all we want is a taste. Other times there is no such thing as enough.
The glass is bottomless and all we want is more.

um momento de pura intimidade e devaneio feminino: extraído da série Grey's Anatomy.

domingo, setembro 16, 2007

Emotional vs Rational

Well I held you like a lover
Happy hands and your elbow in the appropriate place
And we ignored our others, happy plans
For that delicate look upon your face

Our bodies moved and hardened
Hurting parts of your garden
With no room for a pardon
In a place where no one knows what we have done

Do you come
Together ever with him?
And is he dark enough?
Enough to see your light?
And do you brush your teeth before you kiss?
Do you miss my smell?
And is he bold enough to take you on?
Do you feel like you belong?

And does he drive you wild?
Or just mildly free?
What about me?

Well you held me like a lover
Sweaty hands
And my foot in the appropriate place
And we use cushions to cover
Happy glands
In the mild issue of our disgrace
Our minds pressed and guarded
While our flesh disregarded
The lack of space for the light-hearted
In the boom that beats our drum

Well I know
I make you cry
And I know sometimes you wanna die
But do you really feel alive without me?
If so, be free


Damien Rice


To you, you know who... who made my world go round and stop. Stop for a moment that seems an eternity... I want to walk, but I guess I need to learn how to walk again...

sábado, setembro 15, 2007

Lost in Translation (2004)



Listen to the girl
As she takes on half the world
Moving up and so alive
In her honey dripping beehive
Beehive
It's good, so good, it's so good
So good
Jesus & Mary Chain
Nothing was like in the movies... so I guess I can go on....

quarta-feira, setembro 12, 2007

How to save a feeling?

I guess you don't need it
I guess you don't want me to repeat it
But everything I have to give I'll give to you
It's not like we planned it
You tried to stay, but you could not stand it
To see me shut down slow
As though it was an easy thing to do
Even as my eyes do see it
The very things that make you live are killing you

Listen when

All of this around us'll fall over
I tell you what we're gonna do
You will shelter me my love
And I will shelter you
I will shelter you


Ray Lamontagne, Shelter Lyrics (adapted)

segunda-feira, setembro 03, 2007

E.E.Cummings advised...

maggie and milly and molly and may
went down to the beach(to play one day)

and maggie discovered a shell that sang
so sweetly she couldn't remember her troubles,

and milly befriended a stranded star
whose rays five languid fingers were;

and molly was chased by a horrible thing
which raced sideways while blowing bubbles:and

may came home with a smooth round stone
as small as a world and as large as alone.

For whatever we lose(like a you or a me)
it's always ourselves we find in the sea


às vezes é preciso aprender... aquilo que o mundo nos oferece também nos pode tirar, com a mesma rapidez ou surpresa. No final (se é que se pode falar num final) o único que nos resta é aquilo que já tinhamos ao início: Nós.

terça-feira, agosto 21, 2007

O mundo sem olhos

Há noites como esta. Noites em que o mundo parece demasiado grande para a nossa pequenez. Noites nas quais apetece fechar os olhos e, de repente, o mundo não passa daquele sítio onde nos sentimos mais ou menos em casa.
Sem notar, ao som da música, estamos de olhos fechados e o vento que sopra do lado de fora é aquela mão que nos acaricia o cabelo antes de adormecer. O sorriso daques que amamos sabe (mesmo estando tão longe dela) à maresia de uma manhã de Verão. E então descobrimos que os olhos são o desvio da alma. São eles que nos distraem do toque da voz daqueles que nos rodeiam. De olhos fechados aprendemos a sentir o cheiro de um abraço no momento certo - cheira a jardim regado pela chuva fria numa noite de inverno.

De olhos abertos o mundo é mais impiedoso.
De olhos abertos o mundo mostra-nos a insipidez de um sorriso, a rigidez de um abraço. O cheiro, o toque o sabor desvanecem sem aviso prévio.


De olhos abertos o mundo tem jardins de pedra e as pessoas sâo estátuas igualmente imóveis.

De olhos abertos o mundo não passa do mundo que tão bem conhecemos.

segunda-feira, agosto 20, 2007

O que virá depois do Silêncio?

Inspira,
expira.
Deixa que o ar te encha os pulmões,
como se os abrisses pela primeira vez.
São poucas as vezes em que sentimos
tudo como se fosse outra vez a primeira vez.

Pára.
Só por um instante.
Não deixes que o tempo
Não te dê tempo para parar.

Não fales.
Não digas nem uma palavra,
E goza o silêncio que o amor nos deixou.


foto extraída de www.galeriadelsangels.com