terça-feira, junho 23, 2009

Do outro lado do espelho



Originally uploaded by Hillary the mammal.

Ela nunca conseguiu tirar os olhos daquela mulher, a que a olhava fixamente do lado real do espelho. Esqueceu-se de responder à voz que a chamou de longe naquele mundo secundário do outro lado do espelho. Talvez tenha sido por orgulho. Talvez tenha por ideologia.

Quando ela - a que vivia do lado real do espelho - partiu o espelho, ela estava ali para o sentir: como quem vê um terramoto na televisão sem puder fazer nada para o impedir.

Finalmente virou-se e resolveu escutar a dita voz que gritava já quase sem força o seu nome. Seguiu-a... num passo cansado e inseguro. O caminho era escuro e era a luz do mundo real que agora se deixava inadvertidamente reflectir no seu olhar.

Nunca chegou a conhecer a mulher que vivia do lado real do espelho nem sequer o homem que um dia o segurou. Mas deu o nome de carinho ao sentimento que deixou no instante em que o espelho rachou. Reconheceu a insignificância da sua presença nesse mundo surreal e apreciou o valor do caminho escuro que tinha pela frente. Escuro com leves traços de luz guardados do mundo real.

quarta-feira, junho 17, 2009

O jardim


É preciso deixar os pensamentos amadurecer na terra, cuidar-lhes as raízes, regá-los com ideias, podar-lhes os exageros, falar-lhes de outros mundos, outras cores e outros olhos.... e esperar. E enquanto se espera ficar a olhar como crescem a cada raio de sol e como se escondem por vezes se a lua teima em não aparecer.
Porque eles são filhos do momento, paridos entre cigarros e copos de vinho numa conversa de amigos ou até na solidão de quatro paredes. E se brotam permaturamente revelam os espinhos que deviam ter deixado debaixo da terra que abandonaram sem querer.

São as cicatrizes que guardo numa mistura de amor e de ódio que alimentam o meu gozo da espera, um jogo de paciências, de dúvidas e incertezas....

try to draw it first



Originally uploaded by heylookitsellie

grab a pencil and a piece of paper. Try to draw the line from here to there. Make it sunny. Sometimes rainy. Don't decide yet the places you will go, nor the people you will me. You'll inevitably find out later.

Pack your bag: the favourite song, the best moments and the most painful ones. Put in there everything you learned and all the things you gave.

Close the door and make sure you forgot the piece of paper you draw inside. I guess you won't need it when once you left.

segunda-feira, junho 15, 2009

circle inside the circle


How will i know if it's real or not real, if the whole world is spinning inside my head?

domingo, junho 14, 2009

O espelho


i like the way you say my name
Originally uploaded by Olivia Bee

Foi através do espelho que ela a viu pela primeira vez.
A verdade é que ela nunca chegou a vê-la de facto.
Conhece apenas o seu reflexo: a forma como se mexe com uma certa indiferença pelo meio da multidão e a atenção que desperta naqueles por quem passa. Aprendeu os truques do seu jeito de falar, o tom baixo e a perspicácia na escolha das palavras. Familiarizou-se com as suas variações de humor e compactuou com elas. Absorveu a sua imagem na esperança de não ter de a ver novamente no começo de um novo dia.

Para ela - aquela que deixa a sua imagem reflectir repetidamente no espelho - resta apenas a esperança de um dia a ver desviar o olhar do espelho por um segundo para conhecer aquele que sempre o segurou.

quinta-feira, junho 11, 2009

Aqui. No meio.



Originally uploaded by Olivia Bee

Não te preocupes comigo se não me vires ao fim do dia a descer os trilhos até ti. E se não te ligo durante o dia não quero que penses que é por desprezo... estou a coleccionar palavras que mais tarde te quero oferecer.

Não me procures agora.

Gostava de ficar aqui por mais uns segundos: sentada no meio dos trilhos que construímos neste bosque que tem o nosso nome (pelo menos para nós).

Um dia vou acabar o esboço do trilho que pretendo abrir entre aquilo que é teu e tudo o que um dia foi nosso.

Não te preocupes em esperar por mim...

segunda-feira, junho 08, 2009

These days


I've been out walking
I don't do too much talking
These days, these days.
These days I seem to think a lot
About the things that I forgot to do
And all the times I had the chance to.
I've stopped my rambling,
I don't do too much gambling
These days, these days.
These days I seem to think about
How all the changes came about my ways
And I wonder if I'll see another highway.
I had a lover,
I don't think I'll risk another
These days, these days.
And if I seem to be afraid
To live the life that I have made in song
It's just that I've been losing so long.
I've stopped my dreaming,
I won't do too much scheming
These days, these days.
These days I sit on corner stones
And count the time in quarter tones to ten.
Please don't confront me with my failures,
I had not forgotten them.
Nico, These Days

sexta-feira, junho 05, 2009

From above





send me your address under the sea.
I will send you a postcard from the places i've been visiting.







Pick it up later on the mailbox but don't bother to read it.

quarta-feira, junho 03, 2009

playground: Dream


Houve quem lhe falasse da lua e das estrelas. Quem lhe contasse a história de cada uma delas numa noite de lua cheia. Ouviu dizer que os amantes escolhem essas noites para traduzir em palavras as incoerências do coração. Pudesse ela decifrar através do brilho das estrelas os códigos do coração. Nunca lhe ensinaram essa língua desconhecida.

Agarra-se ao cigarro e ao café com as duas mãos para sentir o calor finito nesse fim de tarde invernil. As palavras aquecem-lhe a alma mas o corpo permanece estático e frio.
Vai coleccionando as palavras que lhe brotam do coração como flores da primavera para as oferecer ao estranho que se sentar ao seu lado. O estranho do cigarro, do café e das palavras aleatórias oferecidas ao desbarato. Acende mais um cigarro e gostava de lhe contar a estória que lhe contaram há dias: essa estória sobre a lua e as estrelas e os amantes das palavras.

Porque é assim que as estórias se fazem... na espera de um banco de jardim, entre bafos de tabaco e travos de café, aos ouvidos de um desconhecido...

...e se estiver bem-disposta ainda lhe acrescento mais umas estrelas.

segunda-feira, junho 01, 2009

Quem disse?



A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura...
Ora amarga! Ora doce!
Pra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura...



letra: Ouvi dizer, Ornatos Violeta
foto: http://www.fotolog.com/beat_z/45430724

domingo, maio 24, 2009

Uma certa inclinação para o mal


Conto as pisaduras que deixaste.
Aquelas que deixaste na alma e não no corpo. Querias a todo custo deixar a tua marca no chão que te deram a pisar. Fui eu que te dei, fui eu que deixei não por amor mas por vontade.

Colecciono memórias de pisaduras como outros coleccionam selos: na esperança de um dia conseguir completar a caderneta e fechar o livro.

quinta-feira, maio 14, 2009

Fico por aqui



Originally uploaded by hui+

É tão bom entrar aqui.


Daqui de onde nunca se sai.


E ficar.



Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, maio 11, 2009

Letter to Alice





If I could see the world through the looking glass...

your silence would be screaming my name and I wouldn't be scared to be alone anymore.

segunda-feira, maio 04, 2009

jump?


ONCE you asked me: "Will it hurt, if i jump?"
i let my silence claim the lie. i didn't want to see you walk away without trying.
i always knew it hurts on the first time.

NOW i don't remember if you jumped. I got distracted by the birds flying by.

"Does it hurt?"







foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/polioandearlgrey/2720970000/

The olive Theory


You like olives.
I don't...




How will we make it work?

quarta-feira, abril 29, 2009

o passo tira-teimas


Distraio-me a contar os passos que me separam dos outros. Não é a primeira vez. Já os contei mais de um milhão de vezes: conheço cada um deles como cada linha da palma da minha mão; sei dizer onde começam e quando acabam.
Conto para passar o tempo.
Conto para não pensar.
Conto incessantemente para reconhecer (até de olhos fechados) a casa numérica que delimita o abismo. Sei contar para além daquilo que devo e vou contando para testar a minha força. A minha contra a tua. Ou contra a tua. Uma vez um passo a mais á esquerda. Outra vez um passo a mais atrás.
É nesta brincadeira de números que ouso invadir o teu espaço.
Ouso. Mas não invado. Deixamo-nos ficar no mundo abstracto das insinuações. Não tenho vontade de marcar a minha pegada nesse terreno teu que me é tão próximo como desconhecido. Desenhamos linhas simétricas marcadas pela mesma distância que separa o corpo do espelho.
Somos reflexos. Cada um desempenhando o seu papel.
Os reflexos não foram criados para serem tocados, mas sim para gozarem serem observados. Se alguma vez toquei o reflexo que representas... guardo cá dentro a vergonha deliciosa de o ter feito e o desejo de não voltar a sentir o mesmo toque dessa nossa estranheza familiar.
1, 2, 3...... conta comigo.
Conta para passar o tempo.
Conta para me distrair.



foto extraída: http://www.flickr.com/photos/tasou/3247730542/

sábado, abril 25, 2009

Vês tanto vermelho como eu?

Se não fossem as noites, seriam os dias. E se não for a transparência, será talvez a incerteza. Os olhos nunca irão absorver todas as imagens, todos os sentidos e significados daquilo que os rodeia. E se não forem as condições externas, será talvez a cor deles mesmo que determina as formas e a clareza da visão.

Este vermelho é só meu. De que cor é o teu?

quarta-feira, abril 22, 2009

cupid piglein


komm nicht so nah... oder doch... das schild sagt "GEFAHR" aber ich will doch versuchen...

quinta-feira, abril 16, 2009

Clandestino


Anda esconder-te comigo debaixo dos lençóis. Gosto de chamar o teu nome num sítio onde só tu o possas ouvir. Torna-o mais teu. Um dia vou tentar entender a clandestinidade do nosso mundo...hoje não. Talvez amanhã. O tempo não nos dá muito tempo para nós e teima em nos mostrar que lá fora as coisas vão acontecendo sem nós.
Neste reino de tecido tu és o rei e eu sou a rainha. E vamos medindo as nossas forças com as poucas armas que cabem entre os nossos corpos. De certa forma, agrada-me o secretismo da nossa luta. Sem juiz, sem verdades absolutas; as regras são minhas, as regras são tuas e juntos guardamos o poder da decisão.

Estou viciada no teu sabor clandestino. Não tem mal, pois não?

Talvez amanhã seja o dia das questões, da batalha final. Por enquanto, esconde-te comigo debaixo dos lençóis e deixa-me gritar o teu nome ao ouvido. Clandestino.







foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/stefanoob/3129932361/

quarta-feira, abril 08, 2009

Não te preocupes


If you only came to tell me the stories don't get mad at me if I pretend not to listen. Keep talking. I took the way of pretending not by chance but by choice: i am listening.
And if you're feeling like you are hurting me and therefore you don't want to go on...


My disguise is the bed of roses I chose to fall on before feeling the ground.

quinta-feira, abril 02, 2009

Vem pintar comigo


Estou cansada das coisas, de falar sobre as coisas, de pensar sobre as coisas. As coisas são hoje coisas porque ontem já as eram e amanha quando as virmos serão sempre as mesmas coisas. Afogamo-nos diariamente nessa monotonia a preto e branco e deixamo-nos envolver por elas num sentimento labiríntico sem saída.

Vem saltar comigo para o lado de fora. Vamos inventar cores até agora desconhecidas e pintar as coisas de outra forma.

Eu sei... não é real. Mas quantas das coisas que vemos o são? Não sabemos de onde vêm nem nos interessa para onde vão, ou para que servem. São coisas a preto e branco á espera do nosso borrão de tinta.

quarta-feira, abril 01, 2009

The lover



Se me encontrares na rua... caminha. Não uses as palavras para quebrar o gelo. A fronteira que existe entre mim e o mundo não fui eu quem a criou mas aprendi a amá-la.
Não me chames pelo nome se me olhas de frente. Nunca gostei que me despisses no meio da multidão.

sábado, março 28, 2009

É assim e pouco mais


"Perco demasiado tempo a pensar em fugir e demasiado tempo a desfazer esses pensamentos." E o pouco tempo que me sobra nos entrantos é cansaço evidente.


Entre o fugir e o pensar.... para tudo o resto é tarde demais.






citação de Pedro Paixão, Ele, em A noiva judia

quinta-feira, março 26, 2009

tidy tidy mistakes



Se tu soubesses meu amor o gozo que guardo por ter errado tanto na tarefa de te amar....

segunda-feira, março 23, 2009

dois riscos e bolas de sabão



Abre a janela e deixa o sol entrar.
Marco a caneta nos lençois usados da cama as linhas que separam a luz da sombra.
Deixa-me deitar-me contigo entre elas.
É a luz do sol que conta as histórias que acontecem lá fora: são romances, são tragédias.
Não vamos mexer-nos agora.
O teu cabelo cheira a casa e o meu coração sofre de nostalgia aguda.
Embrulhas as palavras em bolas de sabão e sopra-las gentilmente junto do meu ouvido
... gosto da tua forma de falar.

Ás vezes os sentimentos são assim: cheiram a casa e ouvem palavras de sabão.
E se o sol não fosse esse menino traiçoeiro que ora vem, ora vai.... eu ficaria por aqui contigo.




[ao som de Kymia Dawson, Nothing came out]
foto (surrateiramente) tirada do blog: www.meninadosolhosdeagua.blogspot.com]

domingo, março 22, 2009

this is the thing....
















I don't mind waiting.

I don't mind if sometimes your pillow is empty next to mine.

I don't mind if once in a while I only meet you in my dreams.



I enjoy watching you leave every time little pieces of you with me.





I collect them all... one day, I'll build a castle out of you.

to talk



I wish.....


Life could be so simple as the summer sky. Cloudless. Blue.

quinta-feira, março 19, 2009


Podiam ter sido palavras mas foram apenas passos que ficaram entre o dizer e o entender. Conheço o terreno híbrido que sempre cultivamos entre os nossos dois mundos. Entre o dizer e o fazer. Entre o fazer e o ver. Perdemos sempre o conteúdo na jornada. Sempre andei quilómetros para chegar ao teu lado da cama e guardo agora com carinho o sabor amargo da derrota e do cansaço.

Por perder aprendi a voar. Na tentativa de chegar mais depressa ao destino que progressivamente se foi tornando mais longíquo e inatingível, julgo ter-me distraído com os detalhes do caminho.

Se calhar ficaste á minha espera do outro lado. Mas eu gosto da textura deste lado do mundo e vou-me deixar ficar por aqui.

cobardia.....



Não me venhas falar em sonhos.

quarta-feira, março 11, 2009

Permanence

So this is permanence, love's shattered pride.
What once was innocence, turned on its side.
A cloud hangs over me, marks every move,
Deep in the memory, of what once was love.

Oh how I realised how I wanted time,
Put into perspective, tried so hard to find,
Just for one moment, thought I'd found my way.
Destiny unfolded, I watched it slip away.

Excessive flashpoints, beyond all reach,
Solitary demands for all I'd like to keep.
Let's take a ride out, see what we can find,
A valueless collection of hopes and past desires.

I never realised the lengths I'd have to go,
All the darkest corners of a sense I didn't know.
Just for one moment, I heard somebody call,
Looked beyond the day in hand, there's nothing there at all.

Now that I've realised how it's all gone wrong,
Gottas find some therapy, this treatment takes too long.
Deep in the heart of where sympathy held sway,
Gotta find my destiny, before it gets too late.



Twenty-four hours, Joy Division

segunda-feira, março 09, 2009

Who's there?





I guess it it was to much to ask you to knock before coming in. You usually don't use the door to conquer the place next to me inside my bed.


My mistake.





listening: Janis Joplin, a woman left lonely
foto : http://olhares.aeiou.pt/visions_from_a_dying_brain_foto2172364.html

sexta-feira, março 06, 2009

tu estás lá fora....

Agora que pousas a cabeça
na almofada e respiras satisfeito
quero o teu amor sem sentido nem proveito

Agora que repousas
lentamente sigo a curva do teu peito
procuro o segredo do teu cheiro

Juntos fomos correndo lado a lado
Juntos fomos sofrendo ter amado
Amas a vida
e eu amo-te a ti

Conta-me histórias daquilo que eu não vi...

Logo acordas
e pedes-me um cigarro que eu não fumo
sonho planos do futuro

Logo juntas a tua roupa
e dizes que a vida está lá fora
passou a minha hora...

Juntos fomos correndo lado a lado
Juntos fomos sofrendo ter amado
Amas a vida
e eu amo-te a ti


quarta-feira, março 04, 2009

writing novels with my life



There is always a story within another story. And the footsteps each one of us marks in the blank sheet of those who cross our way is a piece of the story we write. It is an arbitrary one. The story. My story. Your story.

You will never know what you write until you read it.











foto: http://olhares.aeiou.pt/o_suave_acordar_da_manhas___ana_franco_foto1981916.html

segunda-feira, março 02, 2009

who?




Das war die Frau mit ihren plötzlichen Ängsten, ihren grundlosen Launen, ihren unwillkürlichen Verwirrungen, ihren unmotivierten Kühnheiten, ihren Wagnissen und ihrer reizenden Zartheit der Gefühle.





Honoré de Balzac, Sarrasine

domingo, março 01, 2009

und jetzt?





Ich kannte den Text nicht und musste auf die Bühne.



Emine Sevgi Özdamar, Die Brücke vom Goldenen Horn












foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/crackjacksonjr/3212820547/

sábado, fevereiro 28, 2009

Would you make this sound for me?


O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.




letra de Jorge Palma
foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/slutty_pimp/2851061761/

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

tree house



Sometimes I wish I had a tree house somewhere...



where I could always hide and feel safe.









foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/imable/

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Megafone da razão


Fossem lágrimas e não rosas aquilo que deixaste cair no chão. Sempre especulei acerca da sinceridade das tuas palavras. Sempre duvidei da autenticidade da tua calma constante.Trazias sempre contigo o megafone da razão que fazias questão de encostar ao meu coração. Ele sentia-se pequenino. Escondia-se para não se deixar magoar. Será que alguma vez soubeste o quanto me atordoava o grito da tua razão?
Procurei as lágrimas no teu jardim e encontrei o caminho da tua dor como forma de mostrar ao meu coraçao rejeitado que em alguma forma também o teu gritava. O coração tem formas estranhas de buscar empatias.
Não foi por mal que te matei. Devo ter exagerado na dose. Não me arrependo.
No entanto, foram rosas que encontrei no ultimo chão que pisaste. Rosas e não lágrimas.






foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/convite_dia_23_marta_ferreira_wwwmgrafiacom_foto2483695.html

Maybe not....


We all do what we can
So we can do just one more thing
We can all be free
Maybe not in words
Maybe not with a look
But with your mind

Listen to me, don’t walk that street
There’s always an end to it
Come and be free, you know who I am
We’re just living people

We won’t have a thing
So we’ve got nothing to lose
We can all be free
Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind

You’ve got to choose a wish or command
At the turn of the tide, is withering thee
Remember one thing, the dream you can see
Pray to be, shake this land

We all do what we can
So we can do just one more thing
We won’t have a thing
So we’ve got nothing to lose



Cat Power, Maybe not


foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/foto796964.html

domingo, fevereiro 22, 2009

Now!







Don't just stand there starring......




Fix me.





foto: http://www.flickr.com/photos/slutty_pimp/2448533644/

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

suicídio de uma femme fatale

Ensaias sem pudor em frente ao espelho o papel que te cabe esta noite. Despida de roupas e adereços admiras os contornos de um corpo reflectido e distante que se sente tão teu. Acendes o primeiro cigarro desde que o sol se pôs para lá das cortinas entrabertas que separam o teu mundo do mundo dos outros. O relógio na parede mostra as nove da noite. A arma está preparada, agora estirada no divâ, despida. Observas-te a fumar. Gostas do que vês e não queres parar. Acendes mais um cigarro. Mais uns minutos de prazer narcisista. Lá fora já se ouvem os primeiros rumores de uma noite optimista que contará outras histórias ao sol da manhã seguinte.
Tu. Agora vestida, engoles o último travo de champanhe antes de sair. Escondes a arma no mais íntimo de ti. Um último olhar ao espelho sedutor. Fechas a porta. Cheira a carne lá fora e as tuas mãos controlam por entre os tecidos que te envolvem a tua fonte pessoal de destruição. Sais para a rua.
Tens desejos de matar que te invadem a espinha de quando em vez. Desejos de matar a alma e não o corpo. Apontas a tua arma directamente ao sexo oposto. Conheces bem o teu alvo e as suas fraquezas, as suas vontades. Conheces. Amas com a mesma brutalidade com que matas. Brincas. Consomes as últimas gotas humanas que ejaculam em público e arrastas o seu corpo morto, sedento de volta á tua toca.
Já deitada. De novo despida coberta por um odor de cansaço e luxúria voltas a acender um cigarro. Olhas aquela que te olha do outro lado do espelho e não encontras a mesma personagem que te cativou quando o relógio mostrou as nove. O sol ameaça invadir o teu território e a peça que representaste está perto do fim. Do outro lado da cama: um cadáver de alma dorme tranquilamente. Ainda não sabe que morreu.
De volta a ti. Fechas os teus braços em volta de um ventre que resolveu acordar para te atormentar. Pensas que é assim que te salvas: por cada alma que absorves mais uma carta virada no jogo virulento do amor. Voltaste a ganhar.
Exausta, deixaste cair sob a cama ainda molhada de suor. Não tiveste tempo de te aperceber que mais uma vez a carta virada se afogou na alma sem vida que dorme ao teu lado. O sol entrou e foi só ele quem viu as lágrimas que escorriam no reflexo envergonhado que deixaste colado no espelho.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Saudade

Fico cá fora à espera que adormeças. Não quero que amanhã te lembres que violei o teu sono pelo prazer da palma da tua mão.

As lágrimas que correm são por ti mas não te pertencem mais.

Dá-me a tua mão.
Não.
Não te quero tirar do porto seguro que escolheste. Só quero que me a emprestes por uns minutos. Dorme sossegado amanhã quando acordares reconheces tudo aquilo que te rodeia.

Já não preciso de ti... só da tua mão. Pouso-a de leve sob as minhas costas despidas e disfruto a memória de um prazer que me custa esquecer.






foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/st_miguel_peres_foto2497672.html

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Unfair (real) love

Hands down
I'm too proud, for love
But with eyes shut
It's you I'm thinking of
But how we move from A to B it can't be up to me
Cause I don't know
Eye to eye
Thigh to Thigh
I let go

I think I'm a little bit
Little bit

A little bit in love with you
But only if you're a little bit
Little bit
Little bit
In love with me




lyrics from Lykke Li, Little bit

sábado, fevereiro 14, 2009

Entre nós


Guardas nas pontas dos dedos flores, punhais que vais desvendando lentamente sobre o meu corpo ao ritmo da melodia que ocupa o que resta deste quarto escuro, vazio de tudo e cheio de nós.
As palavras que desenhas são beijos, são cortes e por vezes também leves carícias que deixam ecos presentes de um toque passado, viciante no espaço que separa a minha pele do desejo da tua.
Não páres agora.
Fecha-me entre o teu peito e a palma das tuas mãos e conta-me assim as histórias que a tua boca se recusa a transformar em palavras.
Não me deixes cair agora.
Eu prometo que as guardo comigo entre a ponta dos teus dedos e o meu coração.




foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/__catarina_cruz_foto745924.html

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

é verdade.....

Se alguma vez te disse que o teu sorriso apenas me fazia feliz peço desculpa. Menti. Não te queria mentir só que não me apercebi que a minha verdade assentava numa promessa que tu não fizeste questão de cumprir.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

do you recite your daily lies?



É tão diferente este lugar agora

É tão diferente este lugar assim

Esquecido no silêncio da nossa ausência

Já não

É tão diferente este lugar agora

Distante no tempo em que o descobri

E hoje aqui agora chego e não vejo o que vi

Parece até que a memória faz pouco de mim

E nunca vai mudar

Dizias tu

Nem o tempo há-de apagar este momento em mim

Enchias os meus olhos de luz

Dizias tu

Quantas vezes voltei para te procurar?

Já nem

Sei bem

Ao certo

Nunca vai mudar

Dizias tu

Nem o tempo há-de apagar este momento em mim

Enchias os meus olhos de luz

Dizias tu




foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/espero_por_ti___cristina_nava_foto1842225.html


sábado, fevereiro 07, 2009

Unruhe



A bird.
A fish.



If a bird and a fish were to fall in love with each other...


Where would they live?





foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/helga/3199085284/

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Material soul


me: How can you measure the weight of my soul?

you: you can't do that...

me: yes, you can. You only have to weight me first then burn me and carefully put the ashes of my body on a tray. Weight the ashes. The difference between both results is how heavy my soul is.



reaction to Smoke from Paul Auster
foto tirada de: http://olhares.aeiou.pt/foto1012851.html

sábado, janeiro 31, 2009

Strange ways






"meine Hände liegen wie Buchstaben ohne Zunge auf meine Knien..."



Emine Sevgi Özdamar, Mutterzunge

















foto extraída: http://olhares.aeiou.pt/am_train_foto702354.html

quarta-feira, janeiro 28, 2009

schaukelstuhl

Esperei por obrigação. Não fui eu que quis. São poucas as coisas que acontecem na minha vida porque eu quero que aconteçam. A maioria das coisas vão acontecendo e eu vou reagindo a elas, porque...fora a reacção não me resta outra alternativa.
Deixo-me ficar aqui. Sentada. E vejo as coisas passar. Todos pensam que a minha vida gira como uma roda viva, mas tudo depende da perspectiva com que se olha para ela: há quem veja um mundo que gira á minha volta, há quem veja um mundo á volta do qual eu giro á procura do local que me pertence...




Ainda não encontrei....

segunda-feira, janeiro 26, 2009

the old house


Here I am again.
Passed by to see if there is something new. I guess not.
I guess you haven't been here for a while either. From my point of view everything looks exactly the way I left it when I decided to walk pass that door. You were already gone for a while then. I guess you never came back to check our old house.

I passed by by chance. I always do that when I move from one city to another. It has turned into a kind of tradition that I am afraid of letting go. I'm not brave enough to give me the chance to forget how it looks like... the sun always shines on its back and there's quiet in it, don't you think? Despite the sad stories its walls whisper in my ears I always feel a kind of safe in here. Deep inside I know that anything else could hurt me more than this old house does. Somehow conforting....

I heard you're doing fine. I wish I could be happy to hear that. I pretend I am, it might help me to believe in my own lies. I admire the calm with which you closed the door, you closed it as softly as you would lay your head to sleep next to mine. I guess I admire that.
I heard you're moving in. I admire that as well: that easiness of transferring dreams from one point to the other. I guess I could try to admire that as well... my dreams lay here on the green fresh grass in front of the porch of our old house. That might the reason why I come here so often to visit them, to touch them, to feel them. Once I wanted to take them with me to a new town but they are stuck to the ground so I come here to see them. I don't want them to feel left behind... They still belong to me in the same way this house belongs to me as well.
I heard you're doing fine... so I don't believe you care much about your own part of the house. Don't worry I can watch for it when I come here for my dreams.





I might be leaving now. Left you a note on the front door in case you do come back... I don't wish to you the same feeling of loneliness I get every time I am caught by the sun that shines on the back of our own old house.


I don't wish it to you.
I don't wish it to anybody.



foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/imable/3149748407/

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Don't shout....



"Standing there alone on the roof he always felt he had to shout out - but he did not know what it was he wanted to say. It seemed like if he would put this thing into words he would no longer be a boy with big rough bare feet and hands that hung down clumsy from the outgrown sleeves of his lumberjack. He would be a great man, a kind of god, and what he called out would make things that bothered him and all other people plain and simple."


Carson McCullers, Untitled piece





foto: http://www.flickr.com/photos/16536699@N07/3204082698/

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Untitled

Foi o silêncio que ficou.

Já perdi a conta das horas que passaram desde que o eco da porta que bateste atrás de ti terminou de zumbir na minha cabeça.

Ainda não consegui sair do sítio onde me deixaste... sentada neste canto que já se tornou tão familiar á minha presença. Vou falando com as pessoas que passam por aqui. Falamos do tempo, das aulas, dos últimos concertos. Falo. Mas não me mexo.

Os cacos das porcelanas que partiste continuam espalhados pelo chão daquele espaço que um dia partilhamos e chamamos nosso. Observo e tento reconhecer em cada detalhe um ponto da nossa história. Mas de certo modo tudo o que me involve agora é-me extremamente desconhecido.




Gostava de puder começar a juntar o lixo que deixaste mas faltam-me as forças para levantar. Mas acho que, no fundo... tenho medo que não me encontres aqui onde me deixaste quando me vieres procurar.

domingo, janeiro 18, 2009

Your world is mine



One day I'll whisper in your ear the truth that I hide from you inside my heart.




I know your world better than you will ever know it. The stars, the clouds.... i feel them beneath my feet.





Who said you needed wings to fly?






I'm afraid you will never understand me.....

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Pleasure incomplete...................


Não me dês tudo agora. Ou melhor, não me dês tudo nunca. Gosto do travo a incompleto que deixas ficar na minha boca entre este beijo e a promessa do próximo....




Não se trata de ter medo do fim... conheço-o bem e escolhi voltar atrás. Fico por aqui. Neste sítio que é só meu onde escondo todos os pedaços da história do meu caminho...


Ponto final? Não, não me obrigues a escrevê-lo....









listening to Weebles Fall, Slovo.... obrigada Zita!

domingo, janeiro 11, 2009

fast food love



Game over.
The clock was ticking.
I heard its last sound. It ticked softly on my heart. You could have sung a lullaby, I would pretend I was asleep.

Didn't mean you to realize I wasn't.


Tick. Off.

terça-feira, janeiro 06, 2009

auto-retrato


Fossem minhas as horas, os dias e as noites. Fossem minhas as palavras e os pensamentos. Fosse meu o teu coração, o teu corpo, o teu respirar.

Fosse meu o meu coração, os meus pensamentos.


Mandava-os a todos parar. Naquele instante em que nenhum destes elementos mostrou o seu pudor, naquele instante que foi meu... e teu. Só nesse instante em que duvidaste da realidade que, por ser tão nossa, já era tão pouco real.

Foi nossa. Mas não foi minha. Não foi tua.

Fosse meu o tempo. Sim, mandava-o parar nesse instante. Aquele sorriso era meu. Era nosso.

domingo, janeiro 04, 2009

swallow


If I would ask you... would you do it for me? Swallow my heart and never let it beat again?

Just let it run down your throat as if it was fresh bread in the morning... I don't need it anymore. Hearts get old quickly if you use them too much... i didn't know that before.


No. I didn't know it before....