sábado, fevereiro 14, 2009

Entre nós


Guardas nas pontas dos dedos flores, punhais que vais desvendando lentamente sobre o meu corpo ao ritmo da melodia que ocupa o que resta deste quarto escuro, vazio de tudo e cheio de nós.
As palavras que desenhas são beijos, são cortes e por vezes também leves carícias que deixam ecos presentes de um toque passado, viciante no espaço que separa a minha pele do desejo da tua.
Não páres agora.
Fecha-me entre o teu peito e a palma das tuas mãos e conta-me assim as histórias que a tua boca se recusa a transformar em palavras.
Não me deixes cair agora.
Eu prometo que as guardo comigo entre a ponta dos teus dedos e o meu coração.




foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/__catarina_cruz_foto745924.html

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

é verdade.....

Se alguma vez te disse que o teu sorriso apenas me fazia feliz peço desculpa. Menti. Não te queria mentir só que não me apercebi que a minha verdade assentava numa promessa que tu não fizeste questão de cumprir.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

do you recite your daily lies?



É tão diferente este lugar agora

É tão diferente este lugar assim

Esquecido no silêncio da nossa ausência

Já não

É tão diferente este lugar agora

Distante no tempo em que o descobri

E hoje aqui agora chego e não vejo o que vi

Parece até que a memória faz pouco de mim

E nunca vai mudar

Dizias tu

Nem o tempo há-de apagar este momento em mim

Enchias os meus olhos de luz

Dizias tu

Quantas vezes voltei para te procurar?

Já nem

Sei bem

Ao certo

Nunca vai mudar

Dizias tu

Nem o tempo há-de apagar este momento em mim

Enchias os meus olhos de luz

Dizias tu




foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/espero_por_ti___cristina_nava_foto1842225.html


sábado, fevereiro 07, 2009

Unruhe



A bird.
A fish.



If a bird and a fish were to fall in love with each other...


Where would they live?





foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/helga/3199085284/

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Material soul


me: How can you measure the weight of my soul?

you: you can't do that...

me: yes, you can. You only have to weight me first then burn me and carefully put the ashes of my body on a tray. Weight the ashes. The difference between both results is how heavy my soul is.



reaction to Smoke from Paul Auster
foto tirada de: http://olhares.aeiou.pt/foto1012851.html

sábado, janeiro 31, 2009

Strange ways






"meine Hände liegen wie Buchstaben ohne Zunge auf meine Knien..."



Emine Sevgi Özdamar, Mutterzunge

















foto extraída: http://olhares.aeiou.pt/am_train_foto702354.html

quarta-feira, janeiro 28, 2009

schaukelstuhl

Esperei por obrigação. Não fui eu que quis. São poucas as coisas que acontecem na minha vida porque eu quero que aconteçam. A maioria das coisas vão acontecendo e eu vou reagindo a elas, porque...fora a reacção não me resta outra alternativa.
Deixo-me ficar aqui. Sentada. E vejo as coisas passar. Todos pensam que a minha vida gira como uma roda viva, mas tudo depende da perspectiva com que se olha para ela: há quem veja um mundo que gira á minha volta, há quem veja um mundo á volta do qual eu giro á procura do local que me pertence...




Ainda não encontrei....

segunda-feira, janeiro 26, 2009

the old house


Here I am again.
Passed by to see if there is something new. I guess not.
I guess you haven't been here for a while either. From my point of view everything looks exactly the way I left it when I decided to walk pass that door. You were already gone for a while then. I guess you never came back to check our old house.

I passed by by chance. I always do that when I move from one city to another. It has turned into a kind of tradition that I am afraid of letting go. I'm not brave enough to give me the chance to forget how it looks like... the sun always shines on its back and there's quiet in it, don't you think? Despite the sad stories its walls whisper in my ears I always feel a kind of safe in here. Deep inside I know that anything else could hurt me more than this old house does. Somehow conforting....

I heard you're doing fine. I wish I could be happy to hear that. I pretend I am, it might help me to believe in my own lies. I admire the calm with which you closed the door, you closed it as softly as you would lay your head to sleep next to mine. I guess I admire that.
I heard you're moving in. I admire that as well: that easiness of transferring dreams from one point to the other. I guess I could try to admire that as well... my dreams lay here on the green fresh grass in front of the porch of our old house. That might the reason why I come here so often to visit them, to touch them, to feel them. Once I wanted to take them with me to a new town but they are stuck to the ground so I come here to see them. I don't want them to feel left behind... They still belong to me in the same way this house belongs to me as well.
I heard you're doing fine... so I don't believe you care much about your own part of the house. Don't worry I can watch for it when I come here for my dreams.





I might be leaving now. Left you a note on the front door in case you do come back... I don't wish to you the same feeling of loneliness I get every time I am caught by the sun that shines on the back of our own old house.


I don't wish it to you.
I don't wish it to anybody.



foto extraída de: http://www.flickr.com/photos/imable/3149748407/

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Don't shout....



"Standing there alone on the roof he always felt he had to shout out - but he did not know what it was he wanted to say. It seemed like if he would put this thing into words he would no longer be a boy with big rough bare feet and hands that hung down clumsy from the outgrown sleeves of his lumberjack. He would be a great man, a kind of god, and what he called out would make things that bothered him and all other people plain and simple."


Carson McCullers, Untitled piece





foto: http://www.flickr.com/photos/16536699@N07/3204082698/

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Untitled

Foi o silêncio que ficou.

Já perdi a conta das horas que passaram desde que o eco da porta que bateste atrás de ti terminou de zumbir na minha cabeça.

Ainda não consegui sair do sítio onde me deixaste... sentada neste canto que já se tornou tão familiar á minha presença. Vou falando com as pessoas que passam por aqui. Falamos do tempo, das aulas, dos últimos concertos. Falo. Mas não me mexo.

Os cacos das porcelanas que partiste continuam espalhados pelo chão daquele espaço que um dia partilhamos e chamamos nosso. Observo e tento reconhecer em cada detalhe um ponto da nossa história. Mas de certo modo tudo o que me involve agora é-me extremamente desconhecido.




Gostava de puder começar a juntar o lixo que deixaste mas faltam-me as forças para levantar. Mas acho que, no fundo... tenho medo que não me encontres aqui onde me deixaste quando me vieres procurar.

domingo, janeiro 18, 2009

Your world is mine



One day I'll whisper in your ear the truth that I hide from you inside my heart.




I know your world better than you will ever know it. The stars, the clouds.... i feel them beneath my feet.





Who said you needed wings to fly?






I'm afraid you will never understand me.....

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Pleasure incomplete...................


Não me dês tudo agora. Ou melhor, não me dês tudo nunca. Gosto do travo a incompleto que deixas ficar na minha boca entre este beijo e a promessa do próximo....




Não se trata de ter medo do fim... conheço-o bem e escolhi voltar atrás. Fico por aqui. Neste sítio que é só meu onde escondo todos os pedaços da história do meu caminho...


Ponto final? Não, não me obrigues a escrevê-lo....









listening to Weebles Fall, Slovo.... obrigada Zita!

domingo, janeiro 11, 2009

fast food love



Game over.
The clock was ticking.
I heard its last sound. It ticked softly on my heart. You could have sung a lullaby, I would pretend I was asleep.

Didn't mean you to realize I wasn't.


Tick. Off.

terça-feira, janeiro 06, 2009

auto-retrato


Fossem minhas as horas, os dias e as noites. Fossem minhas as palavras e os pensamentos. Fosse meu o teu coração, o teu corpo, o teu respirar.

Fosse meu o meu coração, os meus pensamentos.


Mandava-os a todos parar. Naquele instante em que nenhum destes elementos mostrou o seu pudor, naquele instante que foi meu... e teu. Só nesse instante em que duvidaste da realidade que, por ser tão nossa, já era tão pouco real.

Foi nossa. Mas não foi minha. Não foi tua.

Fosse meu o tempo. Sim, mandava-o parar nesse instante. Aquele sorriso era meu. Era nosso.

domingo, janeiro 04, 2009

swallow


If I would ask you... would you do it for me? Swallow my heart and never let it beat again?

Just let it run down your throat as if it was fresh bread in the morning... I don't need it anymore. Hearts get old quickly if you use them too much... i didn't know that before.


No. I didn't know it before....

terça-feira, dezembro 30, 2008

Princess Y




I once fell in love with you
Just because the sky turned from gray
Into blue
It was a good friday
The streets were open and empty
No more passion play
On st. Nicholas avenue
I believe in st. Nicholas
Its a different type of santa clause




Lyrics from "Good Friday", CocoRosie

segunda-feira, dezembro 29, 2008

KissTalkKissTalkKissTalk............ Kiss!


Come on: Kiss me as you would talk to me or talk to me as if you would kiss me.

Forget the order of things.

As long as you talk.
As long as you kiss.


In the end, both of them, wether it be kissing or talking... are the communication agreement we established between us.

No order. No names. No catalogues.



Will you kiss me now? Or you'd rather talk?






foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/foto1255003.html

sábado, dezembro 20, 2008

Das Logik des Schaffens

ich bewundere sowieso die menschen, die ohnehin sagen können: "ich schaffe es." Ich frage mich ob sie überhaupt meinen, das was sie wirklich sagen.

"Ich schaffe es nicht."
Und ich sage es so jetzt nicht aus Lust. Nicht aus Frust.
Ich sage es aus eigene Entscheidung: "ich schaffe es nicht."

"ich will es nicht schaffen. Ich will nur, dass es passiert."

Irgendwann passiert es auch und ich, die Puppe meines Lebens, geniesse es...

quarta-feira, dezembro 17, 2008

the verb


To cry.... is not a matter of weakness.
No.
To cry... is a matter of letting go,
releasing the bandages of memory that capture us in a moment of emotional openness.






There's no need to remember to cry.
No.
There's no need to remember at all.







I didn't need to remember if only you gave me the chance to forget it all....

terça-feira, dezembro 16, 2008

Quem vê o mar através de um binóculo nunca molha os pés



Acaba aquilo que começaste com a mesma força de vontade que te levou ao início:

viver as coisas a meio é como ver o mar através de um binóculo... está tão perto mas não te pertence. A plenitude da sua água salgada só é tua no momento em que te deixas molhar por ela e é o vai-e-vem das ondas que determina a intimidade que nesse momento se cria.

Quem fica a meio do caminho não se lembra já do início e nem sequer conhece o fim:

e será precisamente este meio-termo entre o vivido e o por-viver que lhe dará a certeza de uma segurança imparcial mas duradoura. Deixa nascer as raízes que brotam dos teus pés e tenta crescer aí, nesse terreno que não é nada mas pode ser tudo. Enquanto tiveres os binóculos poderás sempre ver tudo aquilo que podia um dia ter sido e nunca foi. Desistir não é fraqueza mas sim um acto de coragem... Coragem de parar com a consciência de que não se chegou ao fim, coragem para ver a vida passar á distância de uma lente óptica.

Quem vê o mar através de um binóculo nunca molha os pés. Os meus pés estão molhados até aos joelhos... E no gozo das ondas saboreio a água fresca que o mar me deu - e que é minha nesse momento! Lá em cima... brilha a luz de uma lua cheia que só os meus olhos podem ver mas nunca os teus.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

small orange memories



Stop hunting the ghost of me. Small orange box hiding on the corner... You're the monster in my mind, you're the phantom in my heart.

Stop hunting. Why do you have to be there when I give myself to someone else? What's the point of keeping something you know you will never use anymore?

Stop hunting.
Stop hunting.

Stop being here... I don't want to feel the need of screaming your name when pleasure is bursting out of my veins, my mouth is feeling a new taste, my hands discovering another body. There's no space for you between us...

there should be no room for you here....

You are closed and sealed in this small orange box hidden on the corner of my room.

Stay there.

terça-feira, dezembro 09, 2008

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Os viciados


O prazer traz o teu cheiro e o teu cheiro esconde o prazer.


Ainda não decidi com qual deles quero ficar.

O vício tem algo de mágico escondido. Não se trata de decidir.

Não.

Descobri o outro prazer no querer continuar na roda viva do teu vício:

O prazer traz o teu cheiro.

E o teu cheiro o prazer.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Fair play

No. It is not fair to hide your tears behind the smile of someone else. You should work your tears out and be able to smile for yourself.
And I don't believe it's fair to spend your kisses in someone else's mouth just because the one which owns them doesn't feel like taking them anymore. You pretend to rent a new heart and glue them on the old one. Does it make you feel better? To create new feelings, new emotions that hide the old painful ones. You put your bleeding heart in an orange box and pretend you don't know where you hide it. Nonetheless you know. But it is easier to pretend. It gives you time to play the make believe. Maybe someday you believe in what you want to believe.

Life doesn't give you time for fair plays. You are in and you are supposed to make it roll. No matter how, no matter why.

I know I don't play fair. But... does anyone even bother to ask me if i wanted to play at all?

sábado, novembro 15, 2008

why don't you just go?

You closed the door behind you. You did. There is no way you can't prove the opposite.
You closed the door behind you because you needed, because you wanted, because you couldn't be inside our four walls anymore.

You closed the door behind you and stood in the hallway.


I want to go out. This walls are to big for me alone. I need more space.

Why don't you just go? The hallway is to tight for both of us and i need to go through it alone.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Papel: "porque é que perguntas?"

Pega no lápis e borrata o papel.
Não lhe perguntes para que serve... o papel não responde, nunca vai responder.
Podes indagar, perguntar-te a ti próprio se poderias aproveitar esse pedaço de papel em branco para criar tudo aquilo com que alguma vez sonhaste.

Afinal, neste papel branco tudo é possível, o possível e o impossível, o real ou o imaginário...


Podias ter desenhado árvores cor-de-rosa com frutas de sabor a chocolate....
Podias ter feito um sol com um sorriso de ponta a ponta....
As flores podiam ser do tamanho das casas...
Podia ter existido um coração verdadeiro e vermelho no meio de cada casal apaixonado...
As casas podiam ter todas três janelas e uma porta com uma chaminé a deitar fumo cinzento...
E cada uma delas teria um carro tipo carocha estacionado á porta...

Tudo isto podia ter sido possível... se tu não tivesses perguntado.
Perguntaste.
E o papel não respondeu.


Ficou em branco.



"Mais valia um borrão de tinta."

terça-feira, outubro 21, 2008

Yep.


I guess it is true what people say about me. I guess I am not that normal after all. I guess I don't see the world so black & white. Probably I do too much reading.... Maybe you were right about leaving. You were not used not to feel the ground under your feet and walking on clouds seemed confusing to you.


Perhaps they were all right. It is not right to turn the world around just for your own pleasure and pretending that the time stops for a second is the stupidest thing you could ever do. Yep... I guess you were not ready to realize that you could actually be the world for someone else besides you.

But you know? Fantasy is also only a point of view like being democrat or republican, choosing to believe in God or not. It is actually a rational decision. I guess you could call it crazy... to decide to live in a world where clouds are sweet and grass tastes like fresh beans; the sky can be the ground you walk in and the wind is the swing that makes you jump out of bed every morning; love can be sun that shines through your wind and time stops by your command.


Even though it's crazy... I'd rather live in here.




foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/atravessar_de_bicicleta/foto2052455.html

segunda-feira, outubro 20, 2008

Ia sussurar-te ao ouvido

Quem me dera a mim perceber a Ciência e o Corpo Humano. Como que por magia, criava uma máquina que me deixa-se mudar de cara, de corpo... uma máquina que me fizesse parecer outra pessoa mesmo nao sendo.

E quando estivesse pronta... metia-me no comboio e ia ter contigo. Sussurava-te ao ouvido: sou eu...

Bastava fechar os olhos e deixar o coracao fazer o resto....

sábado, outubro 18, 2008

Books written for girls

You can compliment me on the style of my hair
GIve me marks out of ten for the clothes that I wear
You probably thought I had more upstairs.

I disappoint you.
Can't see through your perfect smile.

He likes to read books written for girls.
He prides himself on being a man of the world.
In the darkest of places he gets his thrills.

He will disappoint you
If you see through his perfect smile.

I think separation is okay.
You're not star to guide me anyway.
You only wanted me to play.
A fool...played by your rules.

Now my door has swollen from the rain.
God knows we'll never see her face again.
People get shattered in many ways.

They can disappoint you.
When you see through
Their perfect smile.

Camera Obscura, Book written for girls


Se a verdade do mundo pudesse sempre ser cantada....

quinta-feira, setembro 25, 2008

Esquece

Esquece o melhor que puderes.
Há drogas e cinema (por
enquanto). Não vais ser tu a aprisionar
os gestos felizes ou sem rumo
de que ainda sou capaz.
Não é nada pessoal, garanto-te.

Bebi sempre demais, acordo
tarde e as crianças estão longe de ser
o meu animal doméstico preferido.
Detesto horários, famílias e obrigações.
Até a partilha dos lençóis,
quando não é o amor a rasgá-los.

Os dias, porém, depressa
nos obrigam ao esterco das rotinas,
ao desejo inútil de procurar
a morte noutros braços

Mas não. Não vou mudar de marca
de cigarros nem de pasta
dentífrica. Acordo logo que puder,
já sabes. Telefono-te rouco,
eventualmente triste, a precisar
de alguma liberdade para poder provar,
sozinho, que a liberdade não existe
mas dá bastante jeito.

E no entanto, depois disto tudo,
é altamente provável que eu te queira
amar. Como não sei melhor, como sei.





Better off without a wife, Manuel de Freitas

domingo, setembro 21, 2008

Os Amantes

"Tenho medo que a liberdade se torne um vício." (Miguel Sousa Tavares, Rio das Flores) Os amantes amam por amor. Não o querer, o fazer, o ter.... mas a magia que se esconde por trás do objecto. Os momentos intensos de desejo, de sonho e de tortura e dor que antecedem a posse... onde tudo se desvanece. O amante é insaciável e a sua fome é aquilo que o define. A fome de amor é a essência do amante. E ele reconhece-o. Reconhece-o com prazer, com dor, com alegria e com tristeza.
O amante busca a utopia inalcançável.... O amante busca as pedras no caminho e não o banho quente no fim de uma caminhada. Quando um caminho termina... abre-se um novo, mais íngreme, mais difícil.. para tornar a busca interminável ainda mais desejada, ainda mais essencial....

O amante busca - consciente da sua derrota - tudo aquilo que os outros não ousam procurar... a eterna sensação de novidade, a eterna sensação de liberdade.

Vício? Talvez.... Acende mais um cigarro, o nosso amante errante... em busca de novos caminhos, novos desafios, novas paradas. Vício? Sim, com certeza... amar é um vício eterno, é o vício da sobrevivência. O cigarro apagou e o corpo pede mais... ele não pode recusar. Sim. A liberdade é o vício do amante... Liberdade é o nome que se dá ao mundo onde habita o Amor.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Os criadores de monstros

São pessoas normais como nós e toda a gente que caminham as mesmas ruas, frequenta os mesmos espaços. Aparentemente. Mas só aparentemente. Os criadores de monstros têm um trabalho vitalício que os ocupa 24 horas por dia e sete dias por semana lá na oficina do pensamento. Peça por peça, vão criando, magicando um pequeno monstrinho. Sozinho. O criador de monstros é um ser solitário. E é ela – a solidão – que alimenta o monstro que ele cria, que lhe dá força, carisma e independência. Egocêntrico. O criador de monstros gosta de si e reconhece (ou será todo esse reconhecimento mera fantasia sua?) que o mundo, as pessoas que o rodeiam não são, não dão, não fazem o suficiente. Nunca é suficiente. O descontentamento é a matéria-prima do nosso criador de monstros. Mas…

No final, o monstro já criado – feio, pavoroso, diabólico – é chegada a conclusão: não existe espaço no mundo para ele. O criador de monstros esconde-o debaixo da sua cama. Por vergonha? Por gozo? O criador de monstros não cria monstros para os outros. Não, ele não quer mal a ninguém… senão a ele próprio. Ele cria os monstros para si, para sua própria companhia. Porque ás vezes é melhor sentir tristeza, dor, indiferença do que não sentir nada de nada.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Brisa das palavras

Era capaz de jurar que senti o chao a girar. Uma leve tendência giratória, aleatória...



Sussuraste-me qualquer coisa ao ouvido... e sim, senti-o.


Ou foste tu que na deliciosa brisa das tuas palavras empurras-te o globo para eu ter uma perspectiva diferente do mundo?









reaccao ao filme Candy de Neil Armfield

segunda-feira, setembro 15, 2008

Coffee & Cigarettes Part VI





Há quanto tempo nao me rio até me doer a barriga.....


Espero que, quando volte a acontecer eu ainda saiba reconhecer o momento de felicidade que é deixar-se levar pelo instinto do riso.








foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/ler___filipe_duarte/foto505105.html

segunda-feira, setembro 08, 2008

A realidade que só tu podes ver

"O surrealismo é uma fusão perfeita entre a técnica e a sensibilidade. À partida, você tem um cenário tecnicamente perfeito ao nível da pintura - tão perfeito que parece quase uma fotografia. Nenhum pormenor escapa; as linhas, as sombras, os contornos estão rigorosamente desenhados: o é o real absoluto. Depois, o retrato começa como que a perder o juízo, a fartar-se de tamanha fidelidade e, de repente, é como se você estivesse aqui a olhar para o ribeiro e, á força de o ver sempre nítido e imutável, fecha os olhos e, quando os abria, via qualquer coisa de absurdo, que não está lá, mas que, na sua imaginação, podia estar. Como....
- Como você, por exemplo....."



in Rio das Flores, Miguel Sousa Tavares


Ás vezes a realidade não é nada daquilo que queremos ver ou sentir.... porque não criar a nossa própria realidade e vivê-la feliz?

segunda-feira, agosto 25, 2008

o equilíbrio das coisas


O teu mundo não cabe só na palma da tua mão....





deixa-o conhecer outros toques, outras texturas









O equilíbrio do teu mundo não depende só de ti......

quarta-feira, agosto 06, 2008

quarta-feira, julho 30, 2008

shortbus



You are so far behind............................. that you think you're first.











imagem extraída de: http://olhares.aeiou.pt/fora_do_mundo_proximo/foto1967423.html

terça-feira, julho 15, 2008

Für dich


Das Glas, aus dem du nie getrunken hast
Der Küchenschrott, den kein Mensch braucht
Und das Plastikobst,
Von dem du dich optisch ernährst
Das alles kommt mit
Und du auch
Das Klavier, auf dem du nicht spielen kannst
Der Abwasch, den du immer verschiebst
Und die Schokolade,
Die du in Krankenhausmengen verbrauchst
Das alles kommt mit
Und ich auch

Ich will deine Hand, ich will deinen Mund
Ich will deinen Kopf, ich will deine Zunge
Ich will deine Haare, ich will deine Haut
Und den ganzen Unsinn
Will ich auch

Die Hoffnungen, die du verlohren hast
Der Zorn, der nie richtig verraucht
Und die verschusselten Träume,
Von denen am Morgen nichts bleibt
Das alles kommt mit
Das brauchen wir auch

Ich will deine Hand, ich will deinen Mund
Ich will deinen Kopf, ich will deine Zunge
Ich will deine Haare, ich will deine Haut
Und den ganzen Kummer
Will ich auch

Die Fehler, die du nicht mehr ändern kannst
Die Worte, die du bereust
Und die Nächte,
In denen du nicht wußtest, wohin mit dir
Die nehmen wir nicht mit
Die lassen wir hier

domingo, julho 13, 2008

coffee & cigarettes - Part V


Dizes isso assim...
como se fosse a coisa mais fácil do mundo: acordar de manhã e ser feliz. Apenas porque sim. Desligar do mundo e dos outros. Simplesmente porque é o melhor.

Tenho que te dizer que não.
O mundo não funciona por controlo remoto e os outros fazem parte da história, sendo todos eles personagens principais do enredo.


Há dias como hoje em que o facto de acordares já depende de outrém e todos os outros brincam com o teu espírito como se ele fosse a bola no meio do campo. E tu não te podes queixar.
Não tens sequer o tempo necessário para o fazer... e mesmo que o tivesses, não farias porque dentro de ti saberias automaticamente que nada do que digas ou penses vai alterar as regras do jogo.
Limitas-te a deixar-te jogar.

E quando o jogo terminar.... deitas a cabeça na almofada e adormeces. Amanhã é outro dia e podes ser tu a dar o pontapé de saída.

quinta-feira, julho 03, 2008

Uma linha de giz à minha volta


Desenha à tua volta com um pedaço de giz esse quadrado imaginário que limita a tua área de existência. Este espaço que ocupas nunca deixará de ser teu...nem hoje, nem amanhã, nem nunca. Com o passar do tempo a linha vai ficando mais ténue e vais ter de ir retocando para que se veja. Sem te dares conta de isso, de retoque em retoque, a tua linha vai ganhando novos tamanhos e novas formas... ás vezes maior ou mais pequena, mais ou menos geométrica.
A tua linha de giz é tão intimamente tua como os pensamentos que te ocupam numa noite de verão. É aquela que marca o teu lugar no mundo, é que a que delimita onde começas e onde acabas.

Danço. E à medida que danço deixo remodelar-se a linha que eu também desenhei em volta do meu pensamento. E num passo de magia sinto o leve toque do momento em que as nossas linhas brevemente se cruzaram.

As linhas não são fronteiras. Posso invadir a tua?

quinta-feira, junho 26, 2008

Na ponta dos dedos




Sinto na ponta dos meus dedos a distância que existe entre nós. Sinto-a e desfruto-a. Essa distância que é tao nossa e tao familiar.

A nossa distância nunca foi maior nem menor do que aquilo que conhecemos hoje. Daquilo que é nosso hoje e será o mesmo amanha.

terça-feira, junho 24, 2008

A Ponte


A ponte que nos une nao é feita de cimento nem de pedras. Ela nao existe para juntar dois pontos geográficos separados por um rio, uma falésia. A ponte que nos une nao tem nenhum objectivo. A ponte que nos une - tanto como nos separa! - nao envelhece com o tempo, nao se torna frágil nem débil.
Nao há carros que passam por cima da nossa ponte. Nao há carros, nao há pessoas e o único movimento que se sente é a brisa do vento que empurra para lá e para cá as palavras que nos temos a dizer.

A nossa ponte está vazia e cheia ao mesmo tempo. Vazia de gentes e coisas, cheia de mim, de ti. Cheia dos sentimentos invisíveis que vamos trocando quase instintivamente um com o outro. Praticamente nem damos conta da velocidade com que os nossos sentimentos voam de um lado ao outro preenchendo um pouco mais cada um de nós, fazendo o tempo parecer mais curto, mais rápido.



Gostava de me puder encontrar contigo agora mesmo no meio da ponte onde o vento sopra mansinho...

domingo, junho 15, 2008

The heart is a lonely hunter






"Go out and find an octopus and put socks on it."











foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/your_picture/foto498023.html
texto de: Carson McCullers, The heart is a lonely hunter

terça-feira, junho 10, 2008

How long is now?



Agora somos tudo aquilo que queremos ou não queremos ser.

Agora rimos ou choramos.
Agora falamos, discutimos, calamos.
Agora andamos, corremos.
Agora paramos.
Agora desejamos que tudo seja diferente.
Agora apoiamos a monotonia.
Agora somos brancos, negros ou coloridos.
Agora somos transparentes.
Agora sonhamos com um mundo melhor.
Agora lutamos.
Agora sentamos em silêncio.
Agora cantamos de alegria.

Agora é agora. Por agora é tudo. E pode ser para sempre.

Tacheles Haus in Berlin

domingo, junho 01, 2008

Some things


Dois olhares quando se cruzam falam entre si. E aquilo que se vão dizendo é um segredo bem guardado pelos dois. Ninguém sabe o que vão dizendo um ao outro. Ninguém sabe as histórias que se vão contando um ao outro nos segundos que se escondem entre o encontro e o desencontro. Os olhares têm uma linguagem própria que chega a ser tão secreta até mesmo para aquele que os possui.


Dois olhares, quando se cruzam, são como o relâmpago que antecede o trovão.



Ambos conhecem a brevidade do momento. E gozam-no.







foto: http://olhares.aeiou.pt/galerias/detalhe_foto.php?origem=7&id=301085

quinta-feira, maio 29, 2008

Devil's lover

René Magritte, The Lovers


Nada. Nada disto que vês e ouves é uma representacao verdadeira da realidade que vivemos. Murmurou entre um suspiro e outro. O que é num instante o mundo, nao é o mundo para sempre e por isso fecha os olhos e espera. Eu aviso-te quando puderes abrir.

terça-feira, maio 27, 2008

Perdi....

Hoje perdi o comboio da inspirição. As palavras foram embora com ele e eu fiquei aqui, sentada no cais vazio do pensamento com malas e bagagens. Tentei correr...mas é preciso aprender a lutar novamente. O corpo acomoda-se ao espaço que ocupa e alma, como que por inerência, vai se sentindo confortável também.

Hoje perdi o comboio das palavras... e quase não me importei.



Estou a tentar reunir as forças necessárias para correr.... se for depressa ainda o apanho na próxima estação.

quarta-feira, maio 14, 2008

Cheiro a terra quando chove


O teu corpo tem...


um cheiro a terra quando chove que me encanta. E, tal como esse acontecimento natural, o teu corpo é tao esporádico na minha vida como as chuvas de verao.









Eu nao me importo. Nao me importo porque a vida é assim mesmo... cheia de chuvas com cheiro a terra, cheia de encontros e desencontros que ganham todo o seu valor pela efemeridade em que acontecem.






O cheiro do teu corpo guardo-o no meu coracao....até á proxima vez.

quarta-feira, maio 07, 2008

Solidão voluntária

Pousa a chave em cima da mesa e cala-te. Por fim...



Ontem apontei na agenda: pensar. Não tive tempo. Não tive espaço.

domingo, maio 04, 2008

Hoje não...

"Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não..."


Fernando Pessoa




P.S. Hoje o meu coração invadiu a minha cabeça, a minha pele, os meus pensamentos...e por isso hoje não posso fazer mais do que isto. E não mais. Hoje estou cansada de me partilhar comigo mesma.

sexta-feira, maio 02, 2008

Quando o silencio é o único que resta...



Nicht mal das Meer darf ich wiedersehen
wo der Wind deine Haare vermisst
wo jede Welle ein Seufzer
und jedes Sandkorn ein Blick von dir ist
Am liebsten wäre ich ein Astronaut
und flöge auf die Sterne wo gar nichts vertraut
und versaut ist durch eine Berührung von dir


Ich werde nie so rein und so dumm sein wie weißes Papier






Element of Crime, Weißes Papier
Foto extraída da página de Daniel Camacho no website Olhares.com

sexta-feira, abril 25, 2008

Porque hoje é dia Sim!


25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo



Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, abril 24, 2008

Thanks to Pi


The reason death sticks so closely to life isn't biological necessity - it's envy. Life is so beautiful that death has fallen in love with it, a jealous possessive love that grabs at what it can.

But life leaps over oblivion lightly, losing only a thing or two of no importance, and gloom is but the passing shadow of a cloud.

terça-feira, abril 08, 2008

Com os olhos virados para dentro

"Eu vejo."
Disse ela a brincar consigo mesma despida em frente ao espelho. No reflexo estava ela, por trás a cama desfeita e o armário cor de pinho que ela escolhera há uns meses atrás. No reflexo estava ela e tudo aquilo que lhe pertencia. "Tudo aquilo que lhe pertencia," ecoou-lhe no pensamento. E deixou-se ficar assim intermitente, esse eco que confirmava a posse e lhe dava sossego. A porta estava fechada e ela continuava em frente ao espelho. Pouco se mexia, pouco se mudava.
Nessa inércia o tempo custava a passar, como se lá fora tudo seguisse o seu rumo mas as paredes impedissem o tempo de invadir este quarto sagrado, esta pessoa divina. Mas nem o tempo tinha para ela demasiada importância, aliás, nem sequer tinha reparado que o ponteiro passou de uma hora a outra e a outra. Se o relógio parasse ela nem se importaria, não é que não reparasse, mas não teria qualquer significado.
Ao fim de umas horas - não sei precisar quantas - vestiu-se. Pôs a roupa que mais a favorecia, olhou-se mais uma vez no espelho. No reflexo...ela, a cama desfeita e armário. Nada mudou, só os adereços que também a ela lhe pertenciam, que também eles eram de certa forma pedaços dela e da sua história.
Abriu a porta e saiu.
Lá fora as pessoas movimentavam-se de um lado para outro com pressa ou mesmo sem ela, tinham objectivos, destinos e outros que as esperavam. O barulho do vento empurrava o tempo de cada e com ele os destinos mudavam-se, adaptavam-se. As vozes entoavam nos becos e os ecos que se ouviam não lhe pertenciam. Começou a sentir o seu coração a bater mais depressa. As vozes não lhe pertenciam, os movimentos também não. E os destinos? Esses tão pouco eram os seus. As coisas mudavam de lugar sem o seu comando e o relógio gigante do tempo girava freneticamente sem parar. E ela sentia-o. Sentia-o com tanta força a influenciar as batidas do seu coração e o seu caminhar. Os seus passos agitados substituiram os pés imóveis que estavam antes parados em frente ao espelho e deu por si a caminhar de olhos fechados e a visualizar o seu quarto onde tudo era como ela queria, onde as coisas só mudavam porque ela assim o desejava.
Gritava dentro da sua alma "eu vejo, eu vejo, eu vejo". E de cada vez que o seu pensamento repetia, imaginava com mais força o espelho com o reflexo do seu corpo, da cama, do armário e o relógio parado.
Entrou e fechou a porta atrás de si.
"Eu vejo." Disse ela. Sem nunca se aperceber que tudo aquilo que quis ver não foi mais do que uma imagem de uma realidade imaginável e criada. Tirou a roupa e atirou-a a um canto. Mais uma vez em frente ao espelho. Ela e o reflexo do seu mundo.
O tempo parou de facto.

quarta-feira, março 19, 2008

sábado, março 15, 2008

no family...but....

Posted by Picasa


Are we there yet???? Não... o horizonte é inantingível, por isso é que é tão especial...

domingo, março 09, 2008

Mundo(s)

Ler é como andar de saltos altos dentro de casa. Como que fazer de conta que és quem não és... e gostar...

sexta-feira, março 07, 2008

Sinónimos

Nao será escolher simplesmente um sinónimo de abdicar? Escolher é a forma positiva que a linguagem humana criou para querer dizer o mesmo que abdicar de uma coisa para ficar com a outra. Nao se trata de o que é melhor ou pior..mas sim de uma decisao de um momento, um impulso, uma reaccao a qualquer factor externo que desperta algum tipo de sentimento ou sensacao.

Por escolhermos algo abdicamos sempre de outro...e abdicamos quase incoscientemente. Inconscientemente porque, por vezes, tarda um pouco até nos apercebermos realmente de que perdemos algo no momento da escolha.

Escolher é um eufemismo da vida.

terça-feira, março 04, 2008

Tonight


Looking out the door
I see the rain fall upon the funeral mourners
Parading in a wake of sad relations
As their shoes fill up with water
Maybe I'm too young
To keep good love from going wrong
But tonight, you're on my mind so
You never know
Broken down and hungry for your love
With no way to feed it
Where are you tonight?
Child, you know how much I need it.
Too young to hold on
And too old to just break free and run
Sometimes a man gets carried away,
When he feels like he should be having his fun
Much too blind to see the damage he's done
Sometimes a man must awake to find that, really,
He has no-one...
So I'll wait for you...
And I'll burn
Will I ever see your sweet return?
Oh, will I ever learn?
Oh, Lover, you should've come over
Cause it's not too late.
Lonely is the room the bed is made
The open window lets the rain in
Burning in the corner is the only one
Who dreams he had you with him
My body turns and yearns for a sleep
That won't ever comeIt's never over,
My kingdom for a kiss upon her shoulder
It's never over,all my riches for her smiles when I slept so soft against her...
It's never over, all my blood for the sweetness of her laughter...
It's never over, she's a tear that hangs inside my soul forever...
But maybe I'm just too young to keep good love
From going wrong
Oh... lover you should've come over...
Yes, and I feel too young to hold on
I'm much too old to break free and run
Too deaf, dumb, and blind
To see the damage I've done
Sweet lover, you should've come over
Oh, love, well I'll wait for you
Lover, you should've come over'
Cause it's not too late.

Hoje apeteceu-me ouvir esta música vezes sem conta. Por tua causa.

sábado, março 01, 2008

Sufoco



Há gente do outro lado. Nao os vejo nem os ouco. Mas há gente do outro lado.

Se encostar o ouvido quase consigo ouvir o barulho que fazem a pensar, os seus coracoes a bater.

Há gente do outro lado. Há gente do outro lado.


Porque é que nao deixam passar?

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Arte Social


O essencial deveria ser invisível aos olhos.
Mas por vezes... nao é.

sábado, fevereiro 23, 2008

Reflexo sem espelho

Um corpo que existe e não se vê.



Um sentimento que se sente e não se exprime.



Um grito que se comprime até a absorção.




Um reflexo que nega a sua existência em frente a um espelho e não se vê.


Por todas as palavras que ficam por dizer....

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

terça-feira, fevereiro 05, 2008

The collection

To collect: to bring or gather something together. (Oxford Dictionary)

People do it almost unconsciously. They collect.Practical people collect stamps or postcards. Sentimental people collect love letters. Nostalgic people collect photos from old good days. Curious people collect antiquities. Organized people collect restaurant bills. But all of them collect something in common. All of them collect pieces. People can't be taken as a whole. Each person is a collection of pieces from another person, from a odd experience. And without noticing they are building a neverending collection.

The collection of each is alive. Sometimes it breaks and the time comes to put the pieces all back together. Nonetheless you will never be sure that you can build the same collection you had before.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Alter Ego

"This is the image from which he was born. (...) characters are not like people, of woman: they are born of a situation, a sentence, a metaphor containing in a nutshell a basic human possibility the the author thinks no one else has discovered or said something else essential about.
But isn't true that an author can write only about himself?
Staring impotently across a courtyard, at a loss for what to do; hearing the pertinacious rumbling of one's own stomach during a moment of love; betrying, yet lacking the will to abandon the glamorous path of betrayal; raising one's fist with the crowds in the Grand March; displaying one's wit before hidden microphones. (...) The characters in my novels are my own unrealized possibilities. That's why I am equally fond of all of them and equally horrified by them. Each one has crossed a border that I myself have circumvented. It is that crossed border which attracts me the most. For beyond that border begins the secret the novel asks about. The novel is not the author's confession: it is an investigation of human life in the trap the world has become. "


Milan Kundera, The unbearable lightness of being

sexta-feira, janeiro 18, 2008

As paredes

As paredes à volta do meu coração não se parecem às de uma casa. As paredes que o limitam são brancas e não guardam recordações de histórias anteriores que gosto de recordar. As paredes que rodeiam o meu coração não têm janelas, nem portas. As paredes são brancas e na sua candidez posso pintar reflexos do que eu sei que se escondem depois delas.


As paredes à volta do meu coração fui eu que as construí. E o cansaço não me deixa agora deitá-las abaixo e eu já não gosto daquilo que pintei.


As paredes à volta do meu coração são muros.

sábado, janeiro 12, 2008

Kannst du die Musik spüren?



Em alemao "spüren" significa sentir. Mas nao se trata de um sentir qualquer. A língua portuguesa tem uma certa ambiguidade, por vezes bastante, vulnerável. Em português tudo se sente. Sente-se o cheiro. Sente-se o sabor. Sente-se a música. Sente-se o vento. Sente-se o metal frio das chaves que abrem a porta de casa.

Voltemos ao "spüren". Sim, "spüren" significar sentir. Mas nao se trata de um sentir ambíguo(como o nosso!), "spüren" significa sentir algo com as maos, com o corpo. "Spüren" é o sentimento que fica depois do toque, seja ele leve ou intenso, frio ou quente, carinhoso ou agressivo. E agora a pergunta do meu título é: Consegues "sentir" a música?

Deita-te no chao de barriga para baixo. Fecha os olhos. Deixa a música tocar bem alto.

Spürst du das?

inspirado no filme de Carline Link, Jenseits der Stille, no qual a música tem de entrar no coracao sem utilizar os ouvidos.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

You can run but you can't hide

Cortaram os trigos.



Agora a minha solidao vê-se melhor.





Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Don't think



"I keep trying", she says.

"Are you getting somewhere?"
"Nowhere."
Stop. Don't think. React. Life can be a jungle without thinking....and maybe you might like it that way.