terça-feira, dezembro 09, 2008

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Os viciados


O prazer traz o teu cheiro e o teu cheiro esconde o prazer.


Ainda não decidi com qual deles quero ficar.

O vício tem algo de mágico escondido. Não se trata de decidir.

Não.

Descobri o outro prazer no querer continuar na roda viva do teu vício:

O prazer traz o teu cheiro.

E o teu cheiro o prazer.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Fair play

No. It is not fair to hide your tears behind the smile of someone else. You should work your tears out and be able to smile for yourself.
And I don't believe it's fair to spend your kisses in someone else's mouth just because the one which owns them doesn't feel like taking them anymore. You pretend to rent a new heart and glue them on the old one. Does it make you feel better? To create new feelings, new emotions that hide the old painful ones. You put your bleeding heart in an orange box and pretend you don't know where you hide it. Nonetheless you know. But it is easier to pretend. It gives you time to play the make believe. Maybe someday you believe in what you want to believe.

Life doesn't give you time for fair plays. You are in and you are supposed to make it roll. No matter how, no matter why.

I know I don't play fair. But... does anyone even bother to ask me if i wanted to play at all?

sábado, novembro 15, 2008

why don't you just go?

You closed the door behind you. You did. There is no way you can't prove the opposite.
You closed the door behind you because you needed, because you wanted, because you couldn't be inside our four walls anymore.

You closed the door behind you and stood in the hallway.


I want to go out. This walls are to big for me alone. I need more space.

Why don't you just go? The hallway is to tight for both of us and i need to go through it alone.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Papel: "porque é que perguntas?"

Pega no lápis e borrata o papel.
Não lhe perguntes para que serve... o papel não responde, nunca vai responder.
Podes indagar, perguntar-te a ti próprio se poderias aproveitar esse pedaço de papel em branco para criar tudo aquilo com que alguma vez sonhaste.

Afinal, neste papel branco tudo é possível, o possível e o impossível, o real ou o imaginário...


Podias ter desenhado árvores cor-de-rosa com frutas de sabor a chocolate....
Podias ter feito um sol com um sorriso de ponta a ponta....
As flores podiam ser do tamanho das casas...
Podia ter existido um coração verdadeiro e vermelho no meio de cada casal apaixonado...
As casas podiam ter todas três janelas e uma porta com uma chaminé a deitar fumo cinzento...
E cada uma delas teria um carro tipo carocha estacionado á porta...

Tudo isto podia ter sido possível... se tu não tivesses perguntado.
Perguntaste.
E o papel não respondeu.


Ficou em branco.



"Mais valia um borrão de tinta."

terça-feira, outubro 21, 2008

Yep.


I guess it is true what people say about me. I guess I am not that normal after all. I guess I don't see the world so black & white. Probably I do too much reading.... Maybe you were right about leaving. You were not used not to feel the ground under your feet and walking on clouds seemed confusing to you.


Perhaps they were all right. It is not right to turn the world around just for your own pleasure and pretending that the time stops for a second is the stupidest thing you could ever do. Yep... I guess you were not ready to realize that you could actually be the world for someone else besides you.

But you know? Fantasy is also only a point of view like being democrat or republican, choosing to believe in God or not. It is actually a rational decision. I guess you could call it crazy... to decide to live in a world where clouds are sweet and grass tastes like fresh beans; the sky can be the ground you walk in and the wind is the swing that makes you jump out of bed every morning; love can be sun that shines through your wind and time stops by your command.


Even though it's crazy... I'd rather live in here.




foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/atravessar_de_bicicleta/foto2052455.html

segunda-feira, outubro 20, 2008

Ia sussurar-te ao ouvido

Quem me dera a mim perceber a Ciência e o Corpo Humano. Como que por magia, criava uma máquina que me deixa-se mudar de cara, de corpo... uma máquina que me fizesse parecer outra pessoa mesmo nao sendo.

E quando estivesse pronta... metia-me no comboio e ia ter contigo. Sussurava-te ao ouvido: sou eu...

Bastava fechar os olhos e deixar o coracao fazer o resto....

sábado, outubro 18, 2008

Books written for girls

You can compliment me on the style of my hair
GIve me marks out of ten for the clothes that I wear
You probably thought I had more upstairs.

I disappoint you.
Can't see through your perfect smile.

He likes to read books written for girls.
He prides himself on being a man of the world.
In the darkest of places he gets his thrills.

He will disappoint you
If you see through his perfect smile.

I think separation is okay.
You're not star to guide me anyway.
You only wanted me to play.
A fool...played by your rules.

Now my door has swollen from the rain.
God knows we'll never see her face again.
People get shattered in many ways.

They can disappoint you.
When you see through
Their perfect smile.

Camera Obscura, Book written for girls


Se a verdade do mundo pudesse sempre ser cantada....

quinta-feira, setembro 25, 2008

Esquece

Esquece o melhor que puderes.
Há drogas e cinema (por
enquanto). Não vais ser tu a aprisionar
os gestos felizes ou sem rumo
de que ainda sou capaz.
Não é nada pessoal, garanto-te.

Bebi sempre demais, acordo
tarde e as crianças estão longe de ser
o meu animal doméstico preferido.
Detesto horários, famílias e obrigações.
Até a partilha dos lençóis,
quando não é o amor a rasgá-los.

Os dias, porém, depressa
nos obrigam ao esterco das rotinas,
ao desejo inútil de procurar
a morte noutros braços

Mas não. Não vou mudar de marca
de cigarros nem de pasta
dentífrica. Acordo logo que puder,
já sabes. Telefono-te rouco,
eventualmente triste, a precisar
de alguma liberdade para poder provar,
sozinho, que a liberdade não existe
mas dá bastante jeito.

E no entanto, depois disto tudo,
é altamente provável que eu te queira
amar. Como não sei melhor, como sei.





Better off without a wife, Manuel de Freitas

domingo, setembro 21, 2008

Os Amantes

"Tenho medo que a liberdade se torne um vício." (Miguel Sousa Tavares, Rio das Flores) Os amantes amam por amor. Não o querer, o fazer, o ter.... mas a magia que se esconde por trás do objecto. Os momentos intensos de desejo, de sonho e de tortura e dor que antecedem a posse... onde tudo se desvanece. O amante é insaciável e a sua fome é aquilo que o define. A fome de amor é a essência do amante. E ele reconhece-o. Reconhece-o com prazer, com dor, com alegria e com tristeza.
O amante busca a utopia inalcançável.... O amante busca as pedras no caminho e não o banho quente no fim de uma caminhada. Quando um caminho termina... abre-se um novo, mais íngreme, mais difícil.. para tornar a busca interminável ainda mais desejada, ainda mais essencial....

O amante busca - consciente da sua derrota - tudo aquilo que os outros não ousam procurar... a eterna sensação de novidade, a eterna sensação de liberdade.

Vício? Talvez.... Acende mais um cigarro, o nosso amante errante... em busca de novos caminhos, novos desafios, novas paradas. Vício? Sim, com certeza... amar é um vício eterno, é o vício da sobrevivência. O cigarro apagou e o corpo pede mais... ele não pode recusar. Sim. A liberdade é o vício do amante... Liberdade é o nome que se dá ao mundo onde habita o Amor.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Os criadores de monstros

São pessoas normais como nós e toda a gente que caminham as mesmas ruas, frequenta os mesmos espaços. Aparentemente. Mas só aparentemente. Os criadores de monstros têm um trabalho vitalício que os ocupa 24 horas por dia e sete dias por semana lá na oficina do pensamento. Peça por peça, vão criando, magicando um pequeno monstrinho. Sozinho. O criador de monstros é um ser solitário. E é ela – a solidão – que alimenta o monstro que ele cria, que lhe dá força, carisma e independência. Egocêntrico. O criador de monstros gosta de si e reconhece (ou será todo esse reconhecimento mera fantasia sua?) que o mundo, as pessoas que o rodeiam não são, não dão, não fazem o suficiente. Nunca é suficiente. O descontentamento é a matéria-prima do nosso criador de monstros. Mas…

No final, o monstro já criado – feio, pavoroso, diabólico – é chegada a conclusão: não existe espaço no mundo para ele. O criador de monstros esconde-o debaixo da sua cama. Por vergonha? Por gozo? O criador de monstros não cria monstros para os outros. Não, ele não quer mal a ninguém… senão a ele próprio. Ele cria os monstros para si, para sua própria companhia. Porque ás vezes é melhor sentir tristeza, dor, indiferença do que não sentir nada de nada.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Brisa das palavras

Era capaz de jurar que senti o chao a girar. Uma leve tendência giratória, aleatória...



Sussuraste-me qualquer coisa ao ouvido... e sim, senti-o.


Ou foste tu que na deliciosa brisa das tuas palavras empurras-te o globo para eu ter uma perspectiva diferente do mundo?









reaccao ao filme Candy de Neil Armfield

segunda-feira, setembro 15, 2008

Coffee & Cigarettes Part VI





Há quanto tempo nao me rio até me doer a barriga.....


Espero que, quando volte a acontecer eu ainda saiba reconhecer o momento de felicidade que é deixar-se levar pelo instinto do riso.








foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/ler___filipe_duarte/foto505105.html

segunda-feira, setembro 08, 2008

A realidade que só tu podes ver

"O surrealismo é uma fusão perfeita entre a técnica e a sensibilidade. À partida, você tem um cenário tecnicamente perfeito ao nível da pintura - tão perfeito que parece quase uma fotografia. Nenhum pormenor escapa; as linhas, as sombras, os contornos estão rigorosamente desenhados: o é o real absoluto. Depois, o retrato começa como que a perder o juízo, a fartar-se de tamanha fidelidade e, de repente, é como se você estivesse aqui a olhar para o ribeiro e, á força de o ver sempre nítido e imutável, fecha os olhos e, quando os abria, via qualquer coisa de absurdo, que não está lá, mas que, na sua imaginação, podia estar. Como....
- Como você, por exemplo....."



in Rio das Flores, Miguel Sousa Tavares


Ás vezes a realidade não é nada daquilo que queremos ver ou sentir.... porque não criar a nossa própria realidade e vivê-la feliz?

segunda-feira, agosto 25, 2008

o equilíbrio das coisas


O teu mundo não cabe só na palma da tua mão....





deixa-o conhecer outros toques, outras texturas









O equilíbrio do teu mundo não depende só de ti......

quarta-feira, agosto 06, 2008

quarta-feira, julho 30, 2008

shortbus



You are so far behind............................. that you think you're first.











imagem extraída de: http://olhares.aeiou.pt/fora_do_mundo_proximo/foto1967423.html

terça-feira, julho 15, 2008

Für dich


Das Glas, aus dem du nie getrunken hast
Der Küchenschrott, den kein Mensch braucht
Und das Plastikobst,
Von dem du dich optisch ernährst
Das alles kommt mit
Und du auch
Das Klavier, auf dem du nicht spielen kannst
Der Abwasch, den du immer verschiebst
Und die Schokolade,
Die du in Krankenhausmengen verbrauchst
Das alles kommt mit
Und ich auch

Ich will deine Hand, ich will deinen Mund
Ich will deinen Kopf, ich will deine Zunge
Ich will deine Haare, ich will deine Haut
Und den ganzen Unsinn
Will ich auch

Die Hoffnungen, die du verlohren hast
Der Zorn, der nie richtig verraucht
Und die verschusselten Träume,
Von denen am Morgen nichts bleibt
Das alles kommt mit
Das brauchen wir auch

Ich will deine Hand, ich will deinen Mund
Ich will deinen Kopf, ich will deine Zunge
Ich will deine Haare, ich will deine Haut
Und den ganzen Kummer
Will ich auch

Die Fehler, die du nicht mehr ändern kannst
Die Worte, die du bereust
Und die Nächte,
In denen du nicht wußtest, wohin mit dir
Die nehmen wir nicht mit
Die lassen wir hier

domingo, julho 13, 2008

coffee & cigarettes - Part V


Dizes isso assim...
como se fosse a coisa mais fácil do mundo: acordar de manhã e ser feliz. Apenas porque sim. Desligar do mundo e dos outros. Simplesmente porque é o melhor.

Tenho que te dizer que não.
O mundo não funciona por controlo remoto e os outros fazem parte da história, sendo todos eles personagens principais do enredo.


Há dias como hoje em que o facto de acordares já depende de outrém e todos os outros brincam com o teu espírito como se ele fosse a bola no meio do campo. E tu não te podes queixar.
Não tens sequer o tempo necessário para o fazer... e mesmo que o tivesses, não farias porque dentro de ti saberias automaticamente que nada do que digas ou penses vai alterar as regras do jogo.
Limitas-te a deixar-te jogar.

E quando o jogo terminar.... deitas a cabeça na almofada e adormeces. Amanhã é outro dia e podes ser tu a dar o pontapé de saída.

quinta-feira, julho 03, 2008

Uma linha de giz à minha volta


Desenha à tua volta com um pedaço de giz esse quadrado imaginário que limita a tua área de existência. Este espaço que ocupas nunca deixará de ser teu...nem hoje, nem amanhã, nem nunca. Com o passar do tempo a linha vai ficando mais ténue e vais ter de ir retocando para que se veja. Sem te dares conta de isso, de retoque em retoque, a tua linha vai ganhando novos tamanhos e novas formas... ás vezes maior ou mais pequena, mais ou menos geométrica.
A tua linha de giz é tão intimamente tua como os pensamentos que te ocupam numa noite de verão. É aquela que marca o teu lugar no mundo, é que a que delimita onde começas e onde acabas.

Danço. E à medida que danço deixo remodelar-se a linha que eu também desenhei em volta do meu pensamento. E num passo de magia sinto o leve toque do momento em que as nossas linhas brevemente se cruzaram.

As linhas não são fronteiras. Posso invadir a tua?

quinta-feira, junho 26, 2008

Na ponta dos dedos




Sinto na ponta dos meus dedos a distância que existe entre nós. Sinto-a e desfruto-a. Essa distância que é tao nossa e tao familiar.

A nossa distância nunca foi maior nem menor do que aquilo que conhecemos hoje. Daquilo que é nosso hoje e será o mesmo amanha.

terça-feira, junho 24, 2008

A Ponte


A ponte que nos une nao é feita de cimento nem de pedras. Ela nao existe para juntar dois pontos geográficos separados por um rio, uma falésia. A ponte que nos une nao tem nenhum objectivo. A ponte que nos une - tanto como nos separa! - nao envelhece com o tempo, nao se torna frágil nem débil.
Nao há carros que passam por cima da nossa ponte. Nao há carros, nao há pessoas e o único movimento que se sente é a brisa do vento que empurra para lá e para cá as palavras que nos temos a dizer.

A nossa ponte está vazia e cheia ao mesmo tempo. Vazia de gentes e coisas, cheia de mim, de ti. Cheia dos sentimentos invisíveis que vamos trocando quase instintivamente um com o outro. Praticamente nem damos conta da velocidade com que os nossos sentimentos voam de um lado ao outro preenchendo um pouco mais cada um de nós, fazendo o tempo parecer mais curto, mais rápido.



Gostava de me puder encontrar contigo agora mesmo no meio da ponte onde o vento sopra mansinho...

domingo, junho 15, 2008

The heart is a lonely hunter






"Go out and find an octopus and put socks on it."











foto extraída de: http://olhares.aeiou.pt/your_picture/foto498023.html
texto de: Carson McCullers, The heart is a lonely hunter

terça-feira, junho 10, 2008

How long is now?



Agora somos tudo aquilo que queremos ou não queremos ser.

Agora rimos ou choramos.
Agora falamos, discutimos, calamos.
Agora andamos, corremos.
Agora paramos.
Agora desejamos que tudo seja diferente.
Agora apoiamos a monotonia.
Agora somos brancos, negros ou coloridos.
Agora somos transparentes.
Agora sonhamos com um mundo melhor.
Agora lutamos.
Agora sentamos em silêncio.
Agora cantamos de alegria.

Agora é agora. Por agora é tudo. E pode ser para sempre.

Tacheles Haus in Berlin

domingo, junho 01, 2008

Some things


Dois olhares quando se cruzam falam entre si. E aquilo que se vão dizendo é um segredo bem guardado pelos dois. Ninguém sabe o que vão dizendo um ao outro. Ninguém sabe as histórias que se vão contando um ao outro nos segundos que se escondem entre o encontro e o desencontro. Os olhares têm uma linguagem própria que chega a ser tão secreta até mesmo para aquele que os possui.


Dois olhares, quando se cruzam, são como o relâmpago que antecede o trovão.



Ambos conhecem a brevidade do momento. E gozam-no.







foto: http://olhares.aeiou.pt/galerias/detalhe_foto.php?origem=7&id=301085

quinta-feira, maio 29, 2008

Devil's lover

René Magritte, The Lovers


Nada. Nada disto que vês e ouves é uma representacao verdadeira da realidade que vivemos. Murmurou entre um suspiro e outro. O que é num instante o mundo, nao é o mundo para sempre e por isso fecha os olhos e espera. Eu aviso-te quando puderes abrir.

terça-feira, maio 27, 2008

Perdi....

Hoje perdi o comboio da inspirição. As palavras foram embora com ele e eu fiquei aqui, sentada no cais vazio do pensamento com malas e bagagens. Tentei correr...mas é preciso aprender a lutar novamente. O corpo acomoda-se ao espaço que ocupa e alma, como que por inerência, vai se sentindo confortável também.

Hoje perdi o comboio das palavras... e quase não me importei.



Estou a tentar reunir as forças necessárias para correr.... se for depressa ainda o apanho na próxima estação.

quarta-feira, maio 14, 2008

Cheiro a terra quando chove


O teu corpo tem...


um cheiro a terra quando chove que me encanta. E, tal como esse acontecimento natural, o teu corpo é tao esporádico na minha vida como as chuvas de verao.









Eu nao me importo. Nao me importo porque a vida é assim mesmo... cheia de chuvas com cheiro a terra, cheia de encontros e desencontros que ganham todo o seu valor pela efemeridade em que acontecem.






O cheiro do teu corpo guardo-o no meu coracao....até á proxima vez.

quarta-feira, maio 07, 2008

Solidão voluntária

Pousa a chave em cima da mesa e cala-te. Por fim...



Ontem apontei na agenda: pensar. Não tive tempo. Não tive espaço.

domingo, maio 04, 2008

Hoje não...

"Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não..."


Fernando Pessoa




P.S. Hoje o meu coração invadiu a minha cabeça, a minha pele, os meus pensamentos...e por isso hoje não posso fazer mais do que isto. E não mais. Hoje estou cansada de me partilhar comigo mesma.

sexta-feira, maio 02, 2008

Quando o silencio é o único que resta...



Nicht mal das Meer darf ich wiedersehen
wo der Wind deine Haare vermisst
wo jede Welle ein Seufzer
und jedes Sandkorn ein Blick von dir ist
Am liebsten wäre ich ein Astronaut
und flöge auf die Sterne wo gar nichts vertraut
und versaut ist durch eine Berührung von dir


Ich werde nie so rein und so dumm sein wie weißes Papier






Element of Crime, Weißes Papier
Foto extraída da página de Daniel Camacho no website Olhares.com

sexta-feira, abril 25, 2008

Porque hoje é dia Sim!


25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo



Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, abril 24, 2008

Thanks to Pi


The reason death sticks so closely to life isn't biological necessity - it's envy. Life is so beautiful that death has fallen in love with it, a jealous possessive love that grabs at what it can.

But life leaps over oblivion lightly, losing only a thing or two of no importance, and gloom is but the passing shadow of a cloud.

terça-feira, abril 08, 2008

Com os olhos virados para dentro

"Eu vejo."
Disse ela a brincar consigo mesma despida em frente ao espelho. No reflexo estava ela, por trás a cama desfeita e o armário cor de pinho que ela escolhera há uns meses atrás. No reflexo estava ela e tudo aquilo que lhe pertencia. "Tudo aquilo que lhe pertencia," ecoou-lhe no pensamento. E deixou-se ficar assim intermitente, esse eco que confirmava a posse e lhe dava sossego. A porta estava fechada e ela continuava em frente ao espelho. Pouco se mexia, pouco se mudava.
Nessa inércia o tempo custava a passar, como se lá fora tudo seguisse o seu rumo mas as paredes impedissem o tempo de invadir este quarto sagrado, esta pessoa divina. Mas nem o tempo tinha para ela demasiada importância, aliás, nem sequer tinha reparado que o ponteiro passou de uma hora a outra e a outra. Se o relógio parasse ela nem se importaria, não é que não reparasse, mas não teria qualquer significado.
Ao fim de umas horas - não sei precisar quantas - vestiu-se. Pôs a roupa que mais a favorecia, olhou-se mais uma vez no espelho. No reflexo...ela, a cama desfeita e armário. Nada mudou, só os adereços que também a ela lhe pertenciam, que também eles eram de certa forma pedaços dela e da sua história.
Abriu a porta e saiu.
Lá fora as pessoas movimentavam-se de um lado para outro com pressa ou mesmo sem ela, tinham objectivos, destinos e outros que as esperavam. O barulho do vento empurrava o tempo de cada e com ele os destinos mudavam-se, adaptavam-se. As vozes entoavam nos becos e os ecos que se ouviam não lhe pertenciam. Começou a sentir o seu coração a bater mais depressa. As vozes não lhe pertenciam, os movimentos também não. E os destinos? Esses tão pouco eram os seus. As coisas mudavam de lugar sem o seu comando e o relógio gigante do tempo girava freneticamente sem parar. E ela sentia-o. Sentia-o com tanta força a influenciar as batidas do seu coração e o seu caminhar. Os seus passos agitados substituiram os pés imóveis que estavam antes parados em frente ao espelho e deu por si a caminhar de olhos fechados e a visualizar o seu quarto onde tudo era como ela queria, onde as coisas só mudavam porque ela assim o desejava.
Gritava dentro da sua alma "eu vejo, eu vejo, eu vejo". E de cada vez que o seu pensamento repetia, imaginava com mais força o espelho com o reflexo do seu corpo, da cama, do armário e o relógio parado.
Entrou e fechou a porta atrás de si.
"Eu vejo." Disse ela. Sem nunca se aperceber que tudo aquilo que quis ver não foi mais do que uma imagem de uma realidade imaginável e criada. Tirou a roupa e atirou-a a um canto. Mais uma vez em frente ao espelho. Ela e o reflexo do seu mundo.
O tempo parou de facto.

quarta-feira, março 19, 2008

sábado, março 15, 2008

no family...but....

Posted by Picasa


Are we there yet???? Não... o horizonte é inantingível, por isso é que é tão especial...

domingo, março 09, 2008

Mundo(s)

Ler é como andar de saltos altos dentro de casa. Como que fazer de conta que és quem não és... e gostar...

sexta-feira, março 07, 2008

Sinónimos

Nao será escolher simplesmente um sinónimo de abdicar? Escolher é a forma positiva que a linguagem humana criou para querer dizer o mesmo que abdicar de uma coisa para ficar com a outra. Nao se trata de o que é melhor ou pior..mas sim de uma decisao de um momento, um impulso, uma reaccao a qualquer factor externo que desperta algum tipo de sentimento ou sensacao.

Por escolhermos algo abdicamos sempre de outro...e abdicamos quase incoscientemente. Inconscientemente porque, por vezes, tarda um pouco até nos apercebermos realmente de que perdemos algo no momento da escolha.

Escolher é um eufemismo da vida.

terça-feira, março 04, 2008

Tonight


Looking out the door
I see the rain fall upon the funeral mourners
Parading in a wake of sad relations
As their shoes fill up with water
Maybe I'm too young
To keep good love from going wrong
But tonight, you're on my mind so
You never know
Broken down and hungry for your love
With no way to feed it
Where are you tonight?
Child, you know how much I need it.
Too young to hold on
And too old to just break free and run
Sometimes a man gets carried away,
When he feels like he should be having his fun
Much too blind to see the damage he's done
Sometimes a man must awake to find that, really,
He has no-one...
So I'll wait for you...
And I'll burn
Will I ever see your sweet return?
Oh, will I ever learn?
Oh, Lover, you should've come over
Cause it's not too late.
Lonely is the room the bed is made
The open window lets the rain in
Burning in the corner is the only one
Who dreams he had you with him
My body turns and yearns for a sleep
That won't ever comeIt's never over,
My kingdom for a kiss upon her shoulder
It's never over,all my riches for her smiles when I slept so soft against her...
It's never over, all my blood for the sweetness of her laughter...
It's never over, she's a tear that hangs inside my soul forever...
But maybe I'm just too young to keep good love
From going wrong
Oh... lover you should've come over...
Yes, and I feel too young to hold on
I'm much too old to break free and run
Too deaf, dumb, and blind
To see the damage I've done
Sweet lover, you should've come over
Oh, love, well I'll wait for you
Lover, you should've come over'
Cause it's not too late.

Hoje apeteceu-me ouvir esta música vezes sem conta. Por tua causa.

sábado, março 01, 2008

Sufoco



Há gente do outro lado. Nao os vejo nem os ouco. Mas há gente do outro lado.

Se encostar o ouvido quase consigo ouvir o barulho que fazem a pensar, os seus coracoes a bater.

Há gente do outro lado. Há gente do outro lado.


Porque é que nao deixam passar?

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Arte Social


O essencial deveria ser invisível aos olhos.
Mas por vezes... nao é.

sábado, fevereiro 23, 2008

Reflexo sem espelho

Um corpo que existe e não se vê.



Um sentimento que se sente e não se exprime.



Um grito que se comprime até a absorção.




Um reflexo que nega a sua existência em frente a um espelho e não se vê.


Por todas as palavras que ficam por dizer....

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

terça-feira, fevereiro 05, 2008

The collection

To collect: to bring or gather something together. (Oxford Dictionary)

People do it almost unconsciously. They collect.Practical people collect stamps or postcards. Sentimental people collect love letters. Nostalgic people collect photos from old good days. Curious people collect antiquities. Organized people collect restaurant bills. But all of them collect something in common. All of them collect pieces. People can't be taken as a whole. Each person is a collection of pieces from another person, from a odd experience. And without noticing they are building a neverending collection.

The collection of each is alive. Sometimes it breaks and the time comes to put the pieces all back together. Nonetheless you will never be sure that you can build the same collection you had before.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Alter Ego

"This is the image from which he was born. (...) characters are not like people, of woman: they are born of a situation, a sentence, a metaphor containing in a nutshell a basic human possibility the the author thinks no one else has discovered or said something else essential about.
But isn't true that an author can write only about himself?
Staring impotently across a courtyard, at a loss for what to do; hearing the pertinacious rumbling of one's own stomach during a moment of love; betrying, yet lacking the will to abandon the glamorous path of betrayal; raising one's fist with the crowds in the Grand March; displaying one's wit before hidden microphones. (...) The characters in my novels are my own unrealized possibilities. That's why I am equally fond of all of them and equally horrified by them. Each one has crossed a border that I myself have circumvented. It is that crossed border which attracts me the most. For beyond that border begins the secret the novel asks about. The novel is not the author's confession: it is an investigation of human life in the trap the world has become. "


Milan Kundera, The unbearable lightness of being

sexta-feira, janeiro 18, 2008

As paredes

As paredes à volta do meu coração não se parecem às de uma casa. As paredes que o limitam são brancas e não guardam recordações de histórias anteriores que gosto de recordar. As paredes que rodeiam o meu coração não têm janelas, nem portas. As paredes são brancas e na sua candidez posso pintar reflexos do que eu sei que se escondem depois delas.


As paredes à volta do meu coração fui eu que as construí. E o cansaço não me deixa agora deitá-las abaixo e eu já não gosto daquilo que pintei.


As paredes à volta do meu coração são muros.

sábado, janeiro 12, 2008

Kannst du die Musik spüren?



Em alemao "spüren" significa sentir. Mas nao se trata de um sentir qualquer. A língua portuguesa tem uma certa ambiguidade, por vezes bastante, vulnerável. Em português tudo se sente. Sente-se o cheiro. Sente-se o sabor. Sente-se a música. Sente-se o vento. Sente-se o metal frio das chaves que abrem a porta de casa.

Voltemos ao "spüren". Sim, "spüren" significar sentir. Mas nao se trata de um sentir ambíguo(como o nosso!), "spüren" significa sentir algo com as maos, com o corpo. "Spüren" é o sentimento que fica depois do toque, seja ele leve ou intenso, frio ou quente, carinhoso ou agressivo. E agora a pergunta do meu título é: Consegues "sentir" a música?

Deita-te no chao de barriga para baixo. Fecha os olhos. Deixa a música tocar bem alto.

Spürst du das?

inspirado no filme de Carline Link, Jenseits der Stille, no qual a música tem de entrar no coracao sem utilizar os ouvidos.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

You can run but you can't hide

Cortaram os trigos.



Agora a minha solidao vê-se melhor.





Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Don't think



"I keep trying", she says.

"Are you getting somewhere?"
"Nowhere."
Stop. Don't think. React. Life can be a jungle without thinking....and maybe you might like it that way.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Ponto Final. Parágrafo.

Ponto final. Assim termina mais um ano; igual a todos os outros anos que foram terminando ao longo da vida. Fazem-se balancos, analisam alegrias e tristes e nos últimos segundos que restam podesse até dizer que este foi melhor que o anterior, mas principalmente desejar que o próximo mantenha esta sensacao evolutiva.

10, 9, 8....3,2,1. E desta forma comeca um novo parágrafo da vida que promete novas experiencias. Nunca se sabe ao certo o que ele irá trazer: coisas boas, coisas más, momentos alegres e outros tristes...cada qual tem os seus hábitos e tradicoes. Este propus-me fazer uma lista daquilo que me desejo para 2008 e o resultado foi:


1. Ser feliz.


Ponto final.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Xibalba



"Finish it."

Como a nébula, também os humanos morrem para generar a vida.

"O.K."

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Ilusão de óptica

Poder-se-ia dizer que é tudo uma questão de tamanho. Com mais de um metro e cinquenta já não é permitido fazer birra nem sonhar com casas feitas de chocolate que nunca mais acaba.
Sim, o tamanho aparentemente importa bastante. Até porque crescer não é uma decisão própria.

Crescer acontece.

Quando as calças de remendos começam a ficar acima do tornozelo e ameaçam a descida da cortina vermelha, já não há muito que se possa fazer para salvar aquilo que resta de uma inocência a ponto de ser perdida.

Mas ao olhar no espelho a imagem que este reflecte não é necessariamente a verdade que se esconde por trás da pele.


Lá no fundo, a pergunta "O que é que vou ser quando for grande?" ecoa fechada num baú esquecido.


O tamanho diz que não é permitido hesitar.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Monstros debaixo da cama







Ao fundo ouve-se um rouco e leve "but when she calls, I know she's the one, makes me want her harder, makes me want to be a little stronger, still I see monsters."







Por quanto tempo mais terei medo dos monstros que habitam no meu peito?

sexta-feira, novembro 23, 2007

Glück Nr. 5

Manchmal bedeutet Glück, etwas nicht zu begreifen.
(Por vezes a felicidade existe por nao entendermos o sentido das coisas)





Francois Lelord

terça-feira, novembro 20, 2007

porque sim

Vamos supor que sim.

Sim. O rumo das coisas pode às vezes ser aquele que desejamos e raramente tivemos.

Deixemo-nos acreditar que sim.

Sim. O sonho consegue por vezes ser o espelho da realidade ainda nao vivida.

Vamos sonhar...porque sim.


E se o "porque sim" persistir em ficar, pode ser que nao voltemos a acordar.





Escrito à pressao para todos aqueles que vivem a vida porque sim e vêem em essa naturalidade o caminho único para uma felicidade que só surge quando menos se espera. Também ela aparece simplesmente porque sim.

terça-feira, novembro 06, 2007

Decisões instantâneas

O tempo foi aquilo que o Homem encontrou para definir aquilo que não pode controlar. Dividido em segundos, minutos, horas, dias, meses, anos e séculos...criamos a ilusão profunda de algo que nos controla mas que nós não pudemos controlar. É uma sensação boa de quando em quando... seguir a lei do senso comum e mais uma vez dar razão à célebre máxima de que o tempo não pára.


É bem verdade.


O tempo não pára.


Mas nós paramos no tempo. Ou melhor, oferecemo-nos aquele momento de reflexão que não acompanha aquilo que inevitavelmente não controlamos: o tempo.

Se o tempo fosse algo capaz de ser descrito fisicamente...se o tempo fosse de todas essas coisas que ele próprio ultrapassa, mesmo sem querer... se assim fosse, o tempo seria como o vento. Ás vezes brisa, ás vezes furacão...vai varrendo e levando consigo tudo aquilo que lhe vai surgindo pelo caminho.



Mesmo a ti. Ou a mim.

A menos que... decidamos não nos deixar varrer, não nos deixar levar arbitrariamente. Podemos decidir acompanhar o ritmo.


Vens?

terça-feira, outubro 30, 2007

Go, go...

So I say go,go,
hold your fists high,
grow, slow,
stand in for the fight
though
I hope you never have to.

So I say run, run
sparkling light,
have your fun and then come home at night
I'm sure you'll tell me something new


I can see the world through you



David Fonseca, I can see the world through you

quarta-feira, outubro 24, 2007

Um dia..eventualmente...vai deixar de magoar.


Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo

o que não vivi,
hei-de inventar contigo

sei que não sei

às vezes entender o teu olhar

mas quero-te bem,

encosta-te a mim.



Encosta-te a mim, Jorge Palma

terça-feira, outubro 23, 2007

Hoje

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.




Alberto Caeiro

sábado, outubro 20, 2007

Expiration date



Every feeling has its expiration date.

The game's over, the lights go out. And you wait... you wait... you can't be tired of waiting if you love. It is in your deepest nature to wait. Wait until the day you realise you are not waiting anymore....

And the only remaining question is: Is a feeling still alive once it expirates?

I think so...

terça-feira, outubro 09, 2007

Memory box...do we share the same?

Once I was a soldier
And I fought on foreign sands for you
Once I was a hunter
And I brought home fresh meat for you
Once I was a lover
And I searched behind your eyes for you
And soon there'll be another
To tell you I was just a lie

And sometimes
I wonder
Just for a while
Will you remember me

And though you have forgotten
All of our rubbish dreams
I find myself searching
Through the ashes of our ruins
For the days when we smiled
And the hours that ran wild
With the magic of our eyes
And the silence of our words

And sometimes
I wonder
Just for a while
Will you remember me


Tim Buckley

Porque ás vezes pouco mais nos resta do que as memórias que nos fazem felizes... e o medo de as perder consegue ser maior do que o sofrimento da lembranca...

segunda-feira, outubro 08, 2007

Do outro lado do mundo, do outro lado da vida


Existe sempre um outro lado. Existe sempre um oposto. Uma contradição. E se abrirmos bem os olhos - e com eles o espírito - somos capazes de compreender que um lado não existe sem o outro. São duas partes que se complementam, duas partes de uma unidade só. As condições em que se complementam são indiferentes... o acto de complementar é que cria o equilíbrio da unidade. Seja por semelhança, seja por diferença... os dois lados de uma luta é que dão origem a essa luta. Senão houvesse oposição, não haveria luta.
"Auf der anderen Seite", "The edge of heaven"...seja ele traduzido como "Do outro lado" ou "Limite do céu", é um retrato real das divergências da vida, da sensação de completo partindo pelo pressuposto da oposição. Um professor. A Turquia. Os Direitos Humanos. Três lados diferentes de um triângulo tridimensional...por vezes estamos tão ocupados com a nossa aresta que nos esquecemos que existe uma outra que nos reflecte. Por vezes estamos tão distraídos no embalo da vida que num segundo o seu oposto nos toma e nos leva para a outra margem.

Nejat: "Brindemos"
Susanne: "Á morte."

Um brinde á morte...e que ela nunca nos faça esquecer que a vida nunca deixará de ser uma simples margem. Do outro lado... ninguém nos virá contar como será.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Olhos de Maré

Por ter visto o mar
Num olhar de quem nunca o viu
Por ter ido atrás de uns olhos de maré

Sou capaz de andar sobre um mar que nunca existiu
Mas não sou capaz de ir mantendo a fé

Ventos e marés vão fazer o sol naufragar
Na palma da mão que o mar não soube ler

E se tu não és esse sol que me quer queimar
Não verás então o mar que tento ser

Letra de Dazkarieh "Olhos de Maré"


Se as palavras me faltam roubo as dos outros... por vezes é difícil transmitir em meros símbolos ortográficos a complexidade de um sentimento que nos consome por dentro. E quando é assim, gosto de roubar.. roubar as palavras de poetas ou músicos que acabaram por encontrar um caminho feliz de libertar os monstros que habitam dentro deles...

Inútil...

Eu: Inútil?

Ele: Sim....


Eu: E agora?


Ele: Agora? Desenrasca-te....

quarta-feira, setembro 19, 2007

Amor e Loucura

Era uma vez a Loucura. Um dia ela decidiu dar uma festa e convidar todos os seus amigos. Durante a festa a Vontade sugeriu jogar às escondidas. „Jogar às escondidas? Que jogo é esse?“ perguntou a Ignorância. „As escondidas é um jogo: um de nós conta até 100 e os outros têm de se esconder. O último a ser encontrado ganha.“ Respondeu prontamente a Inteligência. Todos quiseram jogar menos o Medo e a Preguiça. A Loucura está tão entusiasmada que se ofereceu para ser ela a contar. A confusão começou, todos se queriam esconder o mais rápido possível. A Segurança foi esconder-se no sótão da casa do vizinho. De certeza que aqui ninguém a encontra! O descuido escondeu-se atrás de uma plantinha. A Tristeza só chorava, sem conseguir sair do sítio. A Insegurança chorava junto como ela, porque não sabia se era melhor esconder-se à frente ou atrás do muro. “…98,99,100!“ gritou a Loucura. „Eu vou vos encontrar!“ A primeira a ser encontrada foi a Curiosidade, porque estava tão curiosa de saber quem seria o primeiro a ser encontrado, que foi descoberta ao espreitar do seu esconderijo. A Felicidade também foi rapidamente descoberta. Era impossível não ouvir as risadinhas dela. Em pouco tempo a Loucura já tinha encontrado quase todos os seus amigos. Até mesmo a Segurança. Foi então que o Cepticismo se lembrou: „E onde é que está o Amor?“ Todos encolheram os ombros. Na verdade, ninguém reparou onde é que ele se escondeu. Começaram a procurar: debaixo de pedras, para lá do Arco-Íris, sobre as árvores… A Loucura procurava no meio dos arbustos com um pequeno pauzinho. De repente ouviu-se um grito! Era o Amor. A Loucura arrancou-lhe um olho sem querer. Ela pediu imensas desculpas, e como prova do seu arrependimento, ela prometeu ao Amor que iria ser os seus olhos, para sempre. O Amor aceitou. E foi a partir deste momento que se começou a dizer que o Amor é cego e guiado por uma certa Loucura.

traducao de um texto publicado ontem no blog da Alexandra

segunda-feira, setembro 17, 2007

copo meio cheio ou meio vazio?


There's something to be said about a glass half full. I think it is a floating line, a barometer of need and desire. It's entirely up to the individual and depends on what's being poured.
Sometimes all we want is a taste. Other times there is no such thing as enough.
The glass is bottomless and all we want is more.

um momento de pura intimidade e devaneio feminino: extraído da série Grey's Anatomy.

domingo, setembro 16, 2007

Emotional vs Rational

Well I held you like a lover
Happy hands and your elbow in the appropriate place
And we ignored our others, happy plans
For that delicate look upon your face

Our bodies moved and hardened
Hurting parts of your garden
With no room for a pardon
In a place where no one knows what we have done

Do you come
Together ever with him?
And is he dark enough?
Enough to see your light?
And do you brush your teeth before you kiss?
Do you miss my smell?
And is he bold enough to take you on?
Do you feel like you belong?

And does he drive you wild?
Or just mildly free?
What about me?

Well you held me like a lover
Sweaty hands
And my foot in the appropriate place
And we use cushions to cover
Happy glands
In the mild issue of our disgrace
Our minds pressed and guarded
While our flesh disregarded
The lack of space for the light-hearted
In the boom that beats our drum

Well I know
I make you cry
And I know sometimes you wanna die
But do you really feel alive without me?
If so, be free


Damien Rice


To you, you know who... who made my world go round and stop. Stop for a moment that seems an eternity... I want to walk, but I guess I need to learn how to walk again...

sábado, setembro 15, 2007

Lost in Translation (2004)



Listen to the girl
As she takes on half the world
Moving up and so alive
In her honey dripping beehive
Beehive
It's good, so good, it's so good
So good
Jesus & Mary Chain
Nothing was like in the movies... so I guess I can go on....

quarta-feira, setembro 12, 2007

How to save a feeling?

I guess you don't need it
I guess you don't want me to repeat it
But everything I have to give I'll give to you
It's not like we planned it
You tried to stay, but you could not stand it
To see me shut down slow
As though it was an easy thing to do
Even as my eyes do see it
The very things that make you live are killing you

Listen when

All of this around us'll fall over
I tell you what we're gonna do
You will shelter me my love
And I will shelter you
I will shelter you


Ray Lamontagne, Shelter Lyrics (adapted)

segunda-feira, setembro 03, 2007

E.E.Cummings advised...

maggie and milly and molly and may
went down to the beach(to play one day)

and maggie discovered a shell that sang
so sweetly she couldn't remember her troubles,

and milly befriended a stranded star
whose rays five languid fingers were;

and molly was chased by a horrible thing
which raced sideways while blowing bubbles:and

may came home with a smooth round stone
as small as a world and as large as alone.

For whatever we lose(like a you or a me)
it's always ourselves we find in the sea


às vezes é preciso aprender... aquilo que o mundo nos oferece também nos pode tirar, com a mesma rapidez ou surpresa. No final (se é que se pode falar num final) o único que nos resta é aquilo que já tinhamos ao início: Nós.

terça-feira, agosto 21, 2007

O mundo sem olhos

Há noites como esta. Noites em que o mundo parece demasiado grande para a nossa pequenez. Noites nas quais apetece fechar os olhos e, de repente, o mundo não passa daquele sítio onde nos sentimos mais ou menos em casa.
Sem notar, ao som da música, estamos de olhos fechados e o vento que sopra do lado de fora é aquela mão que nos acaricia o cabelo antes de adormecer. O sorriso daques que amamos sabe (mesmo estando tão longe dela) à maresia de uma manhã de Verão. E então descobrimos que os olhos são o desvio da alma. São eles que nos distraem do toque da voz daqueles que nos rodeiam. De olhos fechados aprendemos a sentir o cheiro de um abraço no momento certo - cheira a jardim regado pela chuva fria numa noite de inverno.

De olhos abertos o mundo é mais impiedoso.
De olhos abertos o mundo mostra-nos a insipidez de um sorriso, a rigidez de um abraço. O cheiro, o toque o sabor desvanecem sem aviso prévio.


De olhos abertos o mundo tem jardins de pedra e as pessoas sâo estátuas igualmente imóveis.

De olhos abertos o mundo não passa do mundo que tão bem conhecemos.

segunda-feira, agosto 20, 2007

O que virá depois do Silêncio?

Inspira,
expira.
Deixa que o ar te encha os pulmões,
como se os abrisses pela primeira vez.
São poucas as vezes em que sentimos
tudo como se fosse outra vez a primeira vez.

Pára.
Só por um instante.
Não deixes que o tempo
Não te dê tempo para parar.

Não fales.
Não digas nem uma palavra,
E goza o silêncio que o amor nos deixou.


foto extraída de www.galeriadelsangels.com

sexta-feira, agosto 17, 2007

Past Tense derivation

If the sun refuses to shine,
I would still be loving you.
when mountains crumble to the sea,
There will still be you and me.

The kinda person I give you my all
The kinda person nothing more

Little drops of rain whisper of the pain
Tears of love is strong, there is no wrong.
Together we shall go until we die
Inspiration is what you are to me,
Inspiration loving you....

And today my world is smiles
your hand in mine, we walk the miles
Thanks to you it will be done,
For you to me,
I'm the only one
Happiness no more, be sad
Happiness, I'm glad.



Led Zeppelin

terça-feira, julho 31, 2007

You



I know sometimes you wanna die...
... but do you really feel alive without me?



Accidental Babies, Damien Rice

sexta-feira, julho 27, 2007

Time


"We have so little time", I said, "let's not spend it in anger." Your silence hurts.


And we are running out of time.

Time won't wait for us to be ready....

quinta-feira, julho 26, 2007

Shhhhhh......

Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.
E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.

Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.


Carlos Tê

terça-feira, julho 24, 2007

Take my hand and let me lead you back to yourself




Sometimes angels appear under disguise. They hide their wings but still they can fly.

Sometimes angels pretend to be humans. And they pretend it so hard that sometimes they don't know anymore where their wings have gone.

Sometimes angels are weak and lost. And they can't find their way back to their track.

Sometimes angels forget to be angels...

quarta-feira, julho 18, 2007

Os amigos

Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor
 
José Tolentino Mendonca

quarta-feira, junho 20, 2007

domingo, junho 17, 2007

Coffee & Cigarettes - Part IV


Literally. Me, my coffee and my cigarettes on a Sunday morning...
A spaceship flew through my window last night. And I payed a ride to nowhere with it. It flew so fast that I didn't get the chance to say no... Its light was so bright that I could switch off the sun without even noticing it.
I was left on a place I knew before. A place where the wind takes you everyday to another different place. But somehow it feels weird out here. As if my feet could not move but something was pushing me to somewhere else.
How can I find my way back home?

You are the Empress

Beauty, happiness, pleasure, success, luxury, dissipation.

The Empress is associated with Venus, the feminine planet, so it represents, beauty, charm, pleasure, luxury, and delight. You may be good at home decorating, art or anything to do with making things beautiful.
The Empress is a creator, be it creation of life, of romance, of art or business. While the Magician is the primal spark, the idea made real, and the High Priestess is the one who gives the idea a form, the Empress is the womb where it gestates and grows till it is ready to be born. This is why her symbol is Venus, goddess of beautiful things as well as love. Even so, the Empress is more Demeter, goddess of abundance, then sensual Venus. She is the giver of Earthly gifts, yet at the same time, she can, in anger withhold, as Demeter did when her daughter, Persephone, was kidnapped. In fury and grief, she kept the Earth barren till her child was returned to her.

What Tarot Card are You?

segunda-feira, junho 11, 2007

Indecisos por decisão própria

Cada vez mais se diz que a nossa geração é incapaz de tomar decisões. Aqui fica o último testemunho em defesa da liberdade de escolha.

Que mais irão dizer sobre nós? Não contribuímos para o aumento da taxa de natalidade. Somos filhos do comodismo. Contudo a mais recente acusação é um ataque ás nossas perspectivas de vida: cada vez mais somos rotulados de´“incapazes de tomar decisões”. Incostantes e indecisos. Mas, e se dizermos que o adiamento de decisões não é sinónimo da incapacidade de as encontrar? E se esta disposição para o novo não for mais do que um valor nascido da necessidade e/ou realidade?
Aqui não se trata de pessoas que ficam horas sentadas, de olhos pregados no menu do café a tentar decidir se tomam uma cerveja ou um gin tónico. Também não se trata daqueles que saltam de curso em curso sem fazerem a mínima ideia do que fazer com a própria vida. Aqui vamos falar sobre aqueles que sabem o que querem mas que reconhecem que o caminho tem muitas curvas. Pessoas que reconhecem que o mundo se transforma em cada segundo, e que os desejos de hoje podem não ser os de amanhã e os de amanhã podem ser algo que nunca pensariam querer hoje. Não se trata de inconsistência mas de constante mudança.
O escritor de argumentos de cinema que ainda não consegue viver da sua profissão e que, por isso, serve à mesa três vezes por semana, é muitas vezes acusado de conformado. A jovem designer que não consegue juntar dinheiro suficiente com as suas vendas e por isso trabalha em part-time num call center é associada à falta de idealismo. No entanto, ambos tomaram uma decisão muito importante: tentar a todo custo fazer profissionalmente aquilo que realmente desejam, mesmo que isso signifique ter outra profissão (temporariamente).
Antigamente era tudo bastante mais fácil: os objectivos de vida bem definidos (trabalho fixo, casamento, filhos e casa própria), assim como, a forma de os alcançar (boas notas, noivado, conta poupança habitação). Todos eram verdades dogmáticas – mas nem sempre essencialmente boas. A verdade é que ninguém sente falta dos tempos em que o filho assumia o negócio do pai e as mulheres nem sequer tinham liberdade para decidir sobre a própria vida. Nem tão pouco dos tempos em que, quase ainda crianças, tinhamos de decidir sobre o nosso futuro. Crianças que mostram precocemente um grande poder de decisão, têm o dobro das chances de dar um passo em falso.
Contudo, não se trata aqui exclusivamente da escolha da profissão futura, mas sim, também da eterna pergunta: “Como é que eu quero viver?” As gerações anteriores já nos mostraram os dois extremos: a divisão política e social dos anos 60 e o hedonismo dos anos 80. A verdade é que aprendemos a evitá-los ou a contorná-los estrategicamente. Mas, não será mais duvidosa uma frustrante carreira de chefe, do que a luta humana por algo em que se acredita? Então porque é que temos de nos sentir obrigados a fazer para o resto da vida algo que não nos dá o mínimo prazer?

terça-feira, junho 05, 2007

Life's lesson...


Change your heart
Look around you
Change your heart
I will astound you
I need your lovin'
Like the sunshine...
Just like a rainy day without sun and light.... I close the windows of my room and my heart is clouded and dark...

quinta-feira, maio 24, 2007

Spaceships by your window

Nothing unusual, nothing strange
Close to nothing at all
The same old scenario, the same old rain
And there's no explosions here
Then something unusual, something strange
Comes from nothing at all
I saw a spaceship fly by your window
Did you see it disappear?


When will a spaceship fly by my window?

quinta-feira, maio 10, 2007

A plataforma da estacao


Mande notícias do mundo de lá

Diz quem fica


Me dê um abraço


Venha me apertar


Tô chegando


Coisa que gosto é poder partir


Sem ter planos


Melhor ainda é poder voltar


Quando quero





Todos os dias é um vai-e-vem


A vida se repete na estação


Tem gente que chega pra ficar


Tem gente que vai pra nunca mais


Tem gente que vem e quer voltar


Tem gente que vai e quer ficar


Tem gente que veio só olhar


Tem gente a sorrir e a chorar





E assim, chegar e partir


São só dois lados


Da mesma viagem


O trem que chega


É o mesmo trem da partida


A hora do encontro


É também despedida


A plataforma dessa estação


É a vida desse meu lugar


É a vida




Porque há pessoas que deixam marcas eternas na vida de alguém... essas pessoas nao se esquecem seja qual for o canto do mundo onde elas agora estao. Há sempre uma outra plataforma de estacao que espera o momento do reencontro... as despedidas sao simplesmente o pretexto de um novo encontro.


Música de Maria Rita

quinta-feira, abril 26, 2007

coffee and cigarettes... Part III


Anda...vamos jogar conversa fora, fumar cigarros, beber café e fazer de conta que o mundo se decide nesta mesa situada num ponto insignificante deste mundo. Vamos falar, falar e falar...palavras sem destino e practicabilidade. Falar palavras só pelo gozo de as sentir sair da boca... e deixá-las morrer no calor da chávena de café.
Há momentos na vida em que nada do que possa ser dito ou do que fique por dizer tem a menor importância. Há momentos na vida completamente sem importância.
Vamos...vamos partilhar um momento assim e sentir que o facto de nao irmos a nenhum lado, de nao darmos um único passo em frente nao nos incomoda. Saber usufruir estes momentos inúteis é uma arte... uma arte do quotidiano.
Quando a vida por vezes estagna... porque nao aproveitar a inutilidade do momento?

Pedacos de mim...

Nao é nenhum poema o que vos vou dizer
Nem sei se vale a pena
Tentar-vos descrever
O Mar
E eu fui aqui ficando
só para O poder ver
E fui envelhecendo sem nunca o perceber
O Mar
O Mar
Música de Madredeus, O Mar
foto tirada pela minha prima! (http://www.olhares.com/silviamfernandes)

terça-feira, abril 03, 2007

Should I go?

I will go quietly
Don't move your chair
Won't even try it
Wouldn't even dare
You come walking down
With a mouthful of sand
We better cut it out
Cause it's out of hand
And it's loud out on the street
So please
I will go quietly
Drive with my lights out
Won't even change my clothes when I get there
I'll go so quietly
I swear
I will go quietly
I'll leave my speech
Hold down the mystery
With a throat full of bleach
And I won't go talking now
Not even a sigh
I'll sleep on a broken bough
With a nail in my eye
And I won't hear a beat again
I will go quietly
But I'll stay screaming inside your sleep
I'll stamp out the moon and I'll shear all of your sheep
I will go quietlyI
won't brush my teeth
Won't even tell myself when I get there
I'll go so quietly
No one will even see
And they won't hear
I'll go so quietly
I swear
:( Música de Shivaree